26 de abril, de 2008 | 00:00

Construção civil dispara

Sinduscon destaca potencialidades e busca organização do setor

Fotos: Alex Ferreira


Bernardes: “maior demanda da construção civil é por mão de obra qualificada”
IPATINGA – Na quinta-feira, reunião no Serviço Nacional da Indústria (Senai) em Ipatinga discutiu o funcionamento da Delegacia Regional Vale do Aço do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). O presidente estadual do Sindicato, Walter Bernardes de Castro, explicou que foi a primeira reunião após a posse do engenheiro Kleber Divino Muratori como delegado regional. Walter destaca que o momento é de organização do setor, diante do crescimento da construção civil na região. A delegacia funciona em anexo à sede da Fiemg regional, no bairro Cidade Nobre.  A maior demanda do setor no momento, explica Walter Bernardes, é por mão de obra qualificada. Neste sentido, o Senai já disponibiliza projetos de formação e deverá funcionar com 100% de ocupação nos próximos meses. “O profissional vai sair daqui formado para ser pedreiro, bombeiro ou eletricista. O Senai está apto a atender todas as áreas da construção, inclusive os técnicos em edificações”, explica. Walter Bernardes observa que o surgimento de novos materiais, novos equipamentos e tecnologias têm demandado constante atualização dos profissionais. “A velocidade do desenvolvimento tecnológico leva a uma situação em que a capacidade do trabalho humano não consegue acompanhar sem um curso de reciclagem”, avalia. Como efeito desse desenvolvimento, explica o presidente do Sinduscon, diminui o desperdício na obra.Acrescenta que o cálculo de perdas já atingiu 1/3 do custo de uma obra, uma situação que já não ocorre mais. “A cada três construções, o desperdício atingia o custo de uma quarta construção. Com as inovações, as empresas modernas e planejadas não passam de 5% de perdas em uma obra”, afirma.As mudanças atingem também outros aspectos. Conforme Walter Bernardes, quando um trabalhador faz o curso no Senai, ele é conscientizado sobre a importância do trabalho dele para a construção do país. Outra preocupação é com os acidentes de trabalho. A construção civil ainda ostenta os maiores índices de acidentes de trabalho, mas o quadro deve mudar. Walter Bernardes observa que se trata de uma atividade sujeita a constantes acidentes, mas a adoção de uma série de medidas consegue a redução dos casos. Escassez de ofertas abaixo de R$ 100 milO município que mais se desenvolve no Leste mineiro também é alvo das preocupações da construção civil. Ipatinga é uma das cidades onde é difícil encontrar imóveis por menos de R$ 100 mil. Na avaliação do presidente do Sinduscon, Walter Bernardes, as empresas se especializaram em atender as demandas da Usiminas e outras indústrias e os investimentos em habitação, que surgiram, foram insuficientes para atender a demanda. Sem empresas para suprir a procura, principalmente pelo segmento de baixa renda, o interior já começa a receber empresas de fora, interessadas neste mercado. Quanto ao nicho que elas vão atender, Bernardes lembra que a mineira MRV é hoje uma das maiores incorporadoras do país, exatamente por apostar no consumidor menos abastado. “O déficit habitacional brasileiro, superior a 8 milhões de moradias, está concentrado na faixa de R$ 80 mil para baixo e a cada dia cresce mais. É um grande negócio”, avalia.

Muratori: estabilidade econômica e o poder aquisitivo garantem crescimento da construção civil
Empregos na construção crescem 34% em IpatingaO delegado regional do Sinduscon, Kleber Divino Muratori, destaca que o crescimento de vagas na Construção Civil em Ipatinga atingiu 34% nos últimos doze meses, em relação ao ano anterior. Os dados são do Cadastro Geral de Empregos do Ministério do Trabalho. A título de comparação, no Estado, o crescimento médio de 12 meses foi de 12,75%. O aumento na construção de imóveis é apontado por Muratori como o principal fator do crescimento do mercado de trabalho na construção. “A gente pode observar o surgimento de novos prédios em todos os bairros de Ipatinga. A estabilidade econômica e o poder aquisitivo da região garantem esse crescimento que, na verdade, chegou para atender a uma demanda reprimida”. Kleber afirma que é justamente em função do crescimento do setor que se justifica a presença do Sinduscon na região. Uma das preocupações é com a habilitação de empresas que possam atender aos projetos habitacionais da Caixa Econômica Federal. “Vamos buscar o suporte para o credenciamento das empresas daqui, porque se elas não se atualizarem, as empresas de outros lugares certamente virão para suprir a essa demanda”, observa.  Walter Bernardes acrescentou que, na semana passada, reunião entre a diretoria do Sinduscon e a Superintendência da Caixa Econômica Federal, em Belo Horizonte, discutiu a demanda por empreendimentos imobiliários no interior. “Há demanda, há dinheiro, mas faltam empresas em condições de tocar os projetos nas cidades do interior”, pontua o dirigente.
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