21 de novembro, de 2007 | 00:00

Sintonia com o mercado global

Cosipa também terá expansão, mas prioridade é a Usiminas em Ipatinga

Arquivo/DA


Rinaldo critica falta de proteção da indústria de base ante o avanço da China
IPATINGA - O presidente do grupo Usiminas, Rinaldo Campos Soares, confirma que a empresa pretende, pelo menos até 2015, manter a liderança no mercado nacional de aços planos. Nesse sentido, vai investir em produtos mais nobres para atender às novas exigências de indústrias como a automobilística e tornar-se um jogador importante do mercado global. A afirmação foi feita durante entrevista à Agência Estado. Segundo Rinaldo, hoje, com uma produção anual de cerca de 9 milhões de toneladas de aço, o grupo ocupa a 32ª posição entre os maiores do mundo. O plano é chegar a 14,5 milhões de toneladas até 2015. Para isso, foram programados investimentos de US$ 8,4 bilhões, para aumentar em 5 milhões de toneladas sua produção de aço. Soares, que acumula também a presidência do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), criticou a tentativa de parte da indústria em ampliar a lista de produtos siderúrgicos desprotegidos. Segundo ele, ante a ameaça chinesa, o Brasil deveria adotar uma postura de proteção da indústria de base.Rinaldo explicou que o IBS trabalha no sentido de elevação das alíquotas para proteção da indústria, hoje limitadas a 12%. Outros segmentos têm uma proteção de 25%, 30%. “Se a China começar a ampliar as exportações desordenadamente, tarifas e barreiras de proteção começarão a pipocar em todo o mundo - como já se vê nos Estados Unidos e na Europa em relação ao aço inoxidável”, analisa.Expansão na CosipaO executivo confirma que, nos investimentos para mais três milhões de  toneladas de aço, a Cosipa (que pertence ao grupo Usiminas), também receberá investimentos. ”Temos área disponível, temos um porto anexo. Pode-se fazer 3 milhões de toneladas sem qualquer interferência com a usina atual. Evidentemente, ainda precisamos terminar alguns projetos, como a correia transportadora na serra (projeto da MRS Logística que levará minério de ferro por uma correia de Paranapiacaba até Cubatão)”.Na entrevista, Rinaldo disse que o plano de expansão do Sistema Usiminas para 14,5 milhões de toneladas até 2015 se mantém, fechando no ciclo de ampliação de 5 milhões de toneladas. Segundo o executivo, é um plano estratégico. “Lançamos esse plano em 2005 porque temos duas aspirações. A primeira é continuar a ser o líder absoluto no mercado interno de aços planos. Hoje temos 52%, e precisamos nos expandir para preservar este mercado que está crescendo. Ao mesmo tempo, precisamos investir também em produtos mais nobres. Por exemplo: no setor automotivo temos 60% do mercado, do eletroeletrônico temos 80%, do mercado de tubos de grande diâmetro possuímos quase 100%. São segmentos que exigem aços de melhores características e mais nobres. A segunda aspiração é sermos um jogador importante no mercado internacional”, afirmou o presidente do grupo.Foco no mercado internacionalNa entrevista à Agência Estado, o presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares afirmou que, além dos 2,2 milhões de toneladas de aço bruto que o grupo terá a mais na usina de Ipatinga, pretende-se produzir mais 3 milhões de toneladas que serão destinados ao mercado internacional. A idéia é agregar valor lá fora. “Temos várias opções para isso. Pode ser na região do Nafta, na Europa ou no Sudeste Asiático. O mercado mais favorável para isso é o mercado dos Estados Unidos, do Nafta. Em segundo plano, o europeu. Vamos produzir semi-elaborados no Brasil, onde temos vantagens competitivas, e levar o aço para agregar valor lá fora”, explicou. Mas o mercado interno também merece atenção. Conforme avalia Rinaldo Campos, se o setor automobilístico lançar, de fato, um plano de 5 milhões de unidades, haverá necessidade de atender ao mercado. “Os 3 milhões de toneladas para exportação podem ser redirecionados para o mercado local, se ele crescer muito”, afirmou.Minas não ficou no prejuízoNa Assessoria de Comunicação Empresarial da Usiminas, em Belo Horizonte, a notícia de que Minas Gerais perdeu uma nova Usina em relação à expansão da Cosipa, é tratada como “equivocada”. É que após a entrevista de Rinaldo Campos Soares à Agência Estado, a matéria foi replicada diversas vezes, ganhando versões diferentes e contraditórias.“Um jornal de circulação estadual fez a interpretação que quis e houve essa distorção. Na verdade, Minas não perdeu, ganhou 2/3 do total de US$ 8,4 bilhões destinado pelo grupo para a expansão. Aliás, os investimentos em Cubatão só serão iniciados após o começo das obras de expansão em Ipatinga, cujos projetos estão agora em fase de licenciamento”, acrescenta a Assessoria de Comunicação Empresarial da Usiminas.
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