07 de fevereiro, de 2008 | 00:00

Censo aponta redução no crescimento populacional

Cinco municípios do Vale do Aço terão queda no FPM

Roberto Bertozi


Conforme os dados oficiais do IBGE, em Fabriciano o crescimento da população foi pouco expressivo em sete anos: cerca de três mil habitantes
IPATINGA - Após a divulgação dos resultados preliminares do Censo 2007, várias prefeituras contestaram os critérios da pesquisa realizada pelo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Estado, 137 recursos administrativos foram enviados ao órgão, numa tentativa de evitar a queda de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), principal fonte de recursos para regiões não industrializadas. No Vale do Aço, cinco municípios - Antônio Dias, Jaguaraçu, Coronel Fabriciano, Mesquita e Periquito - pediram que o instituto revisasse a pesquisa. Em comum, estas cidades não apresentaram o crescimento populacional esperado, tendência também sentida em âmbito nacional, segundo informou o gerente regional do IBGE, João Braga. “Após o resultado parcial, divulgado em setembro, os municípios impetraram seus recursos administrativos. Por sua vez, o IBGE respondeu aos requerentes quais os critérios utilizados para a apuração dos dados. Em dezembro, quando foram divulgadas as informações definitivas, houve novas contestações, e o instituto novamente reiterou seus argumentos, detalhando que o IBGE utiliza normas e técnicas para evitar equívocos em suas pesquisas”, detalhou Braga.Conforme o gerente regional, as explicações foram convincentes, uma vez que as prefeituras que contestaram as informações decidiram não levar o caso à Justiça, ação que deveria ter sido protocolada no decorrer do mês de janeiro. “Eu acho natural que as prefeituras contestem as informações, uma vez que as administrações municipais trabalham em cima de números. O problema é contestar essas informações após a conclusão da pesquisa”, afirmou.Comissão João Braga explicou que uma Comissão Censitária Municipal é formada em todos os municípios onde o levantamento é realizado. Estas comissões são constituídas por representantes da sociedade civil e participam de reuniões com equipes do IBGE. “O intuito é que elas acompanhem todo o processo e as etapas dos levantamentos censitários. Ou seja, qualquer dúvida em relação aos critérios deve ser esclarecida por essas comissões, que inclusive podem ir a campo junto aos agentes censitários e ver de perto como as pesquisas são realizadas”, esclareceu.No entanto, de acordo com o gerente regional do IBGE, as comissões formadas no Vale do Aço só compareceram às reuniões, e mesmo assim com pouca participação dos integrantes. “A única exceção foi o município de Iapu, que acompanhou a apuração de perto e, justamente por isso, não questionou as informações. Para os próximos levantamentos, seria ideal que os grupos representantes das prefeituras de fato acompanhassem melhor as apurações e fizessem eventuais questionamentos quando as contagens estiverem sendo feitas em cada regional dos municípios”, orientou Braga.Nova pesquisaA próxima pesquisa censitária será realizada em 2010, de forma mais abrangente que o censo de 2007, que foi realizado somente em municípios de até 170 mil habitantes. No ano passado, o IBGE também foi responsável pelo censo agropecuário, que abrangeu todo o território nacional para traçar um painel mais apurado dos cerca de 5,6 milhões de estabelecimentos agropecuários de todos os municípios brasileiros. Conforme o gerente regional do IBGE, os resultados deste estudo ainda não foram concluídos no Vale do Aço por causa de dificuldade de localizar parte dos agricultores da região.
Arquivo/DA


João Braga, do IBGE: pouca participação
IBGE: 30 mil pessoas da região vivem no exteriorConforme João Braga, gerente regional do IBGE, o crescimento populacional do Vale do Aço não acompanhou a média das últimas décadas em função de vários fatores socioeconômicos. Conforme as pesquisas realizadas em 2007, o instituto calcula que cerca de 30 mil pessoas nascidas na região estão morando atualmente no exterior.Em Fabriciano, um dos municípios que pediu revisão das informações, o crescimento apresentou pouca expressividade em comparação ao Censo de 2000. Naquele ano, o município contava com 97.412 habitantes e passou para 100.867 em 2007, ou seja, pouco mais de três mil em um período de sete anos. “Além do movimento migratório, notamos que o número de habitantes por residência vem diminuindo e logicamente não acompanha a proporção de crescimento do mercado”, concluiu Braga.Roberto Sôlha
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