08 de dezembro, de 2007 | 00:00

Uma atividade prioritária

Fonoaudiologia completa 26 anos com cinco áreas de atuação

Fotos: Alex Ferreira


Fonoaudiólogas lembram a importância da especialidade
IPATINGA - Regulamentada pela Lei 6.965, de 9 de dezembro de 1981, a Fonoaudiologia completa neste domingo, 26 anos. Seus profissionais afirmam que se trata de uma ciência que tem como objeto de estudo a comunicação humana. Ela trata do seu desenvolvimento, aperfeiçoamento, distúrbios e diferenças no que se refere, entre outros aspectos, à audição, às linguagens oral e escrita, na fala, na fluência e na voz. Sobre a audição, o doutor em Fonoaudiologia e Educação Especial pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Carlos Skliar, afirma que a surdez, antes de ser um problema audiológico, é uma questão social. “O surdo não é um ser patológico, mas um sujeito que tem uma língua natural, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e o português é uma segunda língua”.Em Ipatinga, a coordenadora do curso de Fonaudiologia, Flávia Guimarães Ribeiro, explica que os fonoaudiólogos atuam em cinco áreas. Na voz, trabalha com aperfeiçoamento para os pacientes que usam a voz como instrumento de trabalho e, na reabilitação, pacientes que tiveram patologias nas cortas vocais, perderam a voz e querem voltar a falar.Na fala, o trabalho é feito com crianças que têm trocas na fala. Um exemplo é o do personagem Cebolinha, que fala “balata”. Pacientes que têm problemas neurológicos que atingem a fala. Além disso, deficiências que levam a pessoa a falar projetando a língua para fora. Na linguagem, o trabalho também é com crianças que têm atraso na fala e apresentam alterações de linguagem, tanto a oral como a escrita.Na audição, o fonoaudiólogo faz testes para detectar a perda auditiva por meio de exames. “Há um teste específico para saber se a pessoa tem labirintite, que só o fonoaudiólogo faz. Há pessoas que ficam a vida inteira a tomar remédios, achando que é labirintite e não é”, orienta. Por fim, na saúde coletiva, reconhecida recentemente como a quinta área da Fonoaudiologia, o profissional atua com prevenção em postos de saúde do serviço público. Flávia Guimarães acrescenta que o trabalho é amplo e os profissionais são encontrados em escolas, consultorias, assessorias nas empresas, postos de saúde, hospitais, consultórios e ambulatórios.Estudante “aprende” a ouvirCom dez anos, Larissa Vilela Martins Carneiro é uma das usuárias do serviço da clínica-escola mantida pela Unipac no bairro Bethânia. A avó, Maria das Graças Vilela Martins, chega antes do horário marcado para iniciar a terapia. Maria das Graças se diz satisfeita no avanço que a neta consegue ao começar a ouvir e falar as primeiras palavras.Conta que antes a menina só tentava pronunciar palavras que começavam com a letra P, pela facilidade. Desconhecia, no entanto, as palavras cuja formação do som se dá no interior da boca, com o R, por exemplo. Surda de nascença, Larissa já está adaptada ao aparelho contra a surdez e, uma vez por semana, vai à clínica fazer terapia.

A avó comemora avanços da neta na terapia. Menina “aprende” a ouvir aos 10 anos
“Com o aparelho, a Larissa já consegue ouvir, mas o cérebro não reconhece os sons. Então, aqui se faz um trabalho de estimulação auditiva e compreensão dos sons. O desenvolvimento depende de muito esforço da pessoa e apoio da família. Persistência, acima de tudo”, explica a professora Mirianne Gomes.A esperança da avó é que Larissa avance no tratamento. “Porque aí a gente teria confiança para deixá-la sair sozinha, andar de bicicleta na rua, comunicar melhor e até a falar, como já aconteceu em outros casos”. Maria das Graças conta que, aos sete meses, desconfiou que a neta tinha problemas de audição. Com pouco mais de um ano fez um exame e houve a  confirmação da surdez. “Não podíamos pagar um tratamento. Tentamos muito e só mais tarde, na Escola Maria Barnabé, ela começou a participar do atendimento. De uns anos para cá perdemos o serviço na escola pública, mas conseguimos o atendimento na clínica da Unipac”, conclui a avó. ComemoraçãoNa data em que se comemora o dia de sua profissão, as fonoaudiólogas Flávia Guimarães e Mirianne Gomes afirmam ser importante que as pessoas conheçam as atividades dessa especialidade. “Às vezes a pessoa deixa de procurar um profissional por não saber que ele atua nessa área. Queremos aproveitar a data para divulgar o nosso trabalho, pela certeza de que isso vai ajudar muita gente. A fonoaudiologia tem a preocupação em assegurar formas de que a pessoa verbalize sua comunicação de uma forma eficiente”, diz Flávia Guimarães.Mirianne Gomes lembra que, em alguns municípios, já é obrigatório o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). “Essa obrigatoriedade é um avanço importante para garantir a socialização das pessoas que precisam ter uma linguagem própria. A LIBRAS permite que haja comunicação entre as formas de linguagem e evita a criação de um grupo fechado, em que só os surdos se comunicam entre si por sinais”, conclui a professora.Clínica-escola atende no bairro BethâniaUm grupo de pacientes carentes encontrou na clínica-escola da fonoaudiologia, no bairro Bethânia, o atendimento que dificilmente conseguiria recursos para pagar. A supervisora de estágio da Unipac e fonoaudióloga Mirianne Gomes explica que por mês são atendidas 134 pessoas. “Elas permanecem em tratamento o tempo necessário. Cada pessoa vem, no mínimo, uma vez por semana. O atendimento é feito por um profissional, enquanto estudantes apenas acompanham”.A supervisora conta que os pacientes chegam à clínica e passam por uma avaliação socioeconômica com a assistência social. “A clínica tem como objetivo atender a pessoas carentes e o tem feito gratuitamente, desde que foi aberta em maio de 2006. Então, só as pessoas que não têm condição de pagar um tratamento é que procuram a clínica-escola. A partir de janeiro, deve ser feita uma cobrança simbólica pelo atendimento”, explica a professora.Além da unidade no bairro Bethânia, a Unipac mantém também a Unidade II, na Unimed, no bairro Veneza I. O critério de atendimento prioriza as pessoas carentes e a maioria dos pacientes é indicada pela Secretaria Municipal de Saúde.Alex Ferreira
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