03 de abril, de 2008 | 00:00

Mais 60 dias para chegar água

Copasa investe em abastecimento nos bairros Caladão e Contente

Wôlmer Ezequiel


No bairro Caladão, trabalho em ritmo acelerado para levar água potável à população
FABRICIANO – A rotina de semanas e, em algumas circunstâncias, meses sem água parece que vem chegando ao fim para as comunidades dos bairros Caladão e Contente. Depois de ficar durante 90 dias com as caixas vazias, em novembro do ano passado a Companhia de Abastecimento e Saneamento de Minas Gerais (Copasa) iniciou as obras na tentativa de colocar fim ao problema de abastecimento na região. O prazo era de 90 dias, mas conforme Gildo Batista, gerente do Distrito do Médio Piracicaba, as obras ainda demandam mais 60 dias. “Vamos colocar hidrômetros e levar água de qualidade para todas as 1.200 residências dos dois bairros”, adiantou Batista.Antes havia dificuldade em se cobrar pela água, já que era complicado garantir a distribuição por causa do manancial antigo e redes desestruturadas. “Fizemos a padronização e implantamos redes novas. Agora não há como comprometer a vazão e o uso da água não será prejudicado em nenhuma hipótese”, explicou o gerente da Copasa.NormalizadoNa parte alta do Caladão, onde a falta de água ocorria com maior freqüência, a situação já está normalizada. “Nesse meio tempo em que estamos concluindo as obras, famílias localizadas em zonas periféricas no bairro já começam a utilizar regularmente o recurso. Antes, como as redes eram pequenas e a captação era difícil, a água faltava com mais freqüência”, explicou.No bairro Contente, localizado após o Caladão, a realidade da falta d’água é uma triste rotina há mais de cinco anos. Conforme Rosilaine da Silva, 29, o caminhão-pipa adiantava muita coisa, mas não passava periodicamente. “Com isso, ficar sem água era algo que fazia parte da vida de muita gente. Ainda mais para quem mora na parte alta do bairro. Agora, por mais que a gente tenha que pagar taxas para a Copasa, certamente vai ser melhor”, acredita. O gerente da Copasa, informou, no entanto, que ainda não há cobrança de taxas na comunidade e previu para “dentro de dois meses” que toda a comunidade será beneficiada com água tratada e própria para consumo.DesvioO bairro Contente possui uma parte alta, onde residem moradores mais carentes, e uma parte baixa, com sítios, áreas particulares e alguns moradores em melhores condições financeiras. Como não há hidrômetro na localidade, o uso indiscriminado compromete a vazão em algumas áreas. No ano passado, a Copasa fez uma intervenção na tentativa de acabar com o problema, mas alguns moradores continuam se beneficiando da “água grátis” na parte baixa, especialmente para abastecer poços artesianos, poços de peixes, piscinas e manter outros privilégios, pouco se importando com moradores da parte alta.Com a Copasa operando na região, advertiu Gildo Batista, vai ficar “complicado” para esses usuários utilizarem a água da maneira leviana como vinham fazendo. “Nosso trabalho, além da saúde pública, é fiscalizar esses abusos”, enfatizou.Em Timóteo, qualidade de vida é comprometidaHá cerca de três anos, desde o vencimento do contrato de serviço entre a Prefeitura e a Copasa, a constante falta de água em determinados bairros do município vem prejudicando a vida de muita gente. Apenas no mês de março, bairros como Limoeiro, Alphavile e Recanto Verde chegaram a ficar cerca de 15 dias sem o fornecimento de água. Mesmo com o contrato expirado, a empresa concessionária, por lei, é obrigada a manter o fornecimento até que a Prefeitura se posicione sobre a renovação ou anulação do mesmo. O “Projeto Vida” apresentado na ocasião do vencimento do contrato, foi barrado pela Câmara Municipal. Os vereadores alegaram a ausência de uma descrição detalhada das melhorias a serem efetuadas no sistema de tratamento e distribuição de água e esgoto no município. Por outro lado, a Prefeitura ainda não tem um posicionamento definido sobre a renovação ou não do contrato.PrejuízosMoradores do Alphavile estão agora promovendo um abaixo-assinado para tentar a anulação da conta de água referente ao mês de março. Isso porque, além do longo período sem o fornecimento, quando a água voltou às caixas do bairro, no último dia 19, trouxe com ela uma grande quantidade de barro, o que acarretou danos a encanamentos domésticos e prejuízos aos consumidores. Segundo o morador e ex-presidente de Associação de Moradores do Bairro do Recanto Verde, Lauro Antônio de Souza, o mesmo deve ocorrer nos bairros Limoeiro e Recanto Verde. No início da semana, as partes mais altas do distrito de Cachoeira do Vale também tiveram problemas com a distribuição de água. Além dos moradores, alunos da Escola Estadual João Cotta ficaram sem água nos bebedouros e sanitários, na última terça-feira (1º).A falta d’água se estende também ao Bela Vista, onde pelo menos duas vezes por semana não há o abastecimento nas casas. De acordo com Antônio Lopez Lima, ex-presidente da Associação de Moradores do bairro, quem reside na parte alta sofre constantemente com o problema. Em 2003, foi instalada uma caixa d’água nas proximidades do bairro para beneficiar cerca de 70 residências. Com o “Projeto Vital Brazil”, em meados de 2005, foram construídas moradias para mais 53 pessoas e com isso a demanda por água no bairro aumentou.Outro ponto da cidade prejudicado com a escassez de água potável é a rua Ouro Branco, próximo ao bairro Primavera, onde vivem em média 200 pessoas que, sem os serviços da Copasa, recorrem às nascentes existentes nas redondezas como fonte de abastecimento. Porém, um estudo realizado a pedido da Prefeitura, há cerca de três anos, foi comprovado alto índice de coliformes fecais na água, não recomendada para o consumo humano.IntervençãoNa tarde de ontem, o vereador Sérgio Mendes (PSB) protocolou, junto ao promotor Nélio Costa Dutra, um pedido de intervenção do Ministério Público nas questões de falta de água no município. Na visão do vereador, “o que parece estar acontecendo é uma protelação por parte da Copasa em relação ao abastecimento de água no município, em uma tentativa forçada de renovar o contrato com a Prefeitura”. A reportagem tentou entrar em contato com a supervisora da Copasa, responsável pelo sistema de Timóteo, Geane Keller, até as 18h, mas ela não foi encontrada.
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