29 de maio, de 2008 | 00:00
Morador de rua se recusa a procurar posto médico
IPATINGA Na tarde de ontem, o autônomo Antônio Caetano da Silva, morador do bairro Tiradentes, falava insistentemente ao telefone nas proximidades de uma agência bancária no Centro. Ao ver a reportagem, apontou para uma pessoa, sentada na calçada, e questionou: Podemos aceitar isso?”. O autônomo tentava encontrar ajuda para um andarilho que perambula pelas ruas do Centro e carrega na perna direita uma ferida que aumenta a cada dia. Antônio Caetano disse que há uma semana viu o andarilho com a perna machucada e ontem o encontrou em uma situação ainda pior. Ipatinga é uma cidade rica e não pode permitir uma coisa dessas. Não interessa de quem se trata. Ali nós temos um ser humano”, afirmava. Segundo Antonio Caetano, sua primeira providência foi acionar o Serviço Móvel de Urgência (Samu), mas o atendimento não se enquadrava como emergencial. Telefonou então para a Polícia Militar, mas também pelo 190 foi informado que o caso não era da alçada da segurança pública. No Pronto-Socorro, foi informado que o procedimento correto é que o paciente procure uma unidade de saúde para ser atendido e ter a ferida tratada. Entendi o lado de cada um, mas o fato é que esse ser humano precisa ser atendido. Está abandonado e totalmente excluído. Precisa é ser levado, nem que seja à base da força, para ter curada essa ferida”, afirmou.Quem é?O andarilho em questão disse que se chama Marcos Tavares, 43 anos. Não tem documentos e informou que veio de Aimorés para Ipatinga em 1979. Admitiu que atualmente não tem residência fixa e mora nas ruas em Ipatinga. Segundo Marcos, que não esconde a dor, a ferida começou com um arranhão de nada”, mas inflamou e acabou se espalhando. O andarilho também disse que não foi procurar ajuda médica porque nas unidades de saúde é uma agonia danada” para ser atendido. Não tenho paciência para isso. Hoje mesmo mandei no machucado um mata-bicheira que um amigo me deu. Dói muito. Será que você não pode me comprar uma faixa para tapar isso?”, pediu o andarilho, que reafirmou sua disposição de não procurar o posto médico.
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