11 de maio, de 2008 | 00:00

Oferta atropela demanda

Novas clínicas dão outra dinâmica ao mercado regional de CNH

Wôlmer Ezequiel


O médico Carlos Cotta defende divisões eqüitativas de candidatos a exame médicos e psicotécnicos
FABRICIANO – À primeira vista, a abertura de mais oito clínicas para exames médicos e psicotécnicos em Ipatinga deve melhorar a prestação do serviço a candidatos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mas a grande oferta pode prejudicar o “negócio” dos proprietários. Com a provável divisão dos candidatos nas clínicas do município, locais já estruturados e com grande quadro de funcionários vão ser obrigados a enxugar a folha salarial, argumenta Wilma Castro, gerente da mais antiga  clínica do município.Em Coronel Fabriciano a situação não é diferente. Na Clínica Médica e Psicológica (CMP), que funciona no Melo Viana há 18 anos, o movimento de candidatos à primeira carteira e renovação de CNH caiu para menos da metade. Wanda Diniz, psicóloga e diretora, prefere não acreditar em esquema para beneficiar determinada clínica, mas espera mais fiscalização por parte do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) em relação aos novos locais de atendimento.“É preciso saber o que se passa, por exemplo, com o número menor de candidatos em uma clínica. É preciso ter uma divisão eqüitativa para evitar maiores baixas”, alega. Ela lembrou que um proprietário de Centro de Formação de Condutores (CFCs) em Antônio Dias trouxe cinco candidatos à CNH para fazerem exames médicos em Fabriciano. “Apenas um foi destinado à clínica que dirijo”, contou.MédicosUma outra questão levantada por outros donos de clínicas na região é a formação dos médicos que fazem as perícias. De acordo com a Resolução 267 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em 15 de fevereiro de 2008, a junta médica deverá ser constituída por, no mínimo, três médicos peritos examinadores de trânsito nomeados pelo Detran. “Curso de capacitação não é o suficiente para os médicos. Na minha clínica todos estão mais do que aptos para realizar as perícias”, garante Wanda Diniz.De acordo com Carlos Cotta, médico e diretor da nova clínica no bairro Cariru, em Ipatinga, que também faz parte da junta médica do novo posto de atendimento aberto em Fabriciano, localizado no bairro Belvedere, não há nada de irregular na abertura de novas clínicas e na distribuição de candidatos. “A divisão é feita no sistema ‘um pra lá e outro pra cá’. É feita eqüitativamente e não há o que questionar”, afirma o médico. A reportagem tentou entrar em contato com o chefe do Detran em Minas Gerais, mas não obteve resposta.Movimento fracoDe acordo com o Carlos Cotta, o movimento diário na clínica ainda é pequeno. “É uma média de nove por dia em Fabriciano e acredito que isso reflita a baixa que há em todo o município. Antes era sobrecarregado”, afirmou o diretor.Já Wanda Diniz disse que o movimento anterior era o suficiente. “Volto a defender a idéia de uma divisão mais eqüitativa e maior rigor na fiscalização por parte do Detran. Meus funcionários já não têm tanto trabalho como antes, e isso nos deixa preocupada com o futuro”, questionou. Em relação a Ipatinga, o médico Carlos Cotta acredita que a abertura de novas clínicas pode levar alguns postos de atendimento a “quebrar”.DenúnciaEm relação à falta de médicos no período da manhã, especialmente às segundas, quartas e sextas-feiras, na clínica onde é diretor no bairro Cariru, Cotta garante que isso nunca aconteceu. “Estamos nos habituando aos poucos. Reclamações sempre vão existir, mas vamos trabalhar para dar mais agilidade ao serviço”, explica o médico.Candidatos à renovação de CNH em Coronel Fabriciano disseram à reportagem que falta experiência às funcionárias no atendimento. “Tudo é demorado e a falta de conhecimento do assunto acaba nos atrasando bastante”, criticou um motorista que busca a renovação da CNH.Nota de esclarecimento Com relação à matéria “Crise da CNH em Timóteo”, publicada no jornal Diário do Aço, a Polícia Civil esclarece que reconhece a deficiência na prestação do serviço da Divisão de Habilitação no município e na região do Vale do Aço. Para solucionar o problema, provocado com a aposentadoria e transferência de examinadores, essenciais para dar fluxo à demanda, está previsto para o próximo mês de junho o início da realização de curso pela Academia de Polícia (Acadepol) a examinadores para recompor a banca. Enquanto isso, por determinação da chefia da Polícia Civil de Minas Gerais, delegado Marco Antônio Monteiro de Castro, e do diretor do Detran, delegado Oliveira Santiago, para amenizar o problema, já está agendada a ida da banca volante do Detran, com 26 examinadores, ao município de Timóteo, com a perspectiva de realizar em dois dias cerca de mil exames de direção. Mensalmente, são realizados na região, em média, cerca de 2.500 exames de direção e 1.350 de legislação. Em Timóteo, a média é de 700 exames mensais.Roberto Bertozi
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