23 de março, de 2008 | 00:00
Precauções contra deportação
Agências tentam contornar transtornos e evitar que turistas sejam vistos como imigrantes ilegais na Europa
IPATINGA - Desde janeiro, a média de brasileiros barrados no aeroporto Barajas, em Madrid, foi multiplicada por dez. Segundo declarações do cônsul-geral brasileiro na capital espanhola, Gelson Fonseca, as denegações atingiram o auge neste mês, quando a Agência de Controle de Fronteiras Externas da União Européia (Frontex) deu início à operação Amazon II, realizada nos aeroportos de Madri, Barcelona, Lisboa, Roma, Milão, Frankfurt, Paris e Amsterdã. O cerco, que objetiva conter a imigração ilegal de sul-americanos para os países da União Européia (UE), passa a refletir na venda de passagens das agências da região. Antes das autoridades intensificarem as operações, Madrid era uma das rotas preferidas por imigrantes ilegais que desejavam entrar em Portugal, desembarcando em Lisboa. Conforme o agente de viagens Aleirton Soares Dias, após a operação Amazon II, pisar em território pertencente à UE corresponde às mesmas incertezas de se obter visto no Consulado dos Estados Unidos. O que as agências podem fazer para facilitar a entrada de seus clientes na Europa é fornecer o máximo de informações necessárias. Mesmo assim, o turista pode ser surpreendido por uma atitude mais severa das autoridades locais. Não dá para prever se isso vai acontecer, assim como não dá para prever se as pessoas terão o visto negado no consulado estadunidense”, compara. Na agência onde Aleirton trabalha, as vendas das passagens para a Espanha sofreram queda de 40%, em virtude do receio de os turistas serem deportados. Nos últimos anos, o controle de imigração endureceu muito a repressão no aeroporto de Lisboa, por onde a maioria dos brasileiros ilegais entrava. Com isso, a maioria passou a optar por vôos que fazem escala na Espanha para depois chegar a Portugal. Dessa maneira, os turistas que desejam visitar ambos os países estão sendo alvo de duras fiscalizações”, explica. Segundo ele, boa parte dos brasileiros deportados da UE são repatriados porque não conseguem ser convincentes sobre os motivos de sua estadia nos países. A falta de informação contribui para que os oficiais de imigração duvidem das razões da viagem. Os imigrantes podem ser submetidos a vários questionamentos, que precisam ser respondidos com convicção e clareza pelo turista. Em muitas agências, o cliente é informado de que a reserva de hotel é uma boa garantia, mas não é bem assim. Se a pessoa não tiver pagado pelo menos uma diária, não irá convencer o oficial de imigração de que ele está visitando o país a passeio”, explica Aleirton.Cuidados essenciaisPara fugir de transtornos e evitar ser visto como um imigrante ilegal, é necessário que os turistas tomem uma série de cuidados. Conforme Aleirton Dias, o Seguro de Assistência de Viagem é um documento imprescindível para provar as intenções do turista. Através dele, fica assegurado ao viajante assistência médica, repatriação sanitária, o envio de bagagens extraviadas e convalescença em hotel. O custo médio do seguro gira em torno de R$ 90. Além do seguro, também é aconselhável que os turistas levem dinheiro em espécie, calculando uma quantia que dê para sustentar os gastos de cada dia da viagem. Mesmo possuindo cartão de crédito internacional, o turista deve levar dinheiro, comprovando que tem condições de passear pelo país e está pronto para enfrentar qualquer imprevisto. Para uma viagem de 10 dias, o ideal é que se apresente uma reserva de mil euros”, finaliza o agente de viagens Aleirton Soares Dias.
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