28 de março, de 2008 | 00:00
Repetentes complicam planejamento
Material regrado” prejudica alunos de escola estadual em Ipatinga
Roberto Sôlha
Enquanto o restante dos livros não chega, Brandon vai se virando: “o jeito é prestar bastante atenção nas aulas e pegar material emprestado”
IPATINGA - Desde fevereiro, Brandon Lee Eusébio dos Santos, de 13 anos, estudante da 8ª série do Colégio Estadual Tiradentes, precisa redobrar sua atenção na sala de aula. No início do ano letivo, ele e outros alunos foram informados que a quantidade de livros enviada à instituição era inferior ao número de alunos matriculados. O material, enviado anualmente pelo governo estadual, só poderia ser entregue a parte dos docentes. Para não ser injusta na distribuição dos livros disponíveis, a direção do colégio teve de sortear os alunos que teriam direito ao material didático. Aluno da instituição desde a 1ª série, Brandon Lee foi um dos alunos que ficaram a ver navios. Há quase dois meses, ele estuda com livros emprestados.Também fui obrigado a absorver e tentar sanar todas as minhas dúvidas com os professores em sala de aula. Por sorte, tenho facilidade para entender os conteúdos desta maneira, diferentemente de alguns dos meus colegas que também foram sorteados e ficaram sem livros. Parte deles não conseguiu obter média nas provas por causa da dificuldade de se estudar em casa sem os livros”, conta Brandon. Segundo o estudante, o problema já foi solucionado em parte. Após a transferência de dois alunos de sua classe para outros colégios, seus livros foram distribuídos entre os estudantes sem o material. Mas ainda estou sem dois livros, das disciplinas de Matemática e Ciências”, diz Brandon. Conforme sua mãe, Márcia Lopes da Silva Drumond, este transtorno é inédito para a família. Segundo ela, Brandon foi instruído pela direção a tirar cópias das matérias enquanto a instituição providencia outros exemplares. Para o estudante, o problema tem origem no número de alunos matriculados. Eu já cheguei a estudar em sala com 33 alunos, mas nos últimos anos as classes estão com um número maior de estudantes. Certamente isso contribuiu para que o material não fosse entregue corretamente às turmas”, observa.Critérios Conforme a diretora do Colégio Estadual Tiradentes, Vanessa Mayra Reis de Castro Maia, o problema da falta de livros não é exclusividade da instituição, e sim de toda a rede estadual. No entanto, a diretora informa que programas de remanejamento de material escolar, feitos com o auxílio da Superintendência Regional de Ensino, sempre conseguem resolver as necessidades das escolas. Anualmente, é realizado em todas as escolas o Educa-Censo, pesquisa enviada ao Ministério da Educação para que a qualidade do ensino seja acompanhada no Brasil inteiro. Nestes relatórios, o MEC é informado sobre a quantidade de alunos matriculados, dando embasamento para o envio de materiais para o próximo ano. Como os dados são enviados antes do término do ano letivo, os alunos repetentes acabam sendo desconsiderados da previsão”, explica a diretora, informando que estas informações já haviam sido repassadas aos pais dos alunos desde o início do mês. Previsão de entregaA diretora também esclarece que a compra de materiais só pode ser feita quando o programa de remanejamento, no qual as escolas consultam se os livros em falta estão disponíveis em outras instituições, não soluciona o problema. Temos que obedecer a vários critérios. Nos anos anteriores, quando havia este tipo de problema, buscávamos a alternativa de oferecer livros de outros autores para os alunos, desde que o professor concordasse e dissesse que o material atenderia à necessidade. Porém, este ano o colégio decidiu adotar somente os mesmos autores para todos os nossos alunos. Desta maneira, passamos a enfrentar outras eventualidades. Estamos dependendo da disponibilidade de editoras e ficou garantido que até amanhã (hoje), os livros já estarão disponíveis para os alunos”, informa a diretora, mostrando a cópia do pedido. A compra dos livros em falta, equivalente a cerca de R$ 4,5 mil, foi feita pela Associação de Pais e Mestres do Colégio Tiradentes. Segundo a diretora, outras soluções já haviam sido encontradas para amenizar os transtornos, que atingem principalmente as turmas de 7ª e 8ª série. Ela informa que a escola estava fornecendo cópias em xerox dos conteúdos, enquanto a compra dos livros não era concluída. É uma situação complexa. Na hora de distribuirmos os livros, a única saída encontrada para não sermos injustos foi sortear o material”, finaliza a diretora. Roberto Sôlha
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