12 de dezembro, de 2007 | 00:00
Região concentra R$ 12,67 bi do PIB
Parceria entre o público e o privado leva à inauguração do Senai
IPATINGA - Com capacidade de capacitar 4.000 profissionais por ano, foi inaugurado ontem à tarde o Centro Integrado Sesi/Senai Rinaldo Campos Soares. Para garantir o funcionamento da unidade foram investidos cerca de R$ 3,7 milhões. Além de ceder o imóvel por 15 anos, o município de Ipatinga investiu R$ 1,7 milhões nas adaptações necessárias à infra-estrutura. Também assumiu os gastos de conservação, vigilância, manutenção e contas de energia elétrica e de água. Com as adaptações, o imóvel passou a contar com 3.335,28 metros quadrados de área construída. A escola possui 12 laboratórios, 12 salas de aula, espaços multimeios e biblioteca. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) investiu mais R$ 2 milhões em maquinário, mobiliário e no aparelhamento do prédio, a antiga Escola Municipal Presidente Vargas. Da inauguração ontem a tarde participaram o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando de Queiroz Monteiro Neto; o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade; o presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares; o presidente da Fiemg Regional Vale do Aço, Luciano José de Araújo; o prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão (PMDB); vereadores, deputados e representantes da indústria e comércio regionais.A unidade do Senai começa a funcionar efetivamente a partir de fevereiro de 2008 com oito cursos, sendo seis de aprendizagem industrial, gratuitos para jovens entre 16 e 24 anos, e dois técnicos. O resultado do processo seletivo para as 245 vagas abertas saiu ontem. Os cursos iniciais são: confecção industrial; construção civil; instalação elétrica industrial; instalação elétrica predial; mecânica geral; panificação industrial; técnico mecânico e eletrotécnico. A proposta do Senai, afirma o presidente da Fiemg, Robson Braga, é atender a população de 30 municípios da Regional Vale do Aço da Fiemg, que reúnem 876 mil habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,76 bilhões. É um investimento muito importante, que contou com participação da Prefeitura de Ipatinga. Queremos mostrar que, em Minas, sabemos criar parcerias entre o setor público e o setor privado, para que o Estado possa ser beneficiado e seus cidadãos”, diz o dirigente. Preparação para expandirQuestionado sobre a necessidade da preparação regional para enfrentar as variadas demandas, além da mão-de-obra qualificada para a expansão da Usiminas, prevista para o ano que vem, o presidente da empresa, Rinaldo Campos Soares, afirmou que a região tem demonstrado ao longo do tempo a sua capacidade de se adequar. Lançamos esse plano que já está em implantação e imediatamente os poderes constituídos da cidade somam forças para se adequar. Essa inauguração aqui do Senai é um grande exemplo disso”, afirmou Rinaldo. Mesmo com a inauguração do Senai em Ipatinga, o presidente da Usiminas confirma que a empresa manterá a parceria com a Fiemg para o Centro de Treinamento de Pessoal já existente. Nós só trabalhamos com o inexperiente. Nós admitimos o trabalhador com 16 anos, ele passa pelo nosso centro de formação de acordo com nossas necessidades e depois que atinge os 18 anos entra na empresa. Utilizamos muito a qualificação da família. Então, 70% dos que estão no nosso centro, ou têm um irmão, um pai, avô na empresa. É uma característica peculiar da Usiminas, diferente de todas as indústrias do Brasil”, compara. Também questionado sobre a necessidade de preparação de Ipatinga para enfrentar o período de expansão da Usiminas, o prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão (PMDB), afirmou que o governo faz um trabalho preparatório para acompanhar as demandas que eventualmente surgirem para o serviço público em todos os níveis. Inclusive na área de urbanização, na área de transporte. Em todo segmento o governo está atento. Sabemos que vamos ter problemas, mas sabemos da capacidade para geri-los”. Entre as propostas já sugeridas para reduzir os impactos da demanda que pode surgir no trânsito e na segurança pública, a administração municipal pode criar uma guarda municipal e agentes de trânsito.[imagem4323] Dificuldades para o Brasil sem a CPMFRuim com ela, pior sem ela. A polêmica sobre a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira virou assunto na inauguração da unidade do Senai em Ipatinga ontem à tarde. Questionado sobre o assunto, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado federal Armando de Queiroz Monteiro Neto (PTB-PE), afirmou que há muito deveria ter sido iniciada a negociação para que houvesse uma redução gradual da CPMF. Não se pode promover um corte abrupto de um sistema tributário. Não há regime tributário que possa mudar da noite para o dia sem efeitos nocivos. Lamentavelmente, o processo de condução política do governo a respeito da CPMF não permitiu negociação e adoção dessa forma gradualista. Evidentemente que estamos diante de uma situação de risco. Ou a CPMF é derrotada no Congresso Nacional e o país assume as conseqüências que dali decorrem ou então a CPMF é prorrogada por essa alíquota cheia, o que para mim também é algo que não é desejável”, avalia. O presidente da CNI acrescentou que os riscos são grandes porque o Brasil já enfrenta um ajuste fiscal frágil. Armando Queiroz defende que se aproveite o momento de crescimento econômico, que proporciona aumento na arrecadação em valores reais, para promover a desoneração gradual da CPMF. Entre os riscos citados por Queiroz está a possibilidade de um efeito dominó. Se a CPMF for eliminada em um só golpe, o nosso superávit primário será reduzido e o Brasil terá um déficit nominal maior nas contas públicas e aí vêm as conseqüências: o risco- país pode voltar a subir e o Brasil retornar ao quadro de queda em investimentos”, prevê. Mas o presidente da CNI afirma que é preciso ver também o que o governo fará no dia seguinte. Armando Queiroz acredita que o governo pode partir para a criação de novos tributos, aumento de encargos ou então apelar para uma política de corte de gastos. Só esperamos que eventuais cortes não venham atingir necessidades essenciais do Estado hoje”, conclui.
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