13 de fevereiro, de 2008 | 00:00
Proteção e exportação
Usiminas investe na auto-suficiência mineral
Divulgação
Com as minas, o Sistema Usiminas alcança a auto-suficiência em minério e também o mercado de exportação
IPATINGA - O Sistema Usiminas investirá US$ 750 milhões na produção de minério de ferro. O pacote de investimentos acontecerá em dois estágios e prevê que em cinco anos a empresa não apenas alcance a auto-suficiência em minério, mas também entre no mercado internacional como exportadora.Este mês a Usiminas confirmou a aquisição de quatro minas da mineradora J. Mendes: Somisa, Global/Camargos, J. Mendes e Pau de Vinho, todas em Itaúna, na região Central. Este é o último ativo de minério de grande porte disponível no quadrilátero ferrífero, uma das maiores províncias minerais do Brasil.AbastecimentoO planejamento de produção criado para as quatro minas da J. Mendes prevê que até 2013 deverão ser extraídos 29 milhões de toneladas de minério por ano. A produção atual das minas é de 4,5 milhões, e a capacidade máxima no momento é de 6 milhões, volume que a Usiminas pretende atingir brevemente.O insumo produzido pelas minas será destinado ao abastecimento da Cosipa, em Cubatão (SP), que terá no mínimo 84% do consumo fornecido pela produção interna. A usina de Ipatinga não receberá o produto da J. Mendes e continuará sendo abastecida pela Vale, uma das acionistas da própria siderúrgica, por uma questão de logística. De acordo com o presidente do Sistema Usiminas, Rinaldo Campos Soares, será construído um ramal de 29 quilômetros até a linha da MRS, que tem participação da empresa, para abastecer a Cosipa.No entanto, conforme Soares, Ipatinga será igualmente beneficiada pela proteção contra as variações do preço do minério. O crescimento do Sistema Usiminas favorece diretamente todas as empresas do grupo”, garantiu Rinaldo Soares. O minério é um ativo de potencial elevado e vamos produzir numa época em que a demanda por insumos está em alta. Por isso é estratégico para a Usiminas a verticalização da produção, desde a extração até a entrega do aço. Além disso, o Brasil tem um custo muito competitivo para a produção de minério”, completou.ExpansãoCom a compra das quatro minas da J. Mendes, a Usiminas pretende alcançar a auto-suficiência de minério e exportar até 9 milhões de toneladas por ano num prazo de cinco anos. Hoje, para fabricar as 9 milhões de toneladas de aço anuais, as usinas de Ipatinga e Cubatão demandam 13,5 milhões de toneladas de minério de ferro. De acordo com o plano de expansão da siderúrgica, em 2013 a produção de aço deve alcançar 15 milhões de toneladas por ano, o que significará o consumo de aproximadamente 20 milhões de toneladas de minério. Tendo como meta a produção de 29 milhões de toneladas/ano, os outros 9 milhões de minério ficarão disponíveis para comercialização com clientes já existentes e no mercado internacional.O plano da Usiminas prevê a execução de uma sondagem de 65 mil metros (que deverá acontecer nos próximos 24 meses), com o objetivo de conhecer o tamanho exato da reserva e confirmar o teor de ferro do insumo. NegociaçãoA venda da J. Mendes começou a ser negociada em fevereiro do ano passado, mas só em outubro a Usiminas entrou firme na negociação. Em dezembro, assinou um termo de exclusividade, desbancando a BHP Billiton e a ArcelorMittal Inox Brasil. O pagamento inicial foi de US$ 925 milhões e desembolsos complementares poderão ser realizados até o máximo de US$ 1,9 bilhão, caso as reservas alcancem 1,4 bilhão de toneladas de minério nas quatro minas com teor de ferro médio de 47%. Se as reservas ultrapassarem este volume, nenhum pagamento adicional será feito.O desafio, nos próximos anos, será ampliar a produtividade da J. Mendes, garantindo ao Sistema Usiminas cada vez mais segurança e controle no abastecimento”, afirmou o presidente Rinaldo Soares.
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