23 de abril, de 2008 | 00:00

Pedreiro pressentiu perigo

Novo desabamento na rua Oito aumenta apreensão de moradores

Wôlmer Ezequiel


O barranco que atingiu a rua Oito deslizou em função de danos na rede de água da Copasa
IPATINGA – Um novo deslizamento de terra na rua Oito, no bairro Nova Esperança, aumentou a apreensão nas famílias do local. Por volta das 11h30 de segunda-feira, a residência de número 80, do pedreiro José Luiz Ferreira, 60 anos, foi atingida após a queda de um barranco e de parte da rua. A moradia estava vazia. Na mesma rua, exatamente há uma semana, duas casas situadas ao lado do beco Anis desabaram, também sem vítimas.De acordo com José Luiz, as perdas materiais foram poucas. “O barro entupiu meu fogão e o botijão de gás, mas apenas uma porta e uma janela da minha residência foram destruídas”, diz. “Quem estava tomando conta da  casa era outra pessoa, que se mudou no domingo. Só voltei segunda-feira e ainda bem que vi quando o barranco começou a descer, porque havia acabado de chegar”, conta o pedreiro.Laudo da Defesa Civil aponta que o desabamento da semana passada aconteceu em função do rompimento de uma adutora (cano mestre) da Copasa. A empresa alega que houve um escorregamento do terreno, o que teria causado a desconexão da rede de água que abastece os usuários do beco Anis. Segundo o gerente do Distrito Vale do Aço da Copasa, Franklin Mendonça, há várias hipóteses para o deslizamento ocorrido semana passada, e assim é prematuro considerar a empresa culpada pelo incidente, ao contrário do ocorrido na segunda-feira. O gerente reconheceu que um vazamento na rede de água provocou o deslizamento do barranco e de parte da rua sobre a residência de número 80.  Conforme José Luiz Ferreira, há muito tempo ele já vinha notando vazamento no barranco existente nos fundos da sua casa. “Já estava imaginando que um deslizamento podia acontecer”, afirma. Ontem, funcionários da Construtora Oliveira Ribeiro, terceirizada da Copasa, emendaram a rede danificada. Segundo Franklin Mendonça, a estatal irá repor os danos sofridos pelo pedreiro. Famílias acusam descasoAs famílias que tiveram suas casas destruídas por um deslizamento de terra no último dia 16, na rua Oito, no bairro Nova Esperança, reclamam da falta de assistência, principalmente por parte da Copasa. Maria Aparecida Teobaldo, 40, que teve sua residência totalmente destruída, e Elizete Dias da Silva, 34, cuja casa foi parcialmente arrasada, admitem a hipótese de acionar a Copasa na Justiça para o ressarcimento dos danos materiais. “Estamos nos sentindo totalmente desamparadas. A Copasa alega várias coisas para eliminar sua responsabilidade. Uma delas é que uma fossa por cima do nosso terreno é que provocou o deslizamento do barranco. Não aceitamos isso. A culpa é da empresa”, opina Elizete Dias. Maria Aparecida diz que a Defesa Civil ainda não entrou em consenso com as famílias atingidas quanto à colocação delas em imóveis de aluguel. “A Prefeitura nos ofereceu R$ 130 para pagar aluguel mensalmente. Mas nós não encontramos casas para alugar por menos de R$ 180”, alega. Segundo Cícero Wexler dos Anjos, coordenador da Defesa Civil, os R$ 130 estão em conformidade com o que estabelece o Conselho Municipal de Defesa Civil. “Essa definição de valores é feita pelo Conselho e é caracterizada como uma ajuda social”, esclarece Wexler. Área de invasãoA Copasa insiste que não é possível se responsabilizar pelas perdas materiais das famílias de Elizete Dias da Silva e Maria Aparecida Teobaldo porque a causa da desconexão da adutora que impulsionou o deslizamento de terra ainda não está clara. “Exatamente em cima do ponto onde houve o escorregamento do terreno existe uma fossa que infiltra para o mesmo. Ao lado, existe um lote que está cheio de entulho e folhas secas, o que contribui para a infiltração de água no terreno e instabilidade do solo. A gente tem que considerar também que essa área é de invasão e não foi objeto de implantação de infra-estrutura urbana adequada, então ela não tem esgotamento pluvial. Nós temos lá uma situação de lançamento a céu aberto de águas servidas e muita vegetação que favorece o deslizamento do solo. Então, são várias situações que podem ter contribuído para o incidente. Nós entendemos que o fato gerador do deslizamento ainda está sendo identificado e objeto de avaliação pelos peritos externos contratados pela Copasa”, afirma Franklin Mendonça. Segundo o gerente, a empresa poderá indenizar as famílias caso seja comprovada sua responsabilidade direta no deslizamento do barranco. “A assistência está sendo prestada pela Defesa Civil. Como não temos evidência que responsabilize a Copasa pela geração do acidente, cabe à Defesa Civil fazer o realojamento das famílias. Se após todo o processo de investigação for comprovada a culpa parcial ou total da Copasa, aí é a empresa que assume a obrigação de indenizar o que a Prefeitura gastou com realojamento e também com a recuperação dos imóveis atingidos”.Bruno Jackson
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