03 de fevereiro, de 2008 | 00:00

Previsão de chuva reforça vigilância

Abertura de comportas e regularidade de chuvas deixa Defesa Civil em alerta. Estiagem e sol forte não geram expectativa

Arquivo/DA


Áreas de encostas têm recebido atenção especial nas vistorias rotineiras
FABRICIANO – As fortes chuvas que caíram no Vale do Aço de terça-feira até anteontem serviram com um teste real e deixaram a Defesa Civil de Coronel Fabriciano em alerta. A palavra de ordem no município é monitoramento, e as vistorias em áreas de risco têm sido rotineiras. Até a sexta-feira, o órgão havia atendido a 15 chamadas de moradores, registrando apenas uma ocorrência de destaque. No bairro Santa Rita, a queda de um poste da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) destruiu a garagem de uma residência.Conforme o coordenador da Defesa Civil em Fabriciano, Irnac Valadares, é importante que os moradores de áreas críticas fiquem atentos. “Há previsão de mais chuva para os próximos dias. A população que mora próximo ao rio Piracicaba também deve redobrar a vigilância, observando o volume de água e ficando longe das margens”, diz.O coordenador ressalta que a abertura das comportas da Usina Hidrelétrica Guilmam Amorim, cuja barragem fica em Nova Era, vai aumentar ainda mais o volume de água no rio Piracicaba. “É preciso que as pessoas tenham consciência e não fiquem perto das margens. Com maior quantidade de água aumenta também o perigo”, destaca. Valadares disse que, antes da abertura das comportas, o volume medido estava em 430 metros cúbicos por segundo. A medição foi feita pela nova régua pluviométrica instalada na rua Tamoios, no distrito de Cachoeira do Vale, em Timóteo. “Estamos trabalhando em conjunto com a Defesa Civil de Timóteo e a medição feita por essa régua facilita o trabalho de monitoramento”, acrescenta.Irnac alerta os pescadores que insistem em trabalhar no Piracicaba nessa época do ano. “Bancos de areia em formação deixam o rio ainda mais perigoso”, frisa.PreocupaçãoSe muita gente ficou animada com o tempo firme na tarde de ontem, após três dias de chuvas quase ininterruptas, o sol forte foi visto com receio pelo coordenador da Defesa Civil em Fabriciano. “Na tarde de ontem, o mormaço característico reforçava a expectativa de chuvas ainda mais fortes. Geralmente, quando ocorre uma estiagem e o sol aparece em seguida, é sinal da formação de temporal. A previsão nos mostra que vai haver pelo menos mais cinco dias de instabilidade”, define Irnac Valadares.Devido a essa inconstância no tempo, foram suspensas algumas obras no município, como a execução da drenagem profunda na BR-381, no bairro Caladinho. “A situação está sob controle. Nossa equipe saiu às ruas para resolver alguns problemas, como desobstruir vias que foram invadidas por lama. Providenciamos caminhões e máquinas para a limpeza. Felizmente, as obras de reestruturação realizadas pela administração, como muros de arrimo e drenagens, já mostram resultados positivos. Muitos pontos da cidade, antes muito vulneráveis, por enquanto estão livres de danos”, afirma o secretário de Obras e Serviços Urbanos, Galba Gomes.Terreno arenoso e ocupação irregularCoronel Fabriciano, além da topografia acidentada, ainda sofre os reflexos da ocupação desordenada e irregular ao longo dos anos. Como o terreno é  bastante arenoso e pedregoso, e a drenagem insuficiente, os riscos em período de chuvas sempre aumentam. “Os meses de novembro, dezembro e praticamente janeiro foram marcados por seca prolongada. Esse panorama ocorreu em 1979, 86, 97 e em 2005. E todos sabem que, depois de um período de calmaria, as chuvas chagaram pra valer e o resultado do que aconteceu nesses anos todo mundo sabe”, recorda.Irnac Valadares lembra que um outro agravante é a falta de consciência da população. Nas vistorias realizadas nas regiões ribeirinhas, o coordenador da Defesa Civil disse que encontrou no rio e nas margens dos ribeirões, pneu velho, restos de bananeiras, toda espécie de lixo e até uma tampa de geladeira. “Gostaria de lembrar que houve um avanço na mentalidade das pessoas, mas ainda acontecem coisas que são um absurdo. É preciso que a população trabalhe junto com o município, preservando nossos recursos para que a natureza não reaja contra todos nós”, argumenta. Valadares destaca que, diante de qualquer sinal de perigo, o morador deve entrar em contato com a Defesa Civil pelo telefone 3846-7702. Ou ainda ligar para 3846-7016 (Corpo de Bombeiros) ou 190 (Polícia Militar).
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