25 de maio, de 2008 | 00:00

Alimentos sustentam crescimento

Brasil é tido como a “solução óbvia” para conter a elevação dos preços

Divulgação


Brasil tem atualmente uma ótima oportunidade para melhorar sua posição
DA REDAÇÃO – “O Brasil tem atualmente uma ótima oportunidade para melhorar sua posição no comércio mundial de alimentos”, afirmou o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB), em discurso pronunciado da tribuna da Câmara dos Deputados. “As crises sempre vêm acompanhadas de boas oportunidades. É dessa forma que o Brasil deve encarar a alta internacional dos preços dos alimentos: com preocupação por uma possível escassez, mas disposto a aproveitar todos os espaços que surgirem para consolidar e ampliar sua posição no comércio mundial”, completou o parlamentar.Conforme o deputado, apenas no último ano os preços dos produtos alimentares subiram, em média, 57%, e alguns deles tiveram aumentos espantosos: o do trigo chegou a 130%, o da soja, a 87%, e o do arroz, a 74%. “A globalização traz benefícios, mas também dissemina os problemas. O Brasil, um grande produtor, está sentindo os reflexos da alta em alimentos essenciais à nossa dieta. Em Belo Horizonte, o preço do feijão quase triplicou em 12 meses, e o do arroz subiu 22%, mesmo percentual verificado nos derivados do trigo, como o pão e as massas”.Inflação boaAo afirmar que ninguém gosta de pagar mais caro por produtos tão importantes, Leonardo Quintão entende que o presidente Lula acertou ao observar que essa é ‘uma inflação boa’. “É que grande parte dessa alta significa que mais pessoas estão tendo acesso a uma alimentação de qualidade, e isso acabará induzindo o aumento da produção”, resume.China, Índia e Brasil, que somam mais de um terço da população mundial – disse Leonardo –, estão à frente do grupo de países onde o consumo de alimentos aumentou. “São economias em crescimento, com tendência de alta no padrão de consumo de suas populações, impulsionada pela melhoria da renda dos trabalhadores”.Segundo ele, a solução lógica não é reduzir o consumo, mas aumentar a oferta – e aí entram em jogo enormes interesses que precisamos superar para garantir ao Brasil a liderança na produção de alimentos.“Agiram bem a Organização das Nações Unidas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional ao alertar para o problema da alta dos preços, que pode levar à fome cerca de 100 milhões de pessoas no mundo todo. Mas erraram, propositadamente ou não, os que atribuíram a culpa por essa ameaça à produção de biocombustíveis”, argumenta.Barreiras ao BrasilConforme Leonardo Quintão, em matéria publicada no final do mês de abril, o diário britânico observou que o nosso país tem grandes áreas cultiváveis desocupadas e de fácil aproveitamento. O problema, segundo o mesmo jornal, ‘é que a maior parte da produção agrícola brasileira continua enfrentando tarifas proibitivas e outras barreiras colocadas pelos mercados desenvolvidos na Europa e nos Estados Unidos’.“Tratando-se de uma publicação insuspeita, por sua origem, nem preciso dizer muito mais. É claro que o caminho para evitar a escassez de alimentos e a alta de preços passa pela eliminação dos subsídios nos países ricos, como sempre defendeu nosso ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. São esses subsídios, tão convenientes para os produtores europeus e norte-americanos, que continuam matando muita gente de fome nos países mais pobres. O Brasil está no caminho certo ao apontar as causas da crise e ao defender sua tecnologia de ponta na produção de biocombustíveis. Este é um momento importante do panorama econômico mundial, e a forma como nos dispusermos a enfrentá-lo determinará muito do que seremos no futuro”, finaliza Leonardo Quintão.Problema dos EUA“A concorrência entre os alimentos e os biocombustíveis é um problema nos Estados Unidos”. Lá, continuou o deputado Leonardo Quintão, subsidiados pelo governo, agricultores já ocupam 4% de suas terras plantando milho destinado à produção de etanol, que responde por menos de 2% das necessidades de abastecimento de seus automóveis. “No Brasil, apenas 1% das terras cultiváveis é usada para produzir álcool e atender mais da metade do consumo dos nossos carros. Além disso, como o plantio de cana-de-açúcar exige rotatividade de culturas, a expansão dos canaviais implica, necessariamente, no desenvolvimento de outras lavouras, como as de soja e feijão”, esclareceu.Mais uma prova eloqüente de que nosso programa de biocombustíveis não interfere nos alimentos, segundo o parlamentar, veio agora, no dia 8 de maio, com a divulgação, pelo IBGE, da quarta estimativa de safra agrícola em 2008. Segundo essa previsão, o país produzirá este ano 142,6 milhões de toneladas de grãos, ou 7,2% a mais do que em 2007.“Ora, se ao mesmo tempo sabemos que o Brasil nunca cultivou tanta cana-de-açúcar, e que hoje o consumo de álcool combustível já é maior do que o de gasolina, como insistir na alegação absurda de que o etanol atrapalha a produção de alimentos?” – questiona Quintão.A resposta ele dá em seguida: “Ao contrário, à medida que pudermos estender em larga escala o programa de biocombustíveis ao transporte de cargas, com o uso do biodiesel, estaremos contribuindo para estancar a alta nos alimentos, em cuja origem está também a disparada dos preços do petróleo. Por tudo isso é que defendo uma postura de cautela diante da crise, mas de determinação para não desperdiçar as oportunidades que ela traz. Aliás, o prestigiado jornal inglês Financial Times já se manifestou no mesmo sentido, ao observar que o Brasil “é a solução óbvia” para o problema da elevação dos preços dos alimentos”, ponderou o deputado Leonardo Quintão.
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