09 de janeiro, de 2008 | 00:00
Concessionária cede a pressões
Catracas voltam a funcionar na parte traseira dos ônibus em Ipatinga
IPATINGA O protesto que veio das ruas deu resultados. O transporte coletivo em Ipatinga volta a operar com as catracas na parte traseira dos veículos, com livre acesso para idosos, portadores de deficiência e outros usuários gratuitos do serviço. A informação foi anunciada oficialmente na tarde passada durante entrevista do prefeito Sebastião Quintão (PMDB), que estava acompanhado de secretários e assessores. Em vigor desde domingo, gerou protestos a decisão de mudar a entrada dos passageiros para a porta da frente, com a instalação da catraca perto do motorista e a reserva de cinco vagas em cada veículo para idosos, deficientes e outros usuários que não pagam. O resultado da manifestação dos usuários forçou a empresa concessionária do serviço, Autotrans, a liberar o acesso ao interior dos ônibus pelos idosos, ainda na manhã de ontem. Quem embarcou cedo, já pôde observar a mudança. A medida foi decidida na noite de segunda-feira, durante reunião entre técnicos da empresa e da administração municipal.Durante a entrevista ontem, o prefeito Sebastião Quintão disse que a direção da concessionária admitiu ter errado na implementação da mudança em um momento crítico, que é a data de pagamento dos aposentados e pensionistas, quando aumenta o fluxo de idosos e outros beneficiários dos bairros para o centro da cidade. A empresa poderia fazer essa mudança. Não houve qualquer ato ilegal nisso. O problema foi a forma como essa alteração foi implementada, que trouxe prejuízos para a população”. Suspensão A assistente da Autotrans em Ipatinga, Ezira Azevedo, lembra que foi apenas suspensa, e não cancelada, a mudança da catraca nos coletivos, pois a empresa mantém o projeto de implantar a bilhetagem eletrônica no transporte coletivo urbano ainda no primeiro semestre deste ano. A mudança do local de entrada faz parte desse projeto da bilhetagem eletrônica. Em reunião com o poder concedente, explicamos que essa parte da mudança foi feita com base em pesquisas que apontam vantagens do novo sistema em cidades onde ele já funciona. A entrada pela porta da frente reduz o risco de acidentes com as pessoas que vão descer dos ônibus e diminui até o risco dos assaltos. É como já acontece, por exemplo, em Belo Horizonte, mas não entendemos por que em Ipatinga a mudança foi recebida com essa reação negativa pelo usuário do transporte coletivo”. Ontem à tarde, durante entrevista à imprensa, no entanto, o secretário de Assistência Social, Paulo Sérgio Julião, afirmou que a mudança para a bilhetagem eletrônica, no futuro, vai depender de ações gradativas, sem que haja transtornos para os usuários. Ficou definida a formação de uma comissão, com representantes dos conselhos, de Transporte, Assistência Social, Idoso e do Deficiente, para acompanhar as mudanças antes que elas ocorram”, disse. Até que seja acertada a migração completa para o sistema de bilhetagem eletrônica, a entrada nos ônibus urbanos em Ipatinga volta a ocorrer pela porta de trás. A expectativa da Autotrans é que até sábado todos os 117 ônibus da frota usada no município já tenham os equipamentos de volta na parte traseira dos coletivos. Nos veículos em que a mudança não foi revertida, a entrada será provisoriamente pela frente. Os idosos e deficientes, no entanto, não ficarão mais concentrados nos cinco lugares perto do motorista. Assim que as vagas estiverem ocupadas, terão acesso ao interior do veículo. Para isso, como acontecia anteriormente, terão que entregar a carteira de identificação ao trocador. EstatísticaFalta consenso entre órgãos públicos e privados sobre o número de usuários gratuitos do serviço de transporte urbano. Para o governo municipal, atualmente duas mil pessoas com deficiência física estão liberadas para usar o serviço gratuitamente. Já os idosos são calculados em 17 mil. Em Ipatinga, o acesso gratuito ao transporte urbano é assegurado para toda pessoa acima de 60 anos. Representantes mobilizados O presidente da Associação dos Deficientes de Ipatinga (Adefi), Norberto Vieira, disse ontem à tarde que lamenta a falta de discussão prévia da polêmica mudança. Ficamos sabendo que a mudança ocorreria por meio dos jornais. Não houve tempo para avaliar que poderia dar errado. O que fizemos foi acionar o poder público na segunda-feira e pedir providências”, disse. No entendimento do dirigente da Adefi, o mais importante é que a crise abriu a oportunidade para discussões. Presidente do Conselho do Idoso, Cláudia Castro disse que o órgão teve que agir rápido porque as reclamações chegaram em grande quantidade na segunda-feira. Foram muitas denúncias pela manhã e começo da tarde. A confirmação de reversão da mudança nos atende agora porque assegura o acesso do idoso. Dessa estimativa de 17 mil pessoas com mais de 60 anos, acreditamos que umas 10 mil utilizem o transporte urbano gratuito”, conclui. Morador do bairro Limoeiro, José Rodrigues do Nascimento, portador de deficiência física, gostou de saber que não terá novamente dificuldades para embarcar. Na segunda-feira saí de casa às 8h e, para conseguir pegar o ônibus, era mais de 11h. Essa mudança não atendeu a nossa necessidade porque não foi pensada na nossa dificuldade. O resultado foi a reação do usuário e tudo novamente na estaca zero”, disse Rodrigues. Alex Ferreira
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