08 de junho, de 2008 | 00:00
Economia são decisões simples
Jornalista Míriam Leitão fala do carinho pela região e dos desafios da profissão
IPATINGA Quem vê a jornalista Míriam Leitão fazendo suas análises sobre a economia nacional e internacional, com uma postura séria e comedida, talvez não imagine como essa mineira de Caratinga seja uma mulher simples e muito bem-humorada. Este é o outro lado que a comentarista de economia mostrou durante entrevista ao DIÁRIO DO AÇO e na palestra que ministrou na cidade, na quinta-feira (5). Fora do foco das câmeras da Rede Globo, dos gravadores da rádio CBN e dos textos do jornal O Globo, Míriam falou de economia e sobre o seu ofício de maneira descontraída.Míriam Azevedo de Almeida Leitão nasceu em Caratinga no dia 7 de abril de 1953. Casada, mãe de dois filhos, a jornalista trabalha nas Organizações Globo desde 1991, onde escreve coluna diária no O Globo, republicada em diversos jornais do país, faz dois comentários por dia na rádio CBN, um programa de entrevistas na Globonews, comentários no telejornal Bom Dia Brasil e agora no Globo Online.Formada pela Universidade de Brasília, Míriam foi para o Espírito Santo no começo dos anos 70, onde começou a trabalhar em jornal e rádio e passou uns meses na prisão por militância contra a ditadura. Em 1977, retornou a Brasília para trabalhar, durante cinco anos, como repórter de assuntos diplomáticos na Gazeta Mercantil. Já em São Paulo, onde morou na primeira metade dos anos 80, trabalhou na editoria de Brasil da Veja e foi repórter e entrevistadora da Abril Vídeo. No Rio, a partir de 1985, atuou como editora de Economia do Jornal do Brasil e colunista.Ao longo de sua carreira, Míriam fez viagens profissionais a mais de 20 países, como quase todos da América do Sul, Moçambique, Angola, Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos. Dentre os prêmios recebidos estão o Ayrton Senna de Jornalismo Econômico” (2004), o Jornalismo para a Tolerância”, da Federação Internacional de Jornalistas (2003), o Orilaxé”, do grupo Afroreggae (2003), e o Maria Moors Cabot Prize”, da Universidade de Columbia (2005). Mesmo tendo rodado por vários Estados, a jornalista faz questão de deixar claro o seu orgulho de ser mineira e afirma: Minas é o único Estado onde até as pessoas que não são daqui se sentem em casa”. Confira trechos do bate-papo.DA Qual é a sua relação com a região? Míriam - Meus irmãos moram aqui. Tenho muito carinho por Caratinga, pela região toda. Hoje (quinta-feira) foi um dia muito atribulado, mas a sensação de volta pra casa é reconfortante. Eu estava cansada, mas ao mesmo tempo animada, porque estava voltando. É uma relação de muito carinho.DA A economia, para alguns, parece algo complicado. Como você enxerga esse universo para traduzi-lo de maneira simples em seu trabalho? Míriam É simples. Economia é aquela coisa que todo mundo faz. As pessoas tomam decisões e por isso as coisas acontecem. Se todo mundo resolver comprar imóvel teremos um boom imobiliário; se decidir sair de uma cidade ela vai entrar em colapso; se todo mundo poupar mais o país fica mais forte. Então, a economia não é uma coisa abstrata que está na cabeça dos economistas, ela é a soma das decisões individuais. As pessoas têm que estar bem informadas sobre o contexto para tomar suas decisões de forma mais sábia. Para mim, economia nunca foi uma coisa complicada, mas sim as decisões mais simples. As pessoas que acham que não sabem economia estão tomando, às vezes, decisões muito inteligentes e racionais. E, ao defenderem seus interesses, elas acabam cuidando dos interesses gerais. Então, tudo gera economia.DA Para você, qual o papel do jornalista nesse contexto?Míriam O jornalista tem que intermediar. Porque jornalista tem que entender que ele é jornalista. Como? O jornalista não é economista, político ou produtor cultural. Ele é o meio do caminho, daí a palavra mídia, meio. Então, ele é responsável por intermediar todos os especialistas e não especialistas em cada área. DA Como você vê a relação dos cursos de Comunicação e a realidade do mercado de trabalho?Míriam - Eu critico muito os currículos dos cursos de Comunicação. Fico querendo que tenha mais cultura geral, até porque a mídia muda tanto que não adianta você querer ensinar só a técnica. Tem que ensinar também a interpretar o mundo da informação, da política, a economia e a história. Então, acho que jornalista tem que estudar a vida inteira, ele não pode se satisfazer só com o curso de Comunicação. Tem que ir mais adiante. Eu te dou um conselho de jornalista mais velha para jornalista mais nova: eu estudo todos os dias, todos os dias eu estudo alguma coisa, tem que estudar todos os dias. É esse o conselho que dou também para os estudantes jornalistas: leiam muito, leiam coisas que aparentemente não têm nada a ver com vocês. Leiam poesia. Polliane Torres
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