03 de abril, de 2008 | 00:00

Discussão interminável

Empresário volta a defender mobilização para garantir o projeto

Arquivo/DA


Helvécio: “É uma verdade incontestável a insuficiência do projeto de melhoria da BR-381”
IPATINGA - A duplicação da BR-381 Norte ainda tira o sono dos dirigentes empresariais do Vale do Aço. Até agora nada avançou no projeto técnico apresentado pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), ainda em processo de licenciamento. Da forma como está, o projeto não atende os interesses nem do Vale do Aço nem de Governador Valadares. Pela proposta em tramitação, serão duplicados apenas alguns trechos entre Ipatinga e Belo Horizonte, e nos demais, serão feitas “melhorias viárias”. Em Ipatinga, o empresário Helvécio Tomaz Martins conta que, recentemente, manteve contato com lideranças de Valadares, que também ensaiaram um protesto, mas não levaram o assunto adiante. No momento, a informação é que os valadarenses estão à espera de informações para a retomada da discussão com os seus representantes políticos. “Avisei a eles que, se não fizerem nada, ficarão em uma situação ainda mais complicada, porque a eles também interessa a duplicação completa da estrada, para escoar a sua produção, e as intervenções entre Ipatinga e Valadares, previstas no projeto atualmente, serão mínimas”, conta Helvécio. Projeto No entendimento de Helvécio Tomaz, é uma verdade incontestável a insuficiência do projeto de melhoria da BR-381, que leva em conta uma projeção para os próximos vinte anos, apenas. Segundo o empresário, com o ritmo de crescimento da região, será um investimento grande demais para um tempo muito curto de validade. Cita como exemplo o contorno rodoviário da BR-381, inaugurado há menos de três anos e que, apesar de ter fluxo elevado, está fora do projeto de duplicação. “Claro que o atual projeto prevê algumas intervenções importantes, como o novo traçado da BR-381 entre Santa Bárbara e Nova Era. A estrada passa a existir em um trecho mais plano, evitando assim aquelas curvas violentas em João Monlevade. A cidade pode até perder com isso, mas será importante para quem trafega na estrada”, pondera.  Em contrapartida, como outra prova de mau planejamento de obra na BR-381, Helvécio Tomaz cita o viaduto em construção sobre o Córrego da Prainha, em Nova Era, uma construção faraônica para desviar o trânsito de uma área de alta incidência de acidentes, mas que já nasce com problemas porque tem apenas uma pista e os próprios técnicos do Dnit já admitem que não foi observada a melhor solução técnica para o problema, por causa do custo elevado. Por essas e outras razões, Helvécio defende a seqüência da mobilização pró-duplicação da BR-381. “Se o país mantiver o ritmo de crescimento em 5% ao ano, vai enfrentar um colapso no sistema viário. Se temos um projeto ainda em andamento, precisamos garantir que atenda a uma demanda que vá além de 20 anos”, conclui. Viés político na discussãoEm relação à reação de políticos, que protestaram diante da manifestação dos dirigentes empresariais, por causa do projeto considerado insuficiente para a demanda regional, o empresário Helvécio Martins disse que não estranhou nada. “Olha, eu estou calejado com essas coisas. Há a questão da realidade, apresentada pelo Dnit, mas há também o viés político disso tudo, que teima em compreender o assunto de outra forma. Às vezes você age com a razão, mas as pessoas levam para o outro lado. Não agredimos ninguém, mas agimos em autodefesa, nunca pensando em prejudicar alguém”, afirma.
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