18 de junho, de 2008 | 00:00
Professores ameaçam greve
Trabalhadores da rede estadual param trânsito na 381 em ato público
IPATINGA Ato público macrorregional ontem à tarde reuniu estudantes, professores e sindicalistas ligados à área da educação nas regionais do Vale do Mucuri, Vale do Rio Doce, Vale do Aço e parte da Zona da Mata. Em Ipatinga, 17 das 24 escolas da rede municipal paralisaram as atividades para aderir ao protesto. A manifestação em frente à Praça do Massacre, às margens da avenida Pedro Linhares, no bairro Ferroviários, chegou a parar o trânsito por cerca de 15 minutos na pista sentido Centro/Horto. Rapidamente formou-se uma fila de quase dois quilômetros. A Polícia Militar, atenta à manifestação, entrou em ação e obrigou os manifestantes a retirarem a barricada formada com pneus velhos. Ao som de berimbau e ao redor de um grupo de capoeira, manifestantes concentrados na grama às margens da rodovia gritavam palavras de ordem contra a política estadual de educação. Foram observados de longe por cerca de 20 policiais militares concentrados próximos à manifestação. A diretora de comunicação do Sind-Ute em Ipatinga, Márcia Leal, explica que em todas as regiões do Estado, ontem, foram promovidos atos em que trabalhadores da educação pediram melhorias no sistema de ensino. Queremos garantia da qualidade pedagógica”, destaca Márcia Leal. Os problemas, acrescenta a sindicalista, vão desde a precariedade física dos prédios do ensino até os salários dos profissionais. A realidade não é compatível com o que o governo coloca na mídia”, insiste a professora. Os trabalhadores da educação também aguardam convocação para uma negociação. Caso não tenham retorno, prometem nova paralisação dia 2 de julho para colocar em votação uma greve por tempo maior.ForninhoO estudante do 3° ano do ensino médio na Escola Estadual Haydêe de Souza Abreu, Fabiano Ferreira dos Santos, veio de Timóteo para participar da manifestação dos professores em Ipatinga. Segundo o aluno, houve uma decisão colegiada dos estudantes para o apoio ao ato público. Fabiano disse que os jovens entendem as razões da manifestação dos professores diante dos salários chamados por ele de horríveis”. Um trabalhador que recebe entre R$ 400 e R$ 500, já chega à sala de aula desanimado”, avalia. Fabiano, que é presidente do grêmio estudantil Unidos Podemos Fazer História”, também lembra que sua escola funciona em um prédio alugado, improvisado e em condições inadequadas, no bairro Limoeiro. Lá, há uma sala que já ganhou o apelido de forninho”. No espaço cabem 20 alunos, mas há ocasiões em que 40 pessoas se amontoam na sala com ventilação precária e alguns passam mal. Cadê a prometida construção da sede definitiva da escola?”, questiona o estudante. GeraçõesProfessora do ensino fundamental na Escola Estadual Vale do Mucuri, em Nanuque, Neide Ramos disse que acompanha a mobilização dos trabalhadores em educação há muito tempo. Acredito na educação pública de qualidade. Só precisamos da vontade política para que ela aconteça. Não podemos nos deixar enganar e estamos aqui para mostrar o quanto nosso trabalho é prejudicado pelas condições pífias de nossas escolas”, afirmou.A educadora também lembra que as manifestações pela qualidade no ensino fazem parte de uma luta antiga em Minas Gerais. Essa luta atravessa gerações. Os alunos que participam dessa manifestação hoje são filhos das pessoas que há 20 anos já conviviam com essa dificuldade”, resumiu Neide Ramos.Alex Ferreira
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