30 de março, de 2008 | 00:00

Formação tecnológica ajuda o desenvolvimento regional

Membro do CNE fala sobre importância dos cursos de tecnologia

Wolmer Ezequiel


Francisco Cordão (D): ensino tecnológico no Brasil está se expandindo, como acontece na Europa e na Ásia
IPATINGA - Na última sexta-feira (28), os alunos do curso de Tecnologia da Faculdade Assedipa (Fatec) participaram de uma palestra proferida pelo professor Francisco Cordão, uma das principais referências nacionais em políticas educacionais. Com mais de 30 anos dedicados ao magistério, Cordão debateu sobre o panorama do ensino tecnológico no país e os seus diferenciais em relação aos outros níveis de graduação, como bacharelado e licenciatura. O ensino tecnólogo, conforme o professor, é independente sob vários aspectos, uma vez que as disciplinas são moldadas de acordo com as características de mercado de cada região. “Pelo o que eu pude perceber, os tecnólogos formados pela Fatec terão muitas chances de serem bem-sucedidos no mercado de trabalho regional. Os estudantes possuem perfil parecido, são pessoas geralmente acima dos 30 anos e com experiências prévias na área de atuação na qual eles irão se graduar”, observou. Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), Francisco Cordão também atua como consultor educacional para várias instituições e é diretor-presidente da empresa Peabiru.Expansão Na sua avaliação, o ensino tecnológico no Brasil está seguindo os passos dos países europeus e dos Tigres Asiáticos. “Recentemente, a Inglaterra inaugurou uma universidade para oferecer exclusivamente essa modalidade de ensino. Os Estados Unidos e o Canadá também estão investindo muito na formação de tecnólogos. No Brasil, estamos em pleno processo de expansão do curso, principalmente porque as pessoas estão mais conscientes de que se trata de uma formação superior e não simplesmente técnica”, salientou.Um dos especialistas e responsáveis pela aprovação de políticas educacionais que definiram a Lei de Diretrizes Básicas (LDB) para os cursos tecnológicos, Cordão disse que a modalidade atualmente está inserida na maioria das instituições de ensino superior do país. “Principalmente nas faculdades e universidades particulares. Nas universidades públicas, a oferta ainda está se expandindo”, afirmou.Diferencial Conforme o professor, os cursos tecnológicos são imprescindíveis para preencher segmentos de mercado pouco explorados. Ele explicou que uma das principais diferenças entre um tecnólogo e um bacharelado é que o primeiro torna-se mais focado em sua especialidade. O ensino convencional, por sua vez, promove uma visão mais generalista. Outra diferença relevante é a de que um curso superior de tecnologia tem uma duração de no máximo dois anos e meio, enquanto se leva cerca de quatro a cinco anos para a conclusão de um bacharelado. O Brasil tem pouco mais de 70 mil alunos em ensino superior tecnológico e 2,3 milhões em universidades. A proporção é contrária à de países desenvolvidos, como EUA e Japão. No entanto, com o país em processo de expansão da economia, o professor acredita que, gradativamente, o mercado irá precisar de mão-de-obra técnica especializada. “A formação de tecnólogos é voltada para o mercado e ajuda no desenvolvimento regional”, concluiu Francisco Cordão.
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