11 de dezembro, de 2007 | 00:00
Riqueza histórica e natural
Estudos históricos e exploração do potencial turístico mobilizam localidade do Achado, região pouco conhecida
Fotos: Fernando Lara
“Seu” Levino: “a agricultura deixou de ser a única fonte de emprego no Achado”
SANTANA DO PARAÍSO - Cinco horas. Este era o tempo que um morador da comunidade do Achado gastava para chegar até Ipatinga, logo que o município começou a receber os primeiros trabalhadores da Usiminas, em meados de 1960. O trajeto era feito a cavalo e geralmente usado para levar hortifrutigranjeiros à cidade que começava a nascer. Saíamos às duas da manhã e passávamos pelo Tribuna. Chegávamos junto com os primeiros raios de sol”, conta Levino Gonçalves de Almeida, de 81 anos, um dos primeiros fazendeiros do povoado localizado na Serra dos Cocais. Pertencente a Santana do Paraíso, a área foi dividida em duas comunidades: Achado de Baixo e Achado de Cima. Esta última subdivisão também é conhecida como Achado dos Pretos”, em alusão à comunidade negra que habita um dos pontos de altitude mais elevada da região. Nascido e criado no Achado do Meio, em um sítio próximo à entrada para o conhecido bar da Fizica, Levino Almeida conta que os seus pais também são naturais do povoado. No entanto, o fazendeiro aposentado não sabe dizer as origens do lugar. Mas, de acordo com suas memórias mais remotas, a comunidade negra do Achado sempre existiu. O Achado dos Pretos provavelmente surgiu a partir das pessoas que vieram para trabalhar na lavoura. O Achado era uma das fontes de abastecimento de Paraíso, Fabriciano e Ipatinga”, afirma seu” Levino, informando que suas terras produziam banana, laranja, milho, feijão e inhame. A propriedade também possuía um engenho de cana, que acabou sendo desativado e demolido. Tive 11 filhos. Com o tempo, a maioria deles passou a se desinteressar pelo trabalho na roça. A chegada da Cenibra mudou a mentalidade das novas gerações, que vislumbravam melhores perspectivas trabalhando com o cultivo do eucalipto”, recorda.
Levantamentos vão apurar a formação do povoado
Escambo No Vale do Aço não se tem notícia de nenhum estudo aprofundado sobre a história do Achado. No entanto, através da iniciativa de professores do curso de História do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste-MG), a formação do povoado tende a ser apurada com detalhes muito em breve. A professora Cláudia Márcia Coutinho Dias será responsável por resgatar as tradições, costumes e cultura dos moradores. Em visitas ao Achado de Cima, Cláudia Dias notou características de uma comunidade quilombola. Nós percebemos, no entanto, que a maioria dos moradores daquela localidade não assume esta condição. O nosso trabalho pretende investigar se realmente existiu um quilombo naquela região, mas provavelmente a compreensão dos moradores mais antigos será lenta. As crianças e adolescentes terão um papel imprescindível para conscientizar os mais velhos”, adianta a professora, que já desenvolveu um projeto semelhante em outras comunidades.Atualmente, o Achado reúne cerca de 250 moradores. Diferentemente do passado, quando as atividades agrícolas eram a principal fonte de renda dos moradores, a maioria se ocupa de empregos em Santana do Paraíso e Ipatinga. O lugar também deixou de ser a fonte de abastecimento destes municípios. Passamos a comprar em armazéns e supermercados do Centro de Paraíso. É uma coisa interessante isso, porque no passado o povo da Serra fornecia boa parte da alimentação da cidade”, ressalta seu” Levino.O ex-fazendeiro vivenciou uma época em que o trabalho na lavoura era pago com sacas de arroz, feijão e outros suprimentos. Uma época em que a comunidade negra, principal mão-de-obra das lavouras, prefere esquecer.Roberto Sôlha
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