14 de novembro, de 2007 | 00:00
Divisão logo no primeiro dia
Prefeitos divergem sobre formação do Conselho Deliberativo da Amevale
Fotos: Arquivo/DA
Simões defende a necessidade de um regimento que contemple os municípios da região com critérios semelhantes
IPATINGA - Ainda pela manhã, durante apresentação do diagnóstico, houve questionamentos por parte dos prefeitos de Coronel Fabriciano, Chico Simões, e Santana do Paraíso, Joaquim Correia de Melo, o Kim, ambos do PT, sobre a forma de constituição da Assembléia Metropolitana e do Conselho Deliberativo de Desenvolvimento Regional. No entendimento deles, há uma situação que favorece Ipatinga, que possui maior número de participantes, justamente a cidade maior, com mais recursos e que já tem tudo”, reclamavam. O prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão (PMDB), reagiu. Disse que a situação é imposta por uma legislação que foi discutida, votada e aprovada na Assembléia Legislativa. Quintão disse que embates partidários devem ser reservados ao período eleitoral.VisõesO prefeito de Fabriciano cobrou uma visão coletiva” sobre a Assembléia Metropolitana. Até agora nenhuma cidade ajuda a outra, até porque a legislação não permite. Fabriciano sofre amargamente com o crescimento de Ipatinga. Temos que ter crescimento harmônico, cooperação. Fabriciano e Santana do Paraíso talvez sejam os mais interessados nessa união”, avaliou. Queremos crescer com igualdade e ser tratados também com igualdade”, acrescentou o prefeito de Paraíso. Já o prefeito de Ipatinga cobrou uma visão suprapartidária” sobre o assunto e deixou claro que a questão que se apresentava era sobre o número de representantes de sua cidade na Assembléia Metropolitana. Paraíso e Fabriciano discordam do fato de Ipatinga ter um representante a mais na Assembléia Metropolitana. Durante boa parte da tarde de ontem, os prefeitos de Fabriciano e Paraíso discutiram a questão com seus assessores e estudaram maneiras de intervir na composição do Conselho Deliberativo de Desenvolvimento Metropolitano. Na seqüência, o evento previa a posse dos integrantes do conselho. No entanto, Chico Simões pediu a palavra ao secretário de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), Dilzon Melo. O prefeito reafirmou que não concorda com a disparidade de componentes do Conselho Deliberativo. Nós temos uma lei que foi aprovada no dia 2 de dezembro de 2006, garantindo uma formação igualitária, mas uma ratificação publicada pela Assembléia Legislativa no último dia 6 alterou o teor do texto original. É a legalidade desta alteração que questionamos”, disse.Após seu discurso, Simões afirmou que acionará a Justiça para tentar reverter a situação. Durante a nomeação do Conselho Deliberativo, Simões, Kim e os seus suplentes não subiram ao palco para serem empossados.
Quintão alega que Ipatinga foi a cidade que mais contribuiu para o progresso da RMVA
Quintão diz que Amevale funciona sem Chico SimõesO prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão (PMDB) afirmou que o racha incitado pelo prefeito de Fabriciano, Chico Simões (PT), não irá atrapalhar o trabalho do Conselho Deliberativo. Simões alega que Ipatinga não teria direito a duas vagas no Conselho em detrimento de Fabriciano, que ficou com apenas uma. A região metropolitana é um projeto macro, de homens que têm visão, para discutir políticas públicas com prefeitos de partidos diferentes. Com ou sem ele (Chico Simões), a região metropolitana vai existir. Ela é uma realidade. Estamos aqui formalizando o aspecto legal e institucional para que haja legitimidade para capitanearmos verbas, apresentarmos projetos e requerer benefícios do governo estadual e federal para a nossa região”, salientou Sebastião Quintão. O prefeito acusou Chico Simões de ser exibicionista”. Ele ainda sustentou que a cidade tem direito a duas vagas no Conselho porque é a que mais contribuiu para o progresso da RMVA. Ipatinga, por questão legal, e por ser uma cidade maior, com mais habitantes, vai contribuir mais com a região metropolitana, com mais dinheiro. É uma cidade que tem o maior avanço em todos os sentidos. Por isso, foi sabiamente apoiada pela Assembléia Legislativa com dois votos do Conselho, assim como Belo Horizonte o foi. Só que Belo Horizonte, como é do PT, eles não incomodaram e aceitaram. Aqui em Ipatinga é do PMDB, então eles querem aparecer. Na realidade, o prefeito (Simões) quer mesmo é aparecer”, reforçou Quintão.Parlamentares querem harmonia e cooperaçãoA deputada estadual Rosângela Reis (PV) participou na manhã desta terça-feira da apresentação do Diagnóstico da Região Metropolitana do Vale do Aço e do debate sobre Planejamento das Cidades e a Estratégia Metropolitana”. No entendimento de Rosângela Reis, foi um momento de conhecimento da realidade regional e que obrigam aos participantes uma atuação como cidadãos metropolitanos. É uma nova consciência que os cidadãos devem ter para a busca da harmonia, da cooperação, da transparência nas ações”, argumentou.EntendimentoA deputada apelou por entendimento entre os representantes dos municípios. O que precisamos aqui é andar de mãos dadas. Precisamos sair desse evento com a representação fechada e dentro da legislação. Se precisarmos buscar outros entendimentos, vamos fazê-lo, mas não podemos abrir mão do que está estabelecido”, afirmou Rosângela Reis, que apresentou emenda ao projeto que dispõe sobre ICMS Solidário, em tramitação na Assembléia, para que a redistribuição de recursos fique dentro da RMVA.A coordenadora do debate sobre planejamento das cidades, Cecília Ferramenta (PT), saiu da mesa afirmando que a primeira conferência da RMVA tem um significado ímpar, porque pela primeira vez, há claros sinais de que o governo estadual está empenhado na concretização da Região Metropolitana. Embora não tenhamos emendas aprovadas para o Plano Plurianual de Ação Governamental, para projetos estruturadores da RMVA, acho que o debate é importante porque cada cidadão sai daqui com esse espírito de cooperação”, disse.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor:
[email protected]