01 de agosto, de 2008 | 00:00

Estampas que contam histórias

No Dia Mundial do Selo, a fundadora do extinto Clube Filatélico Vale do Aço fala da atividade na região

Fotos: Polliane Torres


O gerente da agência central de Ipatinga, Catarino de Oliveira, acredita que apesar do aumento de tarifas o movimento não cairá
IPATINGA – Hoje é comemorado o Dia Mundial do Selo. A estampilha, usada geralmente como comprovante de postagem de correspondências, é objeto de desejo e respeito dos colecionadores que praticam a filatelia. Com o advento das novas tecnologias esse hobby teve o número de adeptos reduzido, inclusive na região. É o que conta uma das fundadoras do Clube Filatélico do Vale do Aço e funcionária dos Correios, Maria Suely Silva Carvalho. Segundo ela, a entidade foi fundada pelo pessoal da extinta agência do bairro Cariru, em 1982. Em 1993, um ano após o fechamento da filial, o Clube Filatélico também teve suas atividades encerradas. Maria Suely coleciona selos desde 1975 e possui cerca de 15 mil unidades. Mas há cinco anos ela deixou o hobby um pouco de lado. Ela conta que a Associação Filatélica chegou a ter 200 membros, entre adultos e crianças. Suely informou que, até 1993, o clube fazia trabalhos juntos às escolas no sentido de atrair os estudantes para essa prática. “Nós fazíamos exposições e oficinas. Estávamos sempre trabalhando com estudantes e no nosso clube tínhamos um grande número de associados mirins”, relatou. De acordo com a filatelista, as atividades do extinto clube eram intensas. “Vinha gente da região toda, inclusive de Caratinga e Valadares, para comprar selos. Mas, com o fechamento do clube e da agência, onde as atividades se concentravam, essa prática foi se perdendo aos poucos. Hoje, raramente aparece um ou outro colecionador. Infelizmente, essa atividade está perdendo adeptos”, disse. TrabalhoColecionar selos pode até parecer uma atividade simples. Mas os filatélicos devem seguir certas regras para conservar a coleção. Maria Suely explica que, para acondicionar de maneira correta os selos, a pessoa precisa ter uma guilhotina para cortar, uma pinça para manipular, uma lupa, uma pasta para montar a coleção e um classificador de selos onde eles são guardados antes de serem afixados na pasta. A estrutura da montagem dos selos segue um padrão semelhante aos trabalhos escolares. “Eles são separados por temas, possuem introdução sobre o assunto, roteiro, páginas numeradas e conclusão”, detalhou Maria Suely. A filatelista garante que esse tipo de paixão não custa caro. “Esse hobby não tem muitos custos financeiros. O selo mais caro custa R$ 4. Mas o colecionador tem que estar atento aos lançamentos e ir aos Correios para comprá-los”, comentou.

A filatelista Maria Suely Silva disse que colecionadores de selos estão ficando escassos na região
História Entre os vários temas registrados pela coleção de Maria Suely está a história dos Correios. Nas dezenas de páginas, as ilustrações dos selos retratam a evolução da comunicação entre os homens e a criação do próprio selo. A estampa filatélica foi criada em 6 de maio de 1840 pelo então ministro dos Correios da Inglaterra, Rowland Hill. Algumas páginas da coleção de Maria Suely são dedicadas a esse fato. “Antigamente, quem pagava pelas correspondências eram os destinatários. Certo dia, Rowland presenciou uma criada recebendo uma carta. Ela só olhou e devolveu o envelope ao carteiro. Questionada sobre o fato pelo ministro, ela disse que, para não ter que pagar pelo serviço, deveria ser criado um código para ser colocado do lado de fora do envelope. Com ele a pessoa já ficava sabendo da mensagem sem precisar abrir a carta. Então Rowland criou o selo como forma de comprovante de pagamento da correspondência e para organizar melhor o serviço”, relatou.  Aumento de tarifas não deve diminuir demanda na regiãoUm dos fatos que vêm gerando discussão é o aumento das tarifas dos serviços prestados pelos Correios, entre 8% a 15%, valores praticados desde ontem. O valor da carta não comercial, por exemplo, subiu de R$ 0,60 para R$ 0,65. Apesar do reajuste, a expectativa em Ipatinga é de que a procura permaneça a mesma. É o que garante o gerente da agência central, Catarino de Oliveira Freitas. “Como são serviços essenciais, acredito que a movimentação continuará a mesma”, disse. Catarino informou que, por dia, são entregues na cidade cerca de 53 mil cartas simples, formato que inclui todos os formatos carta, como correspondências bancárias, revistas e cartas comuns.Polliane Torres
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