09 de dezembro, de 2007 | 00:00

Projeto com tendência faraônica

Engenheiro do Dnit diz que viaduto gigante na BR-381 foi um erro

Arquivo


Viaduto gigante só será concluído para evitar mais uma obra abandonada na BR-381
IPATINGA - Ao visitar Ipatinga esta semana, onde fez palestra para explicar o andamento do projeto de duplicação da BR-318 Norte, o engenheiro do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), Carlos Rogério Caldeira Lima, respondeu aos questionamentos sobre a viabilidade do viaduto em construção entre Antônio Dias e Nova Era. Por causa da grandiosidade, a obra chama a atenção de quem passa pelo trecho. O objetivo é interligar dois topos de montanhas e acabar com um traçado sinuoso da BR-381, com menos de um quilômetro, mas responsável pela maioria dos acidentes entre João Monlevade e Antônio Dias. Para eliminar esse ponto crítico, o viaduto terá pilares com até 150 metros de altura e a pista suspensa chega a quase 500 metros de extensão. O desvio deve ser concluído no segundo semestre de 2008. O problema é que o empreendimento recebe críticas de engenheiros. É apontada como “faraônica” e com custos muito elevados. Embora não tenha apresentado os valores que a obra vai custar aos cofres públicos, o engenheiro do Dnit não economizou palavras quando questionado sobre a sua viabilidade. Segundo Carlos Rogério, os estudos por ele coordenados apontam que não foi adotada a opção técnica mais viável para a travessia do Córrego Prainha. “No entanto, quando os estudos detectaram esse fato, nós já tínhamos parte do projeto implementado. Por uma decisão de governo, mas inspirada em sugestões pessoais minhas, de que não seria lógico desperdiçar dinheiro público no montante do que já havia sido aplicado ali, incorporamos aquela obra dentro do planejamento que prevê a duplicação daquele segmento, mesmo sabendo que não era a melhor solução técnica. O que isso quer dizer? O empreendimento teria um desempenho econômico melhor se buscasse outra alternativa. Mas a obra já tinha começado, então vamos concluí-la”, afirmou o engenheiro.DuplicaçãoNa palestra feita semana passada a empresários e representantes de variados segmentos sociais do Vale do Aço, o engenheiro lembrou que somente 2/3 da estrada serão duplicados. No restante vai ocorrer o que chamou de “melhoria” viária, com eliminação de curvas e ampliação de pontes. O projeto da 381-Norte tem assegurado no Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal, um orçamento de R$ 1,6 bilhão. A obra tem prazo para ser concluída: 2012. Para garantir pelo menos uma aproximação desse prazo, será “loteada” em diversos trechos. A previsão é que as licitações sejam abertas em 2008 e as obras comecem efetivamente em 2009.
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