21 de março, de 2008 | 00:00

Desabafo contra onda de assaltos

Drogarias sofrem com sucessivos roubos a mão armada em Ipatinga

Wôlmer Ezequiel


A Drogaria Itamarati é alvo de freqüentes assaltos a mão armada
IPATINGA – “O comerciante José Teixeira da Costa, de 45 anos, e o atendente Ednaldo Silva Morais, de 28, disseram que os dois assaltantes entraram na drogaria com toucas e armados com um revólver calibre 22. Eles roubaram de José um celular, 15 cartões telefônicos e R$ 140. De Ednaldo (cliente), um relógio de pulso e uma aliança de ouro. A dupla fugiu sem ser localizada pela polícia”. A notícia, divulgada no último dia 16 pelo DIÁRIO DO AÇO, é o retrato infeliz da onda de assaltos que tem ocorrido em diversas drogarias de Ipatinga. O crime narrado aconteceu na Drogaria Mineira, situada na avenida José Barcelos, bairro Vila Militar. Regis Ricardo, gerente do estabelecimento, diz que esta foi a quarta vez que a drogaria foi roubada em dois anos. O curioso é que foram dois assaltos em menos de duas semanas. Antes de ser assaltada pela última vez, na sexta-feira 14, funcionários do estabelecimento passaram pelo mesmo drama no último dia 5. “Todos os quatro assaltos que sofremos foram à mão armada. Todos aqui estão muitos assustados. Quando chega a noite, qualquer movimento suspeito é motivo de apreensão. Quando pára um motociclista em frente à drogaria e demora a tirar o capacete, já ficamos cismados”, comenta Regis Ricardo. As conseqüências psicológicas da onda de assaltos prejudicam também os clientes que freqüentam as drogarias, reconhece Gilmar Cardoso, gerente da Drogaria Itamarati, situada na rua Tóquio, bairro Bethânia. “Já fomos assaltados sete vezes. No penúltimo assalto tive um prejuízo de R$ 1.200. Mas também temos outros prejuízos. Nesse assalto, por exemplo, havia uma cliente no estabelecimento. Ela passou mal e quase desmaiou. Inclusive, há muitos clientes que se recusam a freqüentar a drogaria após as 19h”, Gilmar afirma que também já foi vítima de assaltos em um curto espaço de tempo. “Os dois últimos assaltos ocorreram dia 21 de dezembro e dia 10 de janeiro. Nesse meio tempo, outra loja da nossa rede, no bairro Vagalume, foi assaltada dia 26 de dezembro. O autor era menor e foi preso dias depois de roubar uma casa lotérica no Canaã”, lembra Gilmar Cardoso. MedidasA freqüência de assaltos a drogarias de Ipatinga tem obrigado os donos dos estabelecimentos a investir em segurança. “Tive de instalar quatro câmeras de segurança; inclusive no último assalto foi possível identificar a ação dos ladrões”, diz Regis Ricardo. O DIÁRIO DO AÇO teve acesso às imagens e tudo indica que os autores eram menores de idade. Regis não tem o que reclamar do policiamento. Segundo ele, é a ousadia dos assaltantes que cresceu. “O policiamento próximo à nossa drogaria não está ruim. Parece é que os ladrões perderam o medo”.Para Gilmar Cardoso, o grande problema enfrentado pela Drogaria Itamarati é a iluminação precária da rua Tóquio. “À noite, aqui fica tudo escuro. Já solicitamos melhoria na iluminação à Prefeitura, mas ainda não fomos atendidos. Quanto ao policiamento, ele fica mais intenso apenas no período em que ocorreu um assalto recente”, observa Gilmar, que cortou o recebimento de contas na drogaria após as 18h. “Tornou-se perigoso movimentar dinheiro em determinados horários”, adverte. Impunidade leva menores à prática de assaltosRecentemente, o tenente-coronel do 14º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Sebastião Pereira de Siqueira, reuniu-se com proprietários de padarias de Ipatinga para discutir medidas de segurança voltadas à inibição de assaltos aos seus estabelecimentos. “Em breve também vamos nos reunir com os donos de drogarias”, disse Siqueira, admitindo a freqüência de roubos a este segmento na cidade. Segundo Sebastião Siqueira, a maior parte dos assaltos está sendo cometida por menores, que agem motivados pelo senso de impunidade. “Adolescentes estão assaltando mais que adultos. Tudo porque em Ipatinga ainda não há um Centro de Internação de Menores, que há tempos vem sendo cobrado ao governo. Prendemos os menores, mas não temos onde colocá-los e em pouco tempo voltam às ruas. Portanto, o grande motor destes crimes é a impunidade”, diz o tenente-coronel. “Para se ter uma idéia, no final de 2007 havia 26 menores infratores detidos no Ceresp. Atualmente, só existem oito, já que os outros foram liberados”, lamenta. Siqueira revelou à reportagem que diariamente a PM vem efetuando a prisão de menores infratores. “A Polícia Militar vai continuar prendendo. Inclusive na quarta-feira, 19, durante operação, apreendemos, pela manhã, dois menores com armas de fogo e um deles confessou um assassinato. À tarde, prendemos outro menor infrator, acusado de oito assaltos a transeuntes”, disse o tenente-coronel Sebastião Pereira de Siqueira.Bruno Jackson
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