21 de junho, de 2008 | 00:00

Desbarrancamento gigante

Origem do assoreamento do rio Doce resiste a projeto de recuperação

Wôlmer Ezequiel


Falta da mata ciliar provoca estragos na margem do rio Doce
IPATINGA – Assoreamento, desmatamento na margem direita, desbarrancamento de encostas, desmatamento, falta da mata ciliar e acúmulo de lixo. O trecho de 40 quilômetros do rio Doce entre a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Copasa, em Ipatinga, e a Cachoeira de Santana, perto de Revés do Belém, é uma mostra do que ocorre ao longo dos seus 853 quilômetros percorridos em Minas Gerais e no Espírito Santo. É o que relata a Caravana Ecológica promovida pelo 4º Pelotão de Meio Ambiente, que no sábado, 14, levou um grupo de ambientalistas e observadores para avaliar a situação do rio. A geógrafa Janice Rodrigues Ferreira observa que a ação da população ribeirinha agrava a situação do rio, que já é crítica. Janice lembra que a margem direita, na descida do rio, é a mais degradada. A margem esquerda é protegida pela mata do Parque Estadual do Rio Doce, mas do outro lado, explica a geógrafa, a conseqüência da falta da mata é nefasta. Dirigente da Associação dos Pescadores do Rio Doce e seus Afluentes, a geógrafa Janice Rodrigues conta que o caso mais gritante ocorre em três pontos específicos, onde a falta de vegetação permitiu que há muitos anos se formasse uma erosão na margem direita do rio, onde o terreno é arenoso. Em conseqüência, milhões de toneladas de areia já foram carreadas para o leito e ajudam a formar os bancos de areia que se estendem por vários quilômetros. Há oito anos, conta Janice, a Aspard tenta recuperar as áreas, mas não encontra ressonância a esse apelo.Eucalipto Parte da área na margem direita do rio Doce é de propriedade da Cenibra, inclusive os lugares onde estão os desbarrancamentos. O estrago foi causado há muitos anos, quando a área era explorada por proprietários rurais que não adotaram cuidados com o manejo do gado às margens do rio. “Cortaram a mata ciliar e os estragos agora são visíveis”, diz a geógrafa Janice Rodrigues. A Cenibra, que nos últimos dez anos tem comprado terras naquela região, está obrigada a recuperar as matas ciliares e não pode plantar eucalipto nas margens. Segundo a Assessoria de Imprensa da empresa, 35 quilômetros da mata ciliar já foram recuperados com plantio de mudas de espécies nativas. “São as condicionantes que a empresa deve cumprir por utilizar as áreas no plantio de eucalipto”, explica o tenente César, comandante da Polícia de Meio Ambiente. ConscientizaçãoAlém da Cenibra, há ainda às margens do rio muitos pequenos e médios proprietários. No entendimento de Janice Rodrigues, só o trabalho insistente de conscientização poderá reduzir os impactos da presença do homem nas proximidades do rio Doce. “Moram há muitos anos no local e é difícil fazê-los entender que as atividades sem cuidados necessários ameaçam o recurso natural. Mas alguns já entenderam isso”, explica.Janice acrescenta que a mudança do quadro de degradação é um desafio que precisa começar com os proprietários de terras com nascentes. “O baixo volume de água do Doce começa lá na nascente no pé da serra. Não há como começar do grande para o menor neste caso”, conclui.Alex Ferreira
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