12 de julho, de 2008 | 00:00

Qualificação demanda tempo

Sem mão-de-obra disponível, alternativa é o “aprender fazendo”

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Delegado defende plano de abrangência nacional para formação de profissionais
IPATINGA - Para Kleber Muratori, o grande problema da falta de qualificação é que já não há tempo para promover a formação adequada que atenda a demanda. “Não adianta imaginar que em quatro meses se consegue formar pintores, pedreiros e carpinteiros. Não é da noite pro dia. Algumas pessoas, além de não terem qualificação, não têm escolaridade, o que agrava ainda mais a situação”, pontuou. O delegado destaca que esse não é um problema regional. “Essa carência é observada no país todo. Para que o Brasil tenha condições de competir no mercado internacional, é indispensável um projeto abrangente de preparação dessa mão-de-obra. Países como a Coréia do Sul investiram primeiro na formação e depois conseguiram um crescimento de 8% a 10%. Nós temos dinheiro para investir, mas falta mão-de-obra. O investimento financeiro é rápido, mas a preparação das pessoas para a construção demanda tempo”, criticou.Kleber Muratori acredita que esse preparo deveria ter sido feito com mais antecedência e comparou o crescimento com uma fábrica de celulose. “Na produção de celulose, primeiro planta-se árvores e, quando elas estiverem quase no ponto de colheita, a fábrica é construída. Aqui não teremos tempo pra isso, vai ter que ser: aprender fazendo”, exemplificou. A manutenção dos profissionais qualificados na região também preocupa. “Vamos ter que lutar muito para não perdermos a mão-de-obra qualificada daqui. É preciso fazer um trabalho sério para correr atrás do prejuízo”, argumentou. A construção do Senai, que capacita jovens de 14 a 24 anos para o mercado de trabalho, não é suficiente para o atendimento à demanda, segundo Kleber. “A escola não foi preparada para esse pico de necessidade. É um centro de formação perene que não conseguirá suprir uma demanda. As obras são resultado de processo de licitação. E o prazo entre o resultado da licitação e o início da obra é curto. Os clientes não dão prazo pra treinar pessoas”, enfatizou. Reflexos negativosO progresso trazido à região com a expansão vai acarretar reflexos negativos também, na opinião de Kleber. “Só espero que a cidade se prepare pra evitar caos no trânsito e na segurança, por exemplo. Não podemos pensar só no aspecto positivo, e devemos trabalhar para que o impacto negativo seja o menor possível. A região será um atrativo para pessoas de outras regiões e não se sabe o caráter delas. Sem falar no aumento do número de acidentes. Toda a sociedade deve se organizar pra isso. Todos serão afetados. Não podemos só nos preocupar, temos que nos preparar. Até agora debatemos muito, agora é hora de colocar a mão na massa”, finalizou Kleber Muratori.
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