30 de março, de 2008 | 00:00

Tecnologia ajuda a salvar vidas

Aparelhos de última geração aumentam a chance de cura para várias doenças

Fotos: Alex Ferreira


Tomografia multislice: imagens em várias dimensões e no interior de uma veia
IPATINGA – Há muito, a tecnologia é aliada do homem na descoberta, compreensão e no tratamento de uma infinidade de doenças. Nos últimos anos, o desenvolvimento de novos materiais, equipamentos e programas de computador permitiram um salto considerável na Medicina. No começo, Hipócrates - que viveu entre 460 e 377 a.C. -, se valia de explicações sobrenaturais para doenças, devido à limitação do conhecimento à época. O que faltava ao “pai da Medicina” agora existe de sobra e de forma aperfeiçoada. Que tal conhecer o interior de uma veia e descobrir anomalias, tratar o paciente antes de uma crise? Isso é perfeitamente possível e o Vale do Aço está suficientemente abastecido com essa tecnologia.AvançoEm Ipatinga, o médico radiologista Ouvídio Carlos Carneiro Vilela, responsável pela Clínica São Judas Tadeu, no Centro, acredita que foi uma grande conquista o desenvolvimento de equipamentos que permitem a um médico visualizar o que ocorre no interior do corpo humano. “A área de diagnóstico por imagem foi a que mais se desenvolveu nos últimos anos na Medicina”, avaliou.O médico disse que, inicialmente, o diagnóstico por imagem só dispunha dos Raios-X, exame que se valia da radiação para atravessar a superfície corporal do paciente e, com isso, formar a imagem que permitia um conjunto de informações sobre uma determinada doença. A partir da década de 80, foram desenvolvidas a ultra-sonografia e a tomografia computadorizada. A ressonância magnética, que não utiliza radiação, mas o campo magnético, veio complementar o diagnóstico com imagens tridimensionais do corpo. BenefíciosA radiologia digital, por exemplo, conforme Ouvídio Vilela, permite que a mamografia mostre tumores cada vez mais precoces no seio, o que assegura condições de tratamento e cura do câncer de mama. A tecnologia também reduziu os riscos que corriam as pessoas muito expostas à radiação. Hoje, os exames têm doses cada vez menores e localizadas de radiação. A tomografia multislice é a última inovação em termos de diagnóstico por imagem. O radiologista Ouvídio Vilela disse que ela permite que se faça “cortes” cada vez mais finos, com doses ainda menores de radiação e diagnósticos mais precisosCustos elevados e acesso conveniadoTecnologia de ponta significa, também, demanda de investimentos. Assim, quem quiser se utilizar dos seus benefícios, quando a doença chegar, terá que pagar. Uma tomografia custa em média R$ 300. Para quem não pode pagar, a saída é entrar na fila do Sistema Único de Saúde. O médico radiologista Ouvídio Vilela confirmou que o SUS permite o acesso a todos os métodos de diagnósticos. “Nossa região é agraciada por isso, tanto o nosso serviço, quanto o serviço do Hospital Márcio Cunha têm convênio com o SUS. Isso amplia o acesso à tecnologia do diagnóstico por imagem. Os planos de saúde também cobrem os exames, mesmo porque o diagnóstico pode evitar uma internação desnecessária e mais gastos”, analisou.Fabricado pela Philips, na Holanda, um aparelho de ressonância magnética custa aproximadamente US$ 1 milhão e um exame sai na média por R$ 700. Neste caso, o acesso pela rede pública de saúde existe com mais restrição. Fabrício Maia disse que tem atendido pacientes encaminhados pelo SUS, mas admitiu que a demanda é maior do que a rede encaminha. “A rede pública ainda não permite acesso da população a 100% de toda a tecnologia que a Medicina desenvolveu, mas já são importantes os convênios existentes”, observou o médico.

Fabrício: diagnóstico e acompanhamento de doenças
Programação de cirurgia por imagem é importanteO desenvolvimento da tomografia e da ressonância magnética encontra importância no fato de permitir que se “veja” o interior de qualquer estrutura corporal. O médico radiologista Ouvídio Vilela explicou que, hoje em dia, não há como um paciente fazer uma cirurgia, por exemplo, de abdômen doloroso, abdômen agudo, sem utilizar o diagnóstico por imagem. Antes de “abrir” o paciente, o cirurgião saberá por meio das imagens o que vai encontrar e já terá feito o estudo da cirurgia.Radiologia digital, ressonância, tomografia e multislice. Diante de tantos nomes, não é raro encontrar pacientes com pedidos de exames nas mãos sem saber do que se trata. Ouvídio Vilela disse que a diferença às vezes se resume a questões técnicas. “Tomografia e raios-x utilizam radiação e a ressonância utiliza ondas de rádio e campo magnético. Tem doenças que a tomografia vai ser melhor indicada, para pesquisar, por exemplo, o tórax. O paciente que tem um problema de pulmão vai utilizar a tomografia. A ressonância será utilizada para pesquisar as articulações, por exemplo. Os recursos multislice serão empregados no estudo dos vasos sanguíneos”, detalhou.O médico radiologista Fabrício Maia Torres Alves é responsável pela Clínica São Judas Tadeu, no bairro Canaã, onde é feita a ressonância magnética. “Com esse exame, descobrimos doenças que antigamente não eram diagnosticadas como, por exemplo, a esclerose múltipla, ou aneurisma cerebral e ainda as articulações: joelho, ombro, cotovelo, punho e tornozelo”, afirmou. Além de descobrir as doenças, a ressonância permite acompanhar os resultados dos tratamentos.OperadoresTanta tecnologia não serviria de nada, não fossem homens e mulheres capazes de compreender a sua complexidade de recursos disponíveis. Por trás dos teclados dos equipamentos estão profissionais, ainda jovens, mas que chegaram ao mercado de trabalho dentro de novos conceitos da Medicina, ancorados na alta tecnologia. O médico radiologista Fabrício Maia explicou que o profissional de radiologia precisa de um treinamento básico de quatro anos. “Após seis anos de faculdade, o profissional tem que fazer mais quatro anos de residência para conseguir uma formação dedicada para ressonância magnética. Belo Horizonte e São Paulo são os maiores centros de formação desses profissionais”, comentou.Alex Ferreira
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