02 de agosto, de 2008 | 00:00
Respeito à opinião pública
Estatístico afirma que fiscalização deixará pesquisas mais confiáveis
IPATINGA Nos próximos dias começam a sair as primeiras pesquisas de intenção de voto para as eleições municipais de 2008. Mergulhadas em polêmicas, as pesquisas tendem a mudar. Os estatísticos se profissionalizam mais, em nome da credibilidade do seu próprio trabalho. As leis que tratam das pesquisas também garantem maior rigor nos critérios para publicação de resultados. Ao passar por Ipatinga nesta semana para divulgar o resultado do Prêmio Notorius, o delegado da 5ª Região do Conselho Regional de Estatística (Conre-MG), Léssio Lourenço Nunes, explicou que a pesquisa de opinião pública por amostragem busca, em várias partes de um município, pessoas reunidas em grupos variados. Léssio é o responsável técnico pela pesquisa do Instituto Tabulare Consultoria, que realiza a pesquisa do Prêmio Notorius, e explica que os grupos da população são homogêneos em si, mas há diferenças entre eles. Devido a isso nós procuramos fazer uma amostragem que contemple variação de idade, faixas de renda e formação escolar. São vários os aspectos levados em consideração na hora de fazer uma boa amostragem”, explica.Léssio afirma que a pesquisa por amostragem tem se aperfeiçoado e com certeza é confiável, pois obedece a padrões técnicos e estatísticos. O delegado do Conre também lembra que, se todas as pessoas tivessem a mesma opinião, bastaria entrevistar uma pessoa, e essa entrevista representaria todas as outras. O técnico explica que, como essa homogeneidade total não acontece, mas as pessoas não são tão divergentes assim dentro dos grupos aos quais pertencem, a pesquisa científica busca uma amostra em cada grupo e consegue chegar a um resultado para toda a população. É por isso que, em uma cidade como Ipatinga, onde a população acima de 16 anos passa de 170 mil habitantes, a possibilidade de uma pessoa ser entrevistada em uma amostragem de 1.200 entrevistas é de 1%”, esclarece. Para o estatístico, isso explica por que muita gente reclama de nunca ter sido ouvida em pesquisas de opinião. RigoresSobre os questionamentos acerca da veracidade das pesquisas eleitorais, abundantes nos períodos de disputa de cargos eletivos, o delegado do Conselho Regional de Estatística Lessio Lourenço explica que tanto o Tribunal Superior Eleitoral quanto os tribunais regionais e também o Conselho Regional de Estatística têm fiscalizado sistematicamente os institutos de pesquisa. A empresa que faz a pesquisa precisa ser cadastrada no Coren, e a pesquisa precisa ter um projeto registrado na Justiça Eleitoral. A empresa só consegue o registro se tiver profissional qualificado para executar o trabalho.Léssio também acredita que as pesquisas com resultados manipulados estão com os dias contados. Falando em nome do Conselho de Estatística, o que nós queremos é que a fiscalização seja cada vez mais intensa, para termos pesquisas com um padrão técnico cada vez mais elevado”, esclarece.Na prática, o estatístico diz que a fiscalização atualmente acontece antes de a pesquisa ser divulgada. O delegado do Coren acrescenta que, no caso de suspeita de uma fraude em pesquisa, os dados ficam disponíveis e são abertos para auditoria de amostragem das entrevistas. Com isso, é possível saber se houve manipulação das informações, explica o estatístico.PenalidadesA divulgação de pesquisas fraudulentas gera penalidades, tanto previstas na Lei Eleitoral quanto no restante do ordenamento jurídico brasileiro. Léssio Lourenço Nunes lembra que, além da detenção de seis meses a um ano, há também multas que variam de R$ 53 mil a R$ 106 mil. A multa envolve tanto quem contratou quanto o fraudador da pesquisa. Pode ser uma empresa de pesquisa ou até um veículo de comunicação que publicou a pesquisa fraudada”, explica. Para pesquisas de opinião em outros eventos também há fiscalização acirrada, mas o estatístico alerta que é sobre a pesquisa de intenção de voto que tem havido maiores rigores na atuação do Tribunal Regional Eleitoral.Alex Ferreira
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