10 de fevereiro, de 2008 | 00:00

Fé para superar dificuldade

Empresário que teve a esposa assassinada busca força nos amigos

Álbum de Família


Simoni completaria 35 anos no dia 14 de março
IPATINGA - O empresário Adalton Toledo de Lima, 37 anos, vai buscar “na fé em Deus e nos amigos” a força para levar a vida adiante. Adalton era marido de Simoni Rodrigues Silva Toledo, assassinada com um tiro disparado por um ex-empregado na porta da residência do casal, quando ela chegava de carro na rua Guajás, bairro Jardim Panorama, na quarta-feira à noite. A empresária faria 35 anos no dia 14 de março. Ainda sob o impacto da tragédia que se abateu sobre a família, o empresário se divide entre confortar os dois filhos, Gabriel Augusto, 5 anos, e Gustavo Henrique, de 7, enquanto cuida dos negócios no supermercado Odelot, também localizado no Jardim Panorama. Adalton e Simoni, depois de trabalharem por quatro anos nos Estados Unidos, quando voltaram a Ipatinga, em 1999, compraram uma mercearia de propriedade do tio dele. Os negócios progrediram e, nove anos depois, o supermercado conquistou abrangência e credibilidade. Foi justamente por observar a movimentação no estabelecimento que o jovem Leonardo Augusto de Souza, de 20 anos, ex-empregado do supermercado, decidiu assaltar Simoni, que levava para casa parte do dinheiro das vendas. Deu errado. Na hora do assalto, disparou um tiro que matou a empresária ainda dentro do carro. Com o apoio de um comparsa ainda procurado, Leonardo fugiu do local sem levar nada e foi preso em flagrante, no Parque Ipanema. O empresário conta que, na sexta-feira, primeiro dia após o sepultamento, acordou, levantou-se da cama, vestiu a roupa e o que mais queria era trabalhar. “Essa força que eu tenho para trabalhar, e que as pessoas têm observado, é um sinal de que Deus está comigo e é necessário que eu passe por esse momento de dor”, diz Adalton, que assim como Simoni fazia, participa das atividades da Igreja Projeto Ômega. Passados três dias do caso, o empresário Adalton Toledo de Lima recebeu ontem a reportagem do DIÁRIO DO AÇO, no escritório do seu supermercado, para uma entrevista. “Sem dúvida, este é o pior momento da minha vida”, disse no início do seu desabafo, marcado por freqüentes referências religiosas, buscando forças para superar o momento de dificuldade.
Alex Ferreira


Adalton: “Simoni sempre falava em voltar para os EUA por causa da falta de segurança no Brasil”
“A maior justiça é a que vem do céu”DIÁRIO DO AÇO: Como tem enfrentado tudo isso?Adalton: Tenho para dizer aos amigos, pessoas que sofrem juntas nesse momento de dor da família, que atinge também funcionários e colaboradores, que são momentos difíceis, superados aos poucos com o amor e o carinho das pessoas. Isso nos faz encontrar forças para poder continuar nossa caminhada. A Simoni vai fazer muita falta para mim, sua ausência será sentida por toda a vida e por todos nós. Mas fica a certeza que tive o privilégio de conviver com uma grande mulher. Uma esposa amada, uma mãe dedicada. Gostaria de deixar o meu muito obrigado a todos que têm chorado conosco.DA: A solidariedade conta muito...Adalton: O carinho que as pessoas têm dado, os abraços, encorajam para que eu levante a cabeça e continue a fazer o que a Simoni mais queria: o trabalho. De cada abraço que recebo, tiro forças para continuar. Gostaria de agradecer também à Polícia Militar, na pessoa do tenente-coronel Siqueira e não posso deixar de citar o major Edvânio, que é meu vizinho e tem me apoiado. DA: Sobre o que foi apurado até agora. Considera o caso esclarecido?Adalton: A polícia tem feito um excelente trabalho. Agora, sei que as autoridades, promotores de justiça, etc., estão todos comovidos com esse caso e devem se empenhar ao máximo para que a justiça aqui da terra, de acordo com as leis da terra, seja feita. Mas quero te dizer que a maior justiça vem do céu. O que espero é a justiça divina. DA: E em relação ao Luciano?Adalton: Em relação àquele rapaz e todos os outros que estavam com ele, planejando isso, é que, assim como Jesus teve misericórdia daquele ladrão na cruz, eu peço a Deus que tenha misericórdia da vida deles. Gostaria de fazer menção do livro de Jó: “O Senhor deu e o Senhor levou, o Senhor deu e o Senhor tomou. Bendito seja o nome do Senhor”. DA: E os dois filhos?Adalton:O Gustavo Henrique tem 7 anos e o Gabriel Augusto, 5. As crianças têm sofrido bastante, mas Deus as tem confortado também. DA: E essa questão da insegurança?Adalton: Olha, a Simoni e eu moramos nos Estados Unidos quatro anos e o que sempre a preocupou aqui no Brasil foi a questão da segurança. Ela às vezes comentava comigo que seria bom se voltássemos a viver nos EUA, justamente em nome da tranqüilidade. A questão da segurança é intensamente debatida na imprensa, mas a gente não vê o empenho dos políticos para resolver isso. DA: É uma situação complexa.Adalton: Mas fica pior se a gente não tiver o empenho dos políticos na educação, no lazer, para que as pessoas possam ter oportunidades na vida, mas acredito que não é só oportunidade. A falta de oportunidade não justifica que alguém vire bandido. Agora, deixo o alerta aos amigos que também são empresários. Nós nunca acreditávamos que fosse acontecer algo tão terrível com a gente. Mas ficou patente que precisamos nos prevenir mais, ficar mais atentos a essa questão, nos resguardarmos, infelizmente é assim. Ou você não tem nada ou tem alguma coisa e precisa viver preocupado.Alex Ferreira
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