08 de abril, de 2008 | 00:00

Avanço rumo ao consenso

Moradores do Vila Ipanema e a Vale acertam detalhes sobre terceira linha

Roberto Sôlha


Durante a reunião, a Vale apresentou quais demandas serão atendidas: moradores pedem construção de mais salas na escola
IPATINGA - Na última sexta-feira, 4, representantes da comunidade do bairro Vila Ipanema participaram de uma reunião com uma equipe técnica da Vale do Rio Doce, para discutir os impactos causados pela construção da terceira linha férrea. A Vale se dispôs a dar uma resposta nos próximos dias. Elaborado para atender à expansão da Usiminas, o projeto já havia sido discutido em outras três reuniões no bairro, que possui cerca de 2 mil moradores. Uma série de reivindicações enviadas à empresa foram respondidas na reunião de sexta. O encontro foi acompanhado pelos vereadores Lauro Botelho (PMDB) e Célio Aleixo (PMDB), da Comissão de Urbanismo, Transporte, Trânsito e Meio Ambiente da Câmara; pelo superintendente-geral da Usiminas, Rômel Erwin; e pelo prefeito Sebastião Quintão (PMDB). As discussões tiveram início com uma rápida apresentação sobre a nova linha férrea, que terá cerca de 10 quilômetros de extensão, compreendida entre o aeroporto e o Shopping do Vale do Aço. As obras teriam início em 1º de fevereiro, mas foram adiadas para que a Vale pudesse avaliar as reivindicações. Os moradores do Vila Ipanema se dizem incomodados pelos barulhos, trepidações e poluição causados pelas locomotivas que passam diariamente, a cada 15 minutos, nas duas linhas já existentes. Conforme explicou o gerente comercial da Vale, Paulo Fraga, responsável pela ferrovia Vitória-Minas, a terceira linha seria utilizada principalmente para o pátio da estação Intendente Câmara, a fim de dar suporte às demandas da Usiminas e Cenibra, empresas que anunciaram suas obras de expansão para 2010. “A Vale se preocupa em estar de acordo com os interesses das comunidades onde atua, e não agiríamos diferente desta vez, já que a construção da terceira linha é um projeto de grandes impactos não só para a comunidade do Vila Ipanema, mas também para todo o município de Ipatinga. É necessário salientar que a empresa já obteve todas as licenças e concessões exigidas por lei para dar início às obras, mas antes de qualquer procedimento queremos atender os pleitos discutidos com os moradores. Por outro lado, é preciso entender que temos um cronograma a cumprir e que a execução das obras demandaria no mínimo um ano. Dessa maneira, é preciso que a empresa e a comunidade entrem em consenso da melhor forma e com a maior brevidade possível”, explicou. O gerente comercial informou que o investimento da Vale não ficará restrito à construção da terceira linha férrea. Ele revelou que a altura do vão do viaduto de acesso ao bairro será elevada. O projeto também prevê a construção de duas galerias para escoamento de água do Ribeirão Ipanema e a modernização da estação ferroviária de Ipatinga.
Wôlmer Ezequiel


A terceira linha possivelmente será construída ao lado das duas linhas férreas já existentes, mais próxima ao muro que separa a ferrovia das casas
Avaliação técnica sobre rachaduras em residênciasApós a apresentação do projeto, a equipe da Vale informou aos moradores quais reivindicações a empresa se prontificou a atender. As sugestões haviam sido encaminhadas à direção da empresa em reuniões anteriores com a comunidade. Durante o encontro de sexta-feira, a empresa se comprometeu a aumentar a altura do muro próximo à ferrovia, para amenizar o barulho provocado pelo tráfego intenso de máquinas e vagões. O investimento previsto para atender essa demanda é calculado em R$ 450 mil. O muro passaria a ter três metros de altura e sua extensão passaria de 800 para 1.000 metros. A Vale também assumiu o compromisso de estudar se as rachaduras de várias residências do bairro foram causadas pela trepidação. “Nós vamos contratar uma empresa de engenharia especializada para fazer um estudo em 13 casas, apresentando posteriormente um laudo. Se for acusado que as rachaduras foram causadas pela trepidação, a empresa irá arcar com os prejuízos e efetuar a devida manutenção e reparação”, afirmou o gerente comercial da Vale, Paulo Fraga. Outra reivindicação a ser atendida pela empresa é a execução de um projeto paisagístico na lateral da linha férrea. A intenção é plantar árvores para formar uma “cortina verde” e proteger do pó as residências próximas à linha. Por fim, Fraga informou que a Vale irá destinar R$ 60 mil para reformas da igreja Nossa Senhora de Fátima e R$ 30 mil para novas instalações elétricas e reposição de vidros na Escola Estadual João Walmick. Apesar de reconhecerem as benfeitorias a serem promovidas pela Vale, os moradores não concordaram com as propostas de melhorias oferecidas à escola. Para a diretora da instituição de ensino, Maria Aparecida Salles de Almeida, o montante oferecido não atenderia as reais necessidades da escola. “A proximidade da escola com a linha férrea causa prejuízos que vão além de danos materiais. Os professores ficam afônicos porque precisam falar alto para serem ouvidos em meio ao barulho dos trens, e as salas estão sem a estrutura adequada para receber a demanda de alunos. Nós precisamos da construção de mais salas, para que os professores dêem aulas em classes com número mais reduzido de alunos. Caso essa reivindicação não seja atendida, a escola não irá aceitar os R$ 30 mil oferecidos pela Vale”, disse a diretora.Diretora vê benefíciosAo término dos questionamentos feitos pelos moradores, o gerente comercial da Vale, Paulo Fraga, informou que a direção da empresa irá estudar a proposta de serem construídas mais quatro salas na Escola Estadual João Walmick, sugestão que atenderia em parte as queixas quanto ao barulho provocado pelas locomotivas. Outra solução a ser estudada pela Vale é a possível mudança da escola para outro ponto do bairro, menos exposto aos inconvenientes apontados. No entendimento da diretora, Maria Aparecida, os investimentos terão efeito a longo prazo e serão benéficos para a própria Vale, uma vez que boa parte dos moradores do Vila Ipanema está cética quanto às conseqüências da terceira linha férrea.Roberto Sôlha
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