26 de abril, de 2008 | 00:00

Timóteo mobiliza região

Seminário debate necessidade de engajamento no combate à dengue

ACS/PMT


Seminário desfez mitos e mostrou como obter eficiência
TIMÓTEO - O enfoque educacional e a motivação da população para atuar no combate à doença foram os pontos principais das discussões no “I Seminário de Combate à Dengue de Timóteo”, envolvendo profissionais de saúde e lideranças comunitárias da região. Com o tema “Para Combater é Preciso Conhecer”, o evento foi realizado ontem, de manhã e à tarde, no auditório da PMT, e à noite, na Câmara Municipal. A secretária municipal de Saúde e Assistência Social, Maria Leonor Nogueira, na abertura dos debates, revelou a situação da dengue na Região Metropolitana do Vale do Aço.NúmerosConforme dados apurados até a 16ª semana de 2008, os números das notificações de casos suspeitos de dengue nos quatro municípios da região são: Ipatinga - 788; Coronel Fabriciano - 422; Timóteo - 304; e Santana do Paraíso - 33. Por outro lado, Fabriciano possui maior índice de infestação da doença, com 7,6%, seguida de Timóteo (4,9%) e Ipatinga (4,6%). Santana do Paraíso não aplica a metodologia do LIRAa (Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti), que define o índice de infestação dos focos.ParticipaçõesO I Seminário de Combate à Dengue teve a participação do professor de virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maulori Curie Cabral, e do cineastra Genilton José Vieira, da Fiocruz, autor do filme “O mundo macro e micro do mosquito Aedes aegypti”, exibido no evento. O professor é responsável pelo desenvolvimento, em 2005, da armadilha denominada “mosquitérica”, um produto “genérico” oriundo da “mosquitoeira”, desenvolvida em 2002 e aprovada em 2003 pelo professor Antônio Pereira.Intitulada “Mitos e verdades sobre a dengue”, Maulori Cabral discorreu acerca de algumas informações divulgadas habitualmente sobre a doença, mas que não correspondem à verdade, tal como “o mosquito põe ovo em água limpa”. “A água é limpa para mosquito, mas não para gente. Se a água não estiver cheia de micróbios, de matéria orgânica, a fêmea do mosquito não vai botar os ovos naquele ambiente que chamamos de criadouro”, rebateu o professor, afirmando que a mosquitérica é sucesso no combate à dengue.Para o professor, a dengue como situação endêmica é, na verdade, uma questão educacional. “Se considerarmos a dengue como uma doença educacional, o segredo para combatê-la é fazer com que as pessoas sejam educadas e motivadas para compreender o problema e agir”, defendeu Cabral.Ele frisou que quando uma família tem um parente que morreu com dengue, as pessoas dessa família sabem exatamente qual a importância que os vizinhos desempenham em função dessa morte. “Se na casa da pessoa que morreu não tinha criadouro de mosquito, mas ela foi picada por um mosquito contaminado, significa que alguém na vizinhança é responsável por isso”, afirmou o professor. “O combate à dengue deve ser feito com base na proposta de uma pessoa ajudar ao próximo a não ter dengue, de forma a fechar uma corrente para erradicação da doença”, comparou.‘Mosquitérica’ é um amuleto, diz professorNa avaliação de Maulori Cabral, a mosquitérica representa um instrumento educacional, “um amuleto de boa sorte, que exige o comprometimento das pessoas”. “Quando você eliminar todos os possíveis criadouros, você pode exibir aquilo como uma medalha. A pessoa tem que sentir orgulho de mostrar que tem uma mosquitoeira em casa”, frisou.A mosquitoeira, invenção patenteada pela UFRJ, não teve sucesso comercial. Em 2005, o professor Maulori Cabral foi autorizado a desenvolver uma forma genérica para que a população tivesse acesso ao produto por um custo praticamente zero. Recentemente, com a divulgação no programa “Mais Você”, da apresentadora Ana Maria Braga, na TV Globo, o projeto passou a ser amplamente divulgado pela mídia. Mais informações pelo site www.latec.ufrj.br, o “Disque Dengue” da UFRJ 021-25626698 ou o e-mail  [email protected].
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