22 de junho, de 2008 | 00:00
Lixo e desperdício de dinheiro
Caravana ecológica mostra montanhas de entulho às margens do rio Doce
IPATINGA No encerramento da série de três reportagens com o relato da Caravana Ecológica do Rio Doce, no dia 14 de junho, o DIÁRIO DO AÇO traz mais uma mostra dos estragos provocados por 326 anos de ocupação iniciada no século XVI por Borba Gato, o bandeirante paulista que, à procura de ouro, viveu por estas bandas entre 1.682 e 1.699 utilizando a navegação pelo Doce e seus afluentes. Na caravana de 18 barcos e 150 pessoas que subiu 40 quilômetros do rio na semana passada, entre Ipatinga e Revés do Belém, o assoreamento e a redução do volume de água limitaram o tráfego de barcos em vários trechos, situação certamente impensada pelos seguidores de Borba Gato. A geógrafa Janice Rodrigues Ferreira observa que, em pleno século XXI, muitas pessoas ainda acreditam que os recursos naturais são infindáveis e ignoram estudos que comprovam a situação caótica do ambiente no planeta. Segundo ela, para muitas pessoas a preservação ambiental parece coisa distante, quando na verdade começa com ações simples, como economizar a água tratada. As pessoas se recusam a acreditar no que está em andamento em termos de devastação ambiental em âmbito mundial. Se formos observar na nossa região mesmo, vamos encontrar muitos córregos que sumiram nos últimos anos. Esses são os córregos que fazem falta ao Doce, cada vez menos caudaloso”, compara.LixoO término da viagem aconteceu na Cachoeira de Santana, local de difícil acesso onde as rochas, devido à ação contínua da água, ganharam formas curiosas. Mas a paisagem lunar” tem o curso natural alterado com o lixo lançado ao rio nas cidades que se localizam às margens do Doce. O comandante do 4º Pelotão de Meio Ambiente, tenente César Freitas, explica que próximo às cachoeiras o turbilhão expulsa” para as margens os materiais flutuantes. Na montanha” de lixo encontram-se principalmente garrafas pet, calçados, isopor e madeira de construção. O simples ato de jogar uma bituca de cigarro no chão implica isso aqui. Quem joga um toco de cigarro, joga também uma garrafa”, afirma o oficial. Além disso, o oficial observa que falta, por parte das empresas que utilizam plástico pet, a responsabilidade para recolher o material descartável ou incentivar a sua reciclagem. No caso das latas de alumínio, a reciclagem passa de 95% das embalagens colocadas no mercado e no pet não chega a 40%”, compara o oficial. FiscalizaçãoO presidente da Associação Regional de Proteção Ambiental do Vale do Aço (Arpava), Roberto Carlos Muniz, afirma que a cada subida do rio Doce fica clara a degradação do recurso natural, que pede socorro. Há muita coisa no papel, a ação prática da preservação fica sem efeito. A causa ambiental não pode esperar a morosidade dos investimentos do Estado”, afirma.Enquanto não aparecem ações concretas de preservação, Muniz defende que haja pelo menos a fiscalização das infrações mais graves. Nesse sentido, a Arpava trabalha em parceria com o Ministério Público de Meio Ambiente, para garantir a estrutura que a Polícia Ambiental precisa para a fiscalização, guarda ostensiva, aplicar multas ou efetuar a prisão dos degradadores. Foram adquiridos recentemente viatura, barcos, GPS, câmeras fotográficas, foi dado treinamento e foram promovidas campanhas de conscientização. Se depender só do Estado, isso demora muito”, afirma. A fonte de financiamento dessa estrutura, acrescenta Muniz, é um acordo com o Ministério Público. Quando o agressor do ambiente é apanhado, ele é intimado a comparecer no MP. Em alguns casos é firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em que a pessoa se compromete em repassar o valor da multa para a Arpava. Ponte Perdida virou laboratório do IEFLocalizada nas proximidades da Cachoeira de Santana, há uma ponte que até 2006 estava inutilizada. Apelidada de Ponte Perdida, a obra abandonada não é menos grave do que a degradação gritante do rio Doce, verificada na Caravana Ecológica da Polícia de Meio Ambiente. A ponte era parte de uma estrada que começou a ser construída nos anos 70 para interligar Revés do Belém a Timóteo, em um trecho de 12 quilômetros. Acontece que os ambientalistas, entre eles o atual secretário de Estado do Meio Ambiente, José Carlos de Carvalho, não concordavam com a construção porque a estrada passaria dentro da mata do Parque Estadual do Rio Doce. A obra parou na ponte. Agora secretário de Estado, José Carlos tratou de dar utilização à ponte que ajudou a embargar. Sobre sua estrutura foram montados laboratórios de pesquisas para o Instituto Estadual de Florestas. Alex Ferreira
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