17 de janeiro, de 2008 | 00:00
Impasse à espera de solução
Vizinhança incomodada pede remoção de morador de rua no bairro Caravelas
Alex Ferreira
Morador de rua se recusa a desocupar área no Caravelas e critica quem pede sua remoção
IPATINGA Moradores do Residencial Atlanta, no bairro Caravelas, protestam contra os incômodos provocados por um vizinho que ganharam recentemente. As que mais reclamam são as famílias que moram nos apartamentos vizinhos ao muro, na divisa com a BR-381. A polêmica começou há cinco meses, aproximadamente, quando um morador de rua decidiu acampar” às margens da rodovia. O assunto foi tratado em reunião do condomínio esta semana e o protesto foi geral, informam os moradores, que decidiram chamar a reportagem para denunciar, mais uma vez, a falta de ação para acabar com o incômodo.Dono de um dos apartamentos de frente para a residência improvisada, José Machado Ribeiro afirma que a situação é crítica. Além dos outros problemas, como o acúmulo de sujeira, ainda há os cães. Fui lá reclamar com o morador sobre o barulho que os cachorros fazem à noite e ele apenas disse que os cães são para a sua segurança”. Outra moradora do condomínio, Mara Lúcia, conta que a fixação da residência pelo morador de rua, além de acabar com a privacidade de seu quarto de dormir, cuja janela abre-se para a margem da rodovia, antes coberta por árvores, há também o mau cheiro provocado pela falta de esgoto no local. As necessidades fisiológicas são jogadas no muro, bem embaixo da janela”, reclama.
Alex Ferreira
Visual de um dos apartamentos desagrada os proprietários no Residencial Atlanta
O morador de outro apartamento, José Geraldo Matos, afirma que já procurou o governo municipal para pedir providências para a remoção do morador, mas a reclamação foi em vão. Enquanto isso a moradia, antes improvisada com papelão, foi ampliada com materiais mais robustos. Eu já mantive contato por várias vezes com o secretário de Ação Social (Paulo Sérgio Julião, Zinho), que prometeu uma solução que até agora não chegou. Eu duvido que o prefeito (Sebastião Quintão) saiba de uma situação dessas, porque não é possível um incômodo tão grande para 500 famílias desse condomínio e nenhuma ação do governo para resolvê-la”, dispara José Geraldo.Caso em estudoNa Secretaria de Ação Social em Ipatinga o caso do morador de rua às margens da BR-381 continua em estudo”. Ocupado com uma reunião na tarde passada, o secretário de Ação Social, Paulo Sérgio Julião, indicou duas técnicas para dar as informações sobre o que faz o governo. Quem recebeu a reportagem foram a diretora do Departamento de Proteção Básica, Eliana Dias Gusmão Pacheco, e a coordenadora do Centro de Referência da Ação Social, Isabela de Bragança. Elas explicam que o caso do morador está em análise desde 14 de novembro de 2007, quando houve a primeira reclamação dos moradores do Condomínio Atlanta. Desde então, equipe formada por assistente social, psicólogo e técnicos da Defesa Civil já esteve no local. Relatório elaborado a partir das visitas mostra que o morador está em área de risco, de propriedade do Departamento Nacional de Infra- Estrutura de Transportes (Dnit), e precisa ser removido. Mas a ação de governo depende de o morador querer ser ajudado. Ele se recusa a ir para o albergue municipal ou para uma casa alugada. Não possui documentos pessoais, alega ter perdido contato com os familiares. Dessa forma, estudamos o que o município pode fazer para resolver esse impasse. Os moradores do Residencial têm razão, ele não pode continuar lá”, explica Eliana Dias.Quem é o moradorO morador vizinho do Residencial Atlanta, no Caravelas, é Ronaldo Barbosa Lacerda, 43 anos. Ele já recebeu a reportagem nervoso. Inicialmente, falando sem parar, Ronaldo fica arredio à presença da reportagem, por entender logo que se tratava da reclamação dos moradores ao lado. Aos poucos, aceita falar sobre o assunto, diante da promessa de que será publicada a sua versão da história.Ronaldo afirma que a área era um terreno abandonado pelo Dnit e que ele se sente no direito de ocupá-la para morar. Nega veementemente que seus quatro cães causem incômodos à vizinhança e ainda complementa: Não admito a acusação. Eles são animais domésticos e não animais silvestres”. Também afirma que não há outro lugar para morar e se recusa a ir para o albergue municipal. Faz uma série de críticas aos vizinhos que pedem sua saída do local e reforça que, para o albergue municipal, não vai. Lá está uma zona pior do que minha moradia aqui na beira da BR”, afirma. Em breve relato de sua vida, Ronaldo afirma que nasceu em Coronel Fabriciano, mas há 38 anos mora em Ipatinga, onde perdeu pai e mãe. Tinha uma casa, mas a herança dividida entre oito irmãos foi pulverizada e há muitos anos vivo na rua”, alega. Para sobreviver, Ronaldo diz fazer pequenos reparos e bicos que o mantêm vivo.Alex Ferreira
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor:
[email protected]