20 de dezembro, de 2007 | 00:00
Empresários contestam duplicação
Projeto do Dnit sobre BR-381 Norte é rotulado como defasado”
IPATINGA - Durante quase cinco décadas, o empresário Maurício Guerra acompanha esforços e promessas para a sonhada duplicação da BR-381. Nascido em Nova Era, Guerra mora em Ipatinga há 47 anos e, naturalmente, ficou satisfeito ao saber que as esperadas obras já têm data para começar. No último dia 4, o empresário participou de uma reunião organizada pela Associação Comercial de Ipatinga (Aciapi), em evento que também contou com a participação de outras entidades, mas não ficou satisfeito com o que ouviu.Na ocasião, o coordenador de Projetos da BR-381, o engenheiro do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Carlos Rogério Caldeira de Lima, explicou detalhes da duplicação da BR-381 Norte. A palestra, ocorrida no auditório do Hotel Panorama, serviu para acirrar o descontentamento na classe empresarial. Na platéia, composta em sua maioria por comerciantes tradicionais do município, a avaliação do projeto foi negativa, por ficar muito aquém das expectativas acumuladas ao longo de tantos anos. Na ocasião, o engenheiro do Dnit explicou que o projeto está em na fase de estudos e, acrescentando que a duplicação não irá contemplar todo o trecho que liga Belo Horizonte a Governador Valadares. Não é o avanço que esperávamos”, queixa-se Maurício Guerra. Na reunião com os empresários, o engenheiro explicou que o cronograma prevê para ainda este ano a liberação das licenças ambientais. No começo do ano que vem, deve ficar pronto o projeto técnico. Ainda em 2008, serão lançados editais para contratar as empreiteiras que vão tocar as obras divididas em lotes entre Belo Horizonte e Governador Valadares. As obras devem começar efetivamente a partir de 2009, a um custo estimado em torno de R$ 1,6 bilhão. Desse montante, R$ 700 milhões serão destinados à construção do anel rodoviário de Belo Horizonte. O restante seria utilizado na duplicação de cerca de 50 quilômetros da rodovia. É uma espécie de colcha de retalhos. Esperamos que a sociedade civil acompanhe de perto esse projeto e se envolva numa discussão para exigir uma duplicação mais abrangente”, conclama o comerciante Helvécio Thomaz Martins, que também saiu insatisfeito do encontro com o representante do Dnit. Para dar o exemplo de participação nessa campanha, no dia 14 de fevereiro Martins vai comparecer a uma audiência pública convocada para Governador Valadares, a fim de continuar acompanhando a tramitação do projeto. Ele acredita que o descontentamento da comunidade valadarense também vai ser muito forte, tendo em vista que o projeto exposto em Ipatinga só prevê intervenções até o município de Periquito.Mobilização para cobrar atualizaçãoConforme o empresário Maurício Guerra, que presidiu a Aciapi em 1981 e 1982, as principais mudanças do projeto representam intervenções isoladas. O raio das curvas seria aumentado e os pontos críticos da pista seriam duplicados. Nos moldes como está, o projeto coloca em risco o desenvolvimento do Vale do Aço. A expansão das nossas usinas, por exemplo, necessita de vias preparadas para um tráfego elevado de veículos. Apenas 50 quilômetros duplicados não serão suficientes para atender a demanda”, acredita o empresário. Na avaliação de Maurício Guerra, a vitória do presidente da Aciapi e secretário Municipal de Desenvolvimento, Wander Luís Silva, para exercer o comando da Federação das Associações Comerciais, Industriais, Agropecuárias e de Serviços do Estado de Minas Gerais (Federaminas), representa um trunfo importante para pressionar o Dnit no sentido de revisar o projeto. Sem dúvida, ganhamos mais uma voz importante para argumentar e articular forças no sentido de reivindicar melhores condições para a região junto ao Dnit”, completou Maurício Guerra. Após a reunião com o Dnit, os empresários entenderam que o projeto não terá vida útil em longo prazo. Levando-se em consideração que o volume médio de circulação diária na estrada varia entre 15 mil a 40 mil veículos, as melhorias conseqüentemente iriam suportar um fluxo maior de carros. Resta saber se a rodovia irá suportar esse crescimento no fluxo. Essas melhorias seriam sentidas caso fossem implementadas de imediato, e não daqui a dois anos, como está previsto. Pelo anteprojeto, percebe-se que as obras ficariam obsoletas rapidamente e não teriam a anunciada vida útil de 20 anos, conforme vem sendo divulgado”, finaliza o empresário do setor imobiliário, José de Oliveira Silva, também presente ao encontro.
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