20 de novembro, de 2007 | 00:00

Reflexão em busca de avanços

Eventos e palestras compõem Semana da Consciência Negra na região

Roberto Sôlha


Para fundadoras do Grucon, a Semana permite avaliar diversos temas com a comunidade negra
IPATINGA - O Grupo de União e Consciência Negra (Grucon) está promovendo  desde ontem uma série de eventos em virtude das comemorações da Semana de Consciência Negra, comemorada oficialmente entre os dias 19 e 21. Formado há 20 anos por um grupo de moradores do bairro Bethânia, objetivando trazer as discussões sobre a cultura afro-brasileira para o âmbito do espaço público, o grupo se destaca pelos trabalhos realizados em diversas escolas e comunidades do município. Ontem, o Grucon organizou uma missa afro na comunidade São Francisco de Assis, no Vale do Sol, com a presença dos congadeiros do Ipanemão. Hoje, o grupo participa de festividades em Coronel Fabriciano, ao lado de outros grupos de cultura afro-brasileira da região. As comemorações se encerram no dia 25, na comunidade Dom Oscar Romero, com missas e celebrações a partir das 19h30. A história da formação dos quilombos será um dos temas abordados na Mostra Consciência Negra, evento a ser realizado no dia 23 na Escola Estadual Elza de Oliveira Laje, no bairro Chácaras Madalena. A exposição é organizada pela professora de Teatro e História, Claudina Abrantes, uma das apoiadoras do Grucon. “A mostra contará com peças teatrais, palestras e desfile de penteados afro. Será um evento que reunirá todo o trabalho que já vínhamos desenvolvendo em parceria com o Grucon nos últimos anos”, explica Claudina. Segundo as fundadoras do grupo, Maria Helena Miguel, Maria da Consolação Felício e a presidente Geralda Machado da Silva, a Semana da Consciência Negra é comemorada desde 1978 e foi escolhida pelo Movimento Negro Unificado para fazer alusão e homenagear Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, assassinado em 20 de novembro de 1695. “É uma data em que diversos temas são debatidos pela comunidade negra, como a inserção no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc”, cita Maria Helena. Atualmente, o Grucon trabalha para dispor de mais recursos para levar essas discussões de maneira mais abrangente. Um projeto do grupo está sendo analisado pela comissão que aprova os recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. “O objetivo é angariar recursos para promover mais eventos sobre a cultura afro-brasileira na região, já que não contamos com o apoio do poder público”, afirma Maria Helena.Preconceito Apesar de o último dia 13 de maio ter marcado o centenário da Abolição da Escravatura, as fundadoras do Grucon acreditam que poucos avanços merecem ser considerados como motivo de comemoração. “O preconceito ainda existe. Pode parecer um discurso desgastado, uma vez que a presença dos afro-brasileiros pode ser notada cada vez mais em setores e segmentos variados da nossa sociedade. No entanto, só quem é negro sabe e percebe o quanto o preconceito ainda se faz presente nas relações cotidianas”, contextualiza. Discussão centrada no social A programação teve início ontem, com a exibição e debate sobre o filme “As filhas do vento”, do diretor Joel Zito Araújo. Hoje, a partir das 19h30, os graduandos apresentarão seus trabalhos desenvolvidos a partir da análise do livro O Abolicionismo, do escritor Joaquim Nabuco. Na obra, o autor aponta que foi a escravidão que formou o Brasil como nação. Além disso, o escritor relata que foi a partir dela que se definiram a economia; a organização social e a estrutura de classes; o Estado e o poder político; e a própria cultura brasileira.Amanhã, a programação tem continuidade com uma apresentação da Associação de Capoeira Lenço de Seda, e com uma mesa-redonda. O debate abordará a lei que estabelece a inclusão da cultura afro-brasileira no currículo oficial da Rede de Ensino. Para a discussão foram convidados Reginaldo Consolatrix e Luiza Flor, do Centro de Estudos da Cultura Afro-brasileira, Cláudia Márcia Coutinho Dias, professora do Unileste-MG, e Agda Vieira, da Escola Municipal Bernardo Ferreira Guimarães. Além do evento promovido pelo Unileste, a Prefeitura de Fabriciano realiza três dias de festa para comemorar o 20 de novembro. A abertura acontece hoje com a Parada Afro-Brasil, às 17h30, na avenida Magalhães Pinto. O desfile reúne grupos que trabalham com a temática das manifestações culturais de origem ou inspiração africana no município, como grupos de capoeira, marujada, congado, maculelê e dança de rua. Em Ipatinga, as comemorações oficiais tiveram início ontem, através de eventos promovidos pela Prefeitura, em parceria com a Câmara e a Unegro (União de Negros pela Unidade). A Câmara sediou ontem à tarde uma reunião ordinária em homenagem a Zumbi dos Palmares e com a visão do filósofo belo-horizontino Alexandre Braga sobre a trajetória histórica do negro no Brasil. Hoje, a partir das 9h30, ocorre no Galpão do Parque Ipanema a apresentação do sarau “Poetizando Por Aí”, com o escritor e poeta Toninho Aribati. Ele declamará poemas acompanhado do violinista Romário Araújo. Além disso, Alexandre Braga fará uma explanação sobre a importância do Movimento Negro Organizado no Brasil.
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