29 de junho, de 2008 | 00:00
Recuperação de jovens dependentes
Missão Resgate vai completar 20 anos de importante trabalho social
Fotos: Wôlmer Ezequiel
Adolescentes passam o dia realizando atividades como leitura (foto), pintura, música e artes
IPATINGA - Entidade beneficente de assistência social fundada em 1988, em Ipatinga, e que trabalha em prol de crianças e adolescentes em situação de risco e com problema de drogas, a Missão Resgate completa em outubro deste ano 20 anos de existência. Conforme o coordenador da unidade de tratamento da entidade, Onézio de Barros, são duas décadas de muito esforço, trabalho e aprendizado.A Missão, reconhecida com o título de utilidade pública, atua na prevenção ao uso de drogas, no tratamento do dependente químico e na ressocialização de adolescentes, em muitos casos infratores e sem referência na vida fora da unidade. De acordo com Onézio de Barros, as dificuldades vão muito além de problemas financeiros e fechamento de caixa sem déficit.Trabalhar com adolescentes é muito complicado. Na verdade, aqui na Missão damos oportunidade de o adolescente trabalhar conosco. Quando chegam aqui não há nenhum tipo de respeito da parte deles, são agressivos e é preciso ter muita consciência para mudar a forma como agem”, diz o coordenador. Ele explica que a associação é uma entidade evangélica, mas que não discrimina outras religiões. Realizamos um trabalho espiritual e respeitamos todas as crenças. Importante mesmo é o fato de estarmos associados aos preceitos de Deus e dispostos a honrar o nome Dele”, explica Onézio.O coordenador revela que foi usuário de drogas e interno da Missão Resgate na década de 80. Já passei por problemas mais complicados que os adolescentes hoje na entidade. O que faço aqui é contribuir com essas crianças, da mesma forma que contribuíram comigo”, enfatiza.Políticas sociaisPara o presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), Leonardo Oliveira, além de ser importante para a recuperação de adolescentes, a entidade é de extrema importância para Ipatinga, por mostrar a preocupação da cidade em dar nova perspectiva de futuro a menores em situação de risco. Somos a única entidade que trabalha com adolescentes que utilizam drogas e que busca a melhoria constante da prestação de serviço a essas pessoas”, lembra.O período de recuperação varia de nove meses a um ano, conforme a reação de cada pessoa. Durante o tratamento, os adolescentes realizam trabalhos de limpeza dos quartos, roupas e do terreno. Estudam música, artes, pintura e contam ainda com uma biblioteca, onde exercitam a leitura diária. Momentos religiosos, educação física, atendimento e acompanhamento de assistentes sociais e psicólogos”, menciona Barros. Além dos monitores e voluntários, a Missão Resgate conta com o apoio da psicóloga Leni Valério, da estagiária de psicologia Ester Duarte e da assistente social Juliana Saraiva.
Onézio de Barros: tratamento começa quando há o respeito mútuo
Dificuldades financeiras com doações e Fundo da CriançaA última reforma no prédio da Missão Resgate foi feita com recursos do Fundo da Infância e Adolescência (FIA), no valor de R$ 30 mil. A verba foi utilizada para a construção de salas de atendimento psicológico. Na avaliação do coordenador da unidade, Onézio de Barros, o dinheiro foi utilizado numa obra emergencial e ainda faltam investimentos e doações para aplicação em outras áreas.As salas ainda não ficaram prontas e continuamos dependendo de doações para alimentação e outros gastos. Atendemos muitas famílias carentes que não têm condições de doar aquilo que a gente pede”, salienta Onézio. As doações são realizadas pela comunidade e igrejas. As famílias, quando podem, doam cestas básicas. O varejão Moreira doa mensalmente o arroz e a empresa Feijão Supang fornece o feijão.Para o coordenador da unidade de tratamento da Missão Resgate, é importante que as doações aconteçam para que os jovens tenham condições de ficar centrados apenas no trabalho realizado pela entidade. Assim, concentramos apenas numa formação do caráter, na mudança de atitude e comportamento. O que não pode é continuarem da forma como entram aqui, usuários de drogas fortes e muito violentos”, argumenta.Na avaliação de Leonardo Oliveira (CMDCA), é necessária uma mudança de concepção na sociedade para que meninos de 10 de idade, quando muito”, entrem no mundo das drogas. Hoje o contato com as drogas começa aos cinco, seis anos, exatamente porque convivem em meios férteis para isso. Precisamos criar políticas para preparar a criança, uma vez que esses problemas estão em evolução”, pontua Leonardo.Ele explica que será realizada uma política específica para mudar a situação, numa ação conjunta do Conselho da Criança e a Secretaria de Educação. Vamos formar uma equipe para abordar o usuário na rua. É um trabalho difícil, complicado, mas extremamente importante para mudar esse quadro que assola a região”, espera.Roberto Bertozi
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