30 de novembro, de 2007 | 00:00

Ferramenta confirma candidatura

Ex-prefeito espera ter nome referendado nas eleições internas do PT

Alex Ferreira


Chico Ferramenta comemora consenso no diretório municipal e prepara disputa eleitoral em 2008
IPATINGA - No próximo domingo (2), os filiados ao Partido dos Trabalhadores participam do Processo de Eleições Diretas (PED), quando serão eleitos dirigentes para os diretórios municipais, estadual e nacional. Em Ipatinga, o PED ocorre sem disputa interna, após o consenso em torno do nome da vereadora Lene Teixeira para a presidência do partido no município. Os filiados também poderão referendar nas urnas a definição em torno do ex-prefeito Chico Ferramenta, como candidato do partido para a disputa do governo municipal em 2008. Em seu apartamento, no bairro Cidade Nobre, Ferramenta recebeu a reportagem do DIÁRIO DO AÇO, na tarde de ontem, para falar das eleições internas, de sua candidatura e outros assuntos. Sobre o consenso para o diretório municipal, afirmou que as disputas do passado às vezes deixavam resultados negativos e com seqüelas. “Agora, diante de uma conjuntura local, a responsabilidade chamou todo mundo a esse consenso. É um entendimento real, que tem participação de todas as forças internas”, afirmou. Sem mudançasChico Ferramenta disse que, também nas esferas estadual e nacional, o PT amadureceu muito. “Eu assumi um compromisso de não me manifestar muito a respeito da disputa interna do partido, pois vamos precisar de apoio de todos nas eleições do ano que vem. Em relação aos resultados do PED, não acredito que haja mudanças bruscas, tanto no Estado quanto em nível nacional”, avaliou o ex-prefeito.Questionado sobre a ausência dos ex-deputados Ivo José e João Magno na discussão das eleições internas, Ferramenta disse que ambos têm o que chamou de “atividades de sobrevivência”. “O João Magno presta assessoria a várias prefeituras, enquanto o Ivo José está no Ministério das Relações Institucionais e fica em Brasília, mas os dois têm os seus representantes aqui em Ipatinga. O João Magno tem participado mais diretamente, nesta reta final, do processo de definição da direção partidária”, observou.Ex-prefeito encara processo no STF com “naturalidade”Sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, que no último dia 27 rejeitou os embargos no processo em que Ferramenta recorre da cassação de seus direitos políticos, o ex-prefeito disse que enfrenta o momento com naturalidade. “Essa última decisão até já era esperada. O importante é que temos outros recursos e mecanismos para assegurar o direito sagrado de registrar a nossa candidatura a prefeito, de disputar as eleições no próximo ano. Então, estamos atentos a essa questão e não foi a primeira vez que tivemos uma decisão negativa do STF, mas conseguimos recorrer para não deixar que a decisão tenha um desfecho. Essa decisão não chegará ao fim, não há prazo para isso, e a nossa candidatura está assegurada”, reafirmou o ex-prefeito. Defendido pelo jurista José Nilo de Castro, Chico Ferramenta disse achar natural que os adversários se aproveitem do processo que corre no STF para divulgar informações que provoquem confusão junto aos eleitores e a população. “Principalmente aqueles que não têm propostas e não têm como nos enfrentar no voto, no debate, na discussão de um projeto para Ipatinga. Então, resta partir para o tapetão”, ponderou.O ex-prefeito afirmou que, se não tivesse seus direitos políticos assegurados, seria o primeiro a não aceitar a candidatura convocada pelo Partido dos Trabalhadores. “Seria o primeiro a dizer que estaria impossibilitado de assumir essa tarefa. É natural a especulação, mas estamos tranqüilos em relação aos recursos para a garantia dos nossos direitos políticos”, reforçou. Novos recursosO processo contra Chico Ferramenta tramita no STF desde 25 de fevereiro de 2004 e tem sido alvo de recursos toda vez que há alguma decisão nova. Neste sentido, a decisão da segunda turma do Supremo, no último dia 27, já foi contestada. “Queremos provar ao STF que a Câmara de Ipatinga julgou nossas contas de 1990 à revelia nossa. Não fui notificado e não tive direito de defesa. O parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) era pela aprovação das contas. Por uma razão política, inexplicável, os vereadores derrubaram o parecer técnico do TCE. Por isso, recorremos para manter nossos direitos políticos e para garantirmos nossa candidatura a prefeito em 2008”, explicou. Sobre as causas da rejeição das contas, Ferramenta contou que, em 1993, quando a Câmara votou as contas do exercício de 1991, havia orientação do TCE para que fossem feitas correções em atos formais de contabilidade. “Não houve nenhuma acusação de superfaturamento ou de desvio de recursos. Se assim fosse, o TCE não iria emitir um parecer favorável. Se enviou para a Câmara, era para que fossem sanados os erros, dando ao prefeito ou ex-prefeito, o direito de apresentar a sua justificativa. E eu não tive esse direito. A Câmara votou sem sequer me notificar”, criticou.À época da votação das contas de 1991 na Câmara de Ipatinga, Chico Ferramenta era deputado federal pelo PT. Ele afirmou que exercia o mandato em Brasília, mas vinha constantemente a Ipatinga, e se o Legislativo quisesse, poderia tê-lo chamado a se explicar sobre as dúvidas na prestação de contas. “Poderia ter sido notificado inclusive por edital, mas não tiveram essa preocupação porque a Câmara já tinha uma predisposição de votar politicamente pela rejeição das contas”, argumentou.JustiçaNo final da entrevista, Chico Ferramenta acrescentou confiar na Justiça e espera que, até a época da disputa eleitoral, o STF já tenha solucionado seu caso favoravelmente. O ex-prefeito insistiu em dizer que não vai deixar de recorrer “diante de uma decisão que não está de acordo com o espírito de justiça”. “Estamos tranqüilos e o debate nosso na campanha será um debate de programa de governo. A nossa candidatura é de oposição ao atual prefeito, mas uma oposição de alto nível. Nós temos outra alternativa de administração para a cidade, outro modelo de gestão. Neste sentido, nossa assessoria está atenta para garantir nossos direitos”, concluiu Chico Ferramenta.Alex Ferreira
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