06 de novembro, de 2007 | 00:00
Sem água há três meses
Caminhão-pipa abastece comunidade do bairro Contente; Copasa promete troca de redes e Prefeitura critica uso irracional
[imagem2626]FABRICIANO - Três meses sem água nas caixas, dificuldade para realizar as necessidades básicas e problemas de saúde. No bairro Contente, em Coronel Fabriciano, a situação não chega a ser desesperadora, mas a falta de água incomoda moradores, modifica a rotina de trabalhadores e mostra a falta de consciência de grande parte da comunidade.O bairro Contente, localizado após o Caladão, passa por dificuldades, segundo moradores, há mais de quatro anos. Essa falta de água é habitual. Nos últimos três meses é que a coisa andou piorando. A nossa sorte é que um caminhão-pipa passa duas vezes por semana e alivia alguma coisa. Mesmo assim, em partes altas, a água não chega e a dificuldade é mais aguda”, disse Rosilaine Martins Silva, 29 anos, casada e mãe de dois filhos.Segundo ela, o líquido não chega em condição de ser consumido, fato que leva parte da população a percorrer longos trajetos para conseguir água mais pura. Ontem (domingo) o caminhão-pipa esteve no bairro, mas a água tinha excesso de cloro. Dessa forma tenho que ir até uma mina para conseguir água, isso num trajeto de quase dois quilômetros”, contou.Já Maria da Conceição, moradora da rua Iguaçu, disse que na vizinhança as caixas dágua continuam vazias e que a solução é contar com a boa vontade de amigos. Por volta das 3h da manhã, a água costuma sair na torneira de um vizinho nosso, que deixa todos entrarem para o abastecimento. Cada um faz a sua parte, enche garrafas e baldes para remediar a situação”, ressalta. Uemerson Fabiano, dono do lote, disse que nessas horas é preciso a comunidade se unir. Há quatro anos residindo na localidade, ele contou que convive com esse grave problema. Para complicar, existe a falta de consciência de algumas famílias, que usam a água para outros fins e isso compromete a vazão em certas partes do Contente”, criticou.InadequadoO bairro Contente tem uma parte alta, ocupada por moradores pobres, e uma parte baixa, com sítios, áreas particulares e alguns moradores em melhor condição financeira. Como não há hidrômetro na localidade, o uso indiscriminado compromete a vazão em algumas áreas.Existe um desvio de água. A Copasa já fez uma intervenção na tentativa de acabar com o problema, mas infelizmente alguns moradores não têm a consciência de que é preciso economizar. Na verdade falta espírito de cidadania, pois em algumas áreas as pessoas utilizam água para fins indevidos e isso não pode acontecer”, frisou o prefeito Chico Simões (PT).Na verdade, o prefeito critica as pessoas que usam a água para abastecer poços artesianos, poços de peixes, piscinas e outros fins. É uma realidade que compromete”, salientou.Copasa troca redes para regularizar abastecimentoA partir deste mês, a Companhia de Abastecimento e Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vai iniciar obras nos bairros Caladão e Contente para garantir o abastecimento regular de água na região. De acordo com Gildo Batista, gerente do Distrito do Médio Piracicaba, as obras devem durar cerca de 90 dias, e nesse período haverá ainda a instalação de hidrômetros. Como as pessoas não têm consciência do uso, vamos começar a cobrar pela água. Isso não foi feito antes exatamente porque tínhamos dificuldade em garantir a distribuição, devido ao manancial antigo e a redes desestruturadas. Isso compromete e vazão e prejudica o uso”, explica Gildo Batista. Segundo ele, na parte alta do Contente as redes são obsoletas, o que dificulta a captação. Na parte baixa a água corre com mais facilidade. Vamos substituir as redes e fazer novas ligações”, reforça.DificuldadePara Odete Goulart, de 85 anos, mais difícil que subir as escadas tortuosas desde o portão até a entrada da casa, é ficar sem água para tomar banho. Na residência da idosa, na rua Iguaçu, um pé de limão seco mostra o cenário desolador na porta da casa da aposentada. Aqui está faltando água para tudo e, na minha idade, fica complicado subir e descer atrás de água. Graças a Deus meu filho me ajuda, mas ainda espero a situação melhorar. Estou pensando em mudar de casa, mas confesso que gostaria de ficar aqui”, disse, ao lado do filho, João Batista Pinheiro, 43.Já para Maria Aparecida Silva, o problema da falta de água vem comprometendo a saúde, devido às longas caminhadas com cestos de roupas sujas. Eu tenho que lavar, mas para isso preciso caminhar até uma mina. Além do mais, estou com problema nos rins e atribuo isso à falta de água para beber. Consumo uns três copos de água por dia e sei que é pouco, mas não posso fazer nada para modificar isso”, contou.Roberto Bertozi
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