10 de junho, de 2008 | 00:00
Apoio rumo à sobriedade
Alcoólicos Anônimos, presentes em 150 países, comemoram 73 anos
IPATINGA - No domingo, a Escola Estadual Manoel Izídio, no Centro, sediou o 1º Simpósio dos Doze Conceitos, evento que também comemorou os 73 anos de surgimento dos Alcoólicos Anônimos (AA). Apesar de ser um evento exclusivo para membros do AA, o simpósio comemorou os avanços da organização que virou referência no auxílio às pessoas que desejam se livrar do alcoolismo. No Vale do Aço, a irmandade existe desde 1974, quando foi formado o primeiro grupo, em Coronel Fabriciano. Em maio de 1978, Ipatinga recebeu seu primeiro núcleo, o Grupo Reintegração. Nos anos seguintes, houve a abertura de novos grupos do AA nos demais municípios do Vale do Aço, expandindo os fundamentos de seus fundadores, Bill W. e Dr. Bob. Os dois tinham em comum o histórico de serem profissionais bem-sucedidos, mas com carreiras arruinadas por causa da bebida. Bill havia sido corretor da bolsa de valores de Nova Iorque e Dr. Bob um grande cirurgião que deixou de clinicar em função do alcoolismo. Os dois acabaram se conhecendo em Akron, Ohio, e descobriram que, enquanto falavam de suas experiências como bebedores, a vontade de beber desaparecia. Assim, chegaram à conclusão de que somente um alcoólatra poderia ajudar outro alcoólatra. A iniciativa acabou ganhando adeptos em outros países e hoje está presente em 150 nações. No Brasil, estima-se que a irmandade seja formada por 120 mil membros.Em entrevista concedida ao DIÁRIO DO AÇO, três antigos integrantes do AA, que não podem ser identificados em razão da tradição de anonimato seguida pelos Alcoólicos Anônimos, informaram que o público que procura a ajuda da irmandade vem mudando nas últimas décadas. Atualmente, adolescentes na faixa etária entre os 16 e 17 anos participam de vários grupos do AA na região, o que demonstra o aumento do consumo excessivo de bebida alcoólica entre a população mais jovem. Em algumas comunidades de Ipatinga onde o AA está presente, há registros de adolescentes de 12 e 13 anos nas reuniões. É um indício da facilidade para se adquirir bebida nos dias de hoje, mesmo por crianças e adolescentes”, informam os integrantes ouvidos pela reportagem. Apesar de não trabalharem com estatísticas, eles calculam que a maioria dos membros consegue manter-se sóbria. Raramente vimos alguém fracassar quando segue cuidadosamente nosso caminho. Os que não se recuperam são pessoas que não conseguem ou não querem se entregar por completo a este programa simples, em geral homens e mulheres que, por natureza, são incapazes de ser honestos consigo mesmos. O programa proposto pelos Alcoólicos Anônimos não se propõe simplesmente a parar de beber. Trata-se de uma reformulação de vida”, explicam.RecuperaçãoPara ingressar na irmandade, o primeiro passo é querer parar de beber. Se você quer beber, o problema é seu. Se quiser parar de beber, o problema é nosso”, diz um dos lemas da irmandade, que adota uma postura não-punitiva e evita juízo de valor sobre os seus membros recém-ingressos. Conforme os integrantes ouvidos pelo DIÁRIO DO AÇO, para ser admitido no AA não há taxas nem mensalidades. A única exigência é o desejo de abandonar a bebida. Ninguém declara endereço ou profissão, classe social ou poder econômico, ideologia política ou crença religiosa. Os membros do AA são protegidos pelo mais absoluto anonimato, que, além de preservar a identidade dos alcoólicos, afasta qualquer idéia de projeção pessoal ou de terceiros que possa contaminar a estrutura da irmandade, regulamentada pelas Tradições (normas condensadas pelos pioneiros e aprovadas democraticamente, que asseguram a unidade da instituição). Apesar de não se vincular a nenhuma religião ou seita, o AA prega ser impossível vencer o alcoolismo sem a proteção de um ser superior, de um ente supremo que ajude o alcoólico a manter a sobriedade.Segundo os membros da irmandade, nada é obrigatório no AA. No entanto, o primeiro passo para a recuperação é admitir a existência de uma doença, o alcoolismo, porque enfrentar o problema e alcançar a sobriedade só é possível se houver esforço e empenho pessoal do interessado. Mesmo que haja recaída, as portas do AA estarão sempre abertas e os companheiros acolherão o dependente que retorna sem críticas nem censuras”, informam.Organização democráticaNo AA todos são iguais. Não existem chefes. Qualquer decisão, depois de debatida, é posta em votação e predomina a vontade da maioria. Essa organização funciona sem deslizes, porque todos estão imbuídos da responsabilidade que têm perante si próprios e o grupo. O AA não aceita doações de particulares nem de órgãos públicos ou privados. Não aceita, também, trabalho voluntário. Os encargos ficam todos por conta dos membros da irmandade composta apenas por alcoólicos. Nas reuniões, também participam profissionais da área de saúde e clérigos. Para J., que participa do AA desde a sua fundação em Ipatinga, a recuperação de seus membros sugere analogia com a fênix. Assim como o pássaro da mitologia grega, que renascia das próprias cinzas, nós voltamos a conquistar o amor da família e a nossa reintegração à sociedade. Mesmo após chegarmos ao fundo do poço e perdermos a alegria de viver, conseguimos passar por cima de tudo e retornar às nossas mais antigas esperanças. Vencer esta batalha não seria possível sem a ajuda do AA”, conclui. Os interessados em saber mais informações sobre o AA podem obter mais detalhes sobre o trabalho da irmandade no site www.alcoolicosanonimos.org.br.
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