08 de junho, de 2008 | 00:00

Prejuízos para o turismo

Circuito Mata Atlântica ainda está no papel e Parque continua fechado

Custódio Ribeiro


Portal em Marliéria: município perde o rumo no Circuito Mata Atlântica
MARLIÉRIA – Um parque estadual parcialmente fechado, um circuito que não funciona, uma sinalização turística que nunca foi instalada e uma região que cresce e demanda atividades de lazer e de ecoturismo. Assim está a situação do Circuito Turístico Mata Atlântica de Minas. Apresentado há oito anos, o circuito, apesar de tímidos esforços, não saiu do papel. As ações caminham a passos lentos, ao contrário do desenvolvimento da região. Um dos mais antigos defensores da atividade, o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Coronel Fabriciano, Bruno Torres, afirma que não há outra saída para resolver questões essenciais da atividade turística sem a instalação oficial do circuito. Apenas quatro municípios (Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Santana do Paraíso) concluíram o inventário turístico, mas falta a adesão de pelo menos mais um para viabilizar o projeto. O secretário lembra que o ícone do Circuito Mata Atlântica é justamente o Parque Estadual do Rio Doce, que guarda a maior porção contínua de Mata Atlântica da região Sudeste do país. “É inadmissível que esse parque fique parcialmente fechado para a atividade turística. O circuito é que tem competência para se manifestar em relação a isso e resolver as demandas que emperrem a atividade”, explica. No entendimento de Bruno Torres, Marliéria deveria ser o próximo município a realizar o inventário, pelo fato de sediar o portal de acesso ao parque. No entanto, o município ficou para trás nesse processo. Em Ipatinga, o presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Márcio Caldeira Pena, também defende a reabertura total do Parque Estadual do Rio Doce, para que a reserva cumpra o seu papel de ferramenta turística. Nesse sentido, mantém contato permanente com a diretoria do IEF. “A informação é que toda a estrutura está preparada para receber o turista em sua área de visitação, que recebeu investimentos de R$ 4 milhões, mas falta resolver os trâmites burocráticos para a concessão dos serviços”, explica.AbandonoAtualmente, o Circuito Mata Atlântica no Vale do Aço sequer tem um presidente. O último representante tinha sido escolhido em Timóteo, mas a constante troca de prefeitos ultimamente acabou por afastar o dirigente. Sem presidente, o circuito está sob responsabilidade do diretor executivo Ewerton Campos, de Ipatinga. Campos explicou que, em relação à composição do Circuito Mata Atlântica, já está confirmado que Jaguaraçu será o próximo município a concluir o inventário turístico, conforme negociação com a prefeita Célia de Oliveira Coelho (PR). No entanto, antes do começo do trabalho de duas universidades no inventário, espera-se a publicação de uma nova Instrução Normativa para a realização dos levantamentos, resultado de uma negociação entre os governos estadual e federal.Campos também lamenta o fechamento parcial do Parque Estadual do Rio Doce desde março do ano passado. No entendimento do gestor do circuito, trata-se de uma perda muito grande para a atividade turística. Afirma que o Parque do Rio Doce tem estrutura invejável, possui um plano de uso público, reserva 0,7% de toda sua área para visitação da população. “É uma atividade sustentável, com projetos de educação ambiental para freqüentadores e não podemos admitir que uma área dessas fique fechada”, conclui Ewerton Campos.    
Arquivo/DA


Restaurante fechado: atrativo a menos no Circuito Mata Atlântica
Licitação a caminho, diz IEFAtualmente, o Parque Estadual do Rio Doce, cuja entrada fica na MG-760, só recebe visitantes das 8h às 17h, com entrada gratuita. No entanto, a reserva está sem os serviços de acampamento, restaurante, aluguel de barcos e centro de atendimento ao ecoturista. O contrato com uma empresa privada foi suspenso no começo de 2007 e o Instituto Estadual de Florestas informou que ainda no ano passado seria lançada uma licitação para contratar outra empresa, que ficaria responsável pelo funcionamento dos serviços. Mas a burocracia estatal atrasa a licitação. Na sexta-feira, 6, a Assessoria de Imprensa do IEF em Belo Horizonte informou que o edital ainda será publicado. A expectativa do gerente de Áreas Protegidas do IEF, Roberto Alvarenga, é que essa publicação seja feita ainda este mês, mas não há data certa para isso.Alex Ferreira
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário