01 de maio, de 2008 | 00:00
Expectativa de bom entendimento
Presidente da Usiminas se reúne com Luiz Carlos, presidente do Sindipa
Fotos: Nivaldo Resende
Omar Silva Júnior, Luiz Carlos Miranda, Marco Antônio Castello Branco e Rômel Erwin de Souza
IPATINGA - O novo presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, recebeu na manhã de ontem o presidente do Sindipa (Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga). O encontro aconteceu no escritório central da empresa, em Ipatinga, e contou ainda com as presenças de Omar Silva Júnior e Rômel Erwin de Souza.Na oportunidade, o presidente do Sindipa discutiu com Marco Antônio Castello Branco alguns pontos que considera importantes para uma melhoria nas relações capital e trabalho na região, tais como o horário de turno, os baixos salários, terceirização de mão-de-obra, qualificação profissional e inserção das mulheres e dos negros no mercado de trabalho.O novo presidente da Usiminas mostrou-se receptivo a todas as reivindicações, declarando-se disposto a discutir quaisquer pontos que venham a significar melhoria nas condições de trabalho e de vida para os empregados do Sistema Usiminas. E foi mais longe: propôs ao presidente do Sindipa a elaboração de um plano unificado de direitos e benefícios a ser adotado em todas as empresas do sistema.De acordo com Luiz Carlos Miranda, Marco Antônio Castello Branco mostrou-se extremamente simpático e cordial. Eu até o convidei para participar conosco da 7ª edição do Trem do Trabalhador, que acontece nesta quinta-feira no bairro Bom Retiro, mas o presidente tinha que voltar ontem à tarde para São Paulo, onde teria reunião com os níveis gerenciais da Cosipa. Em seguida, viajaria para a França, onde ele tem residência e compromissos ainda a serem cumpridos”, disse o sindicalista.Luiz Carlos avalia que Marco Antônio deverá manter tudo o que de positivo a Usiminas vem fazendo nos últimos anos, incluindo as boas relações com a comunidade do Vale do Aço. O novo presidente é uma pessoa antenada, extremamente atualizada e com uma visão globalizada da economia. Seu objetivo é valorizar os trabalhadores da empresa e, através disso, fazer a empresa crescer e conquistar novos mercados potenciais, além de abrir mais espaços para a mão-de-obra feminina e para os negros. E mais: ele gosta de futebol sim, ao contrário do que andaram dizendo por aí, e é torcedor do Clube Atlético Mineiro”, revelou o presidente do Sindipa.Confirmado como novo presidente da Usiminas e da Cosipa na reunião do Conselho de Administração ocorrido anteontem em Belo Horizonte, Marco Antônio ainda deverá ficar na Europa por cerca de 30 dias, cumprindo agenda da Vallourec&Mannesmann (V&M), antes de retornar ao Brasil e assumir a direção da Usiminas, no dia 5 de junho. Até lá, a presidência será ocupada interinamente pelo diretor industrial, Omar Silva Júnior.
Luiz Carlos conversa com Marco Antônio, novo presidente da Usiminas
Novos ventos na UsiminasMaior empresa mineira e líder nacional na fabricação de aços planos (bobinas), a Usiminas foi presidida durante 18 anos pelo engenheiro metalúrgico Rinaldo Campos Soares, que deixa o lugar para o também engenheiro Marco Antônio Castello Branco, que trocará Paris, onde ocupa o posto de presidente da Vallourec&Mannesmann do Brasil (V&M), pelo prédio de concreto e vidros pretos da Usiminas em Belo Horizonte. Na França, a V&M já comunicou que Castello Branco deixará oficialmente a empresa em 4 de junho. Sua missão: transformar a Usiminas numa empresa globalizada. A saída de Rinaldo já era aguardada pelo mercado, uma vez que o conselho já havia sinalizado neste sentido durante reunião que selou o novo acordo de acionistas da siderúrgica, ainda em novembro de 2006. Naquela época, o controle da Usiminas foi dividido entre o grupo comandado pela japonesa Nippon Steel (que participou da fundação da empresa, em 1956), o Grupo V/C (Votorantim e Camargo Correa) e Vale do Rio Doce. Os três gigantes afirmaram, então, apoio à administração de Rinaldo até o fim de seu mandato como presidente o que ocorreu anteontem, 29.Pedro Galdi, analista de siderurgia do Banco Real, avaliou: A troca de comando é estatutária, já que Rinaldo completa 70 anos em junho. Seja como for, a mudança vem ao encontro do que querem os controladores, que é uma empresa mais turbinada e globalizada. Rinaldo conduziu a empresa com sucesso, mas não foi agressivo o suficiente na internacionalização da Usiminas”, diz o analista. A Usiminas detém participação em siderúrgicas da Argentina, Venezuela e México, mas não colocou o pé nos cobiçado mercados dos Estados Unidos e Europa, onde estão, por exemplo, as brasileiras Gerdau e CSN. É aí que entra o perfil considerado mais agressivo” de Castello Branco. Como presidente da V&M do Brasil, cargo que assumiu em 2000, o engenheiro mineiro de 48 anos comandou a virada dos resultados da empresa, feito que o tornou reconhecido na cúpula dos executivos mais tradicionais da multinacional. Depois de acumular déficits operacionais nos seis anos anteriores, a dívida da siderúrgica alcançava R$ 400 milhões. Dois anos foram suficientes para o balanço da V&M voltar ao azul. O projeto de uma nova siderúrgica em Jeceaba, na Região Central de Minas, orçada em US$ 1,6 bilhão, teve também a participação decisiva de Castello Branco. Desde que assumiu a divisão de tubos do grupo francês, ele defendia o aproveitamento de sinergias entre as usinas do Brasil, da França e da Alemanha. A fábrica mineira uma joint-venture formada pela Vallourec e a japonesa Sumitomo Metals foi planejada para ser uma das plantas industriais mais modernas do mundo, num local estratégico, distante apenas 50 quilômetros da mina de Pau Branco, jazida de minério de ferro pertencente à empresa francesa. É com este cartão de visitas e vasto portfólio que o executivo assume o comando da Usiminas.
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