03 de agosto, de 2008 | 00:00

Retribuição social

Coordenador do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua fala de sua militância na área

Wôlmer Ezequiel


Fábio Darlan diz que é preciso investir mais em políticas públicas para crianças e adolescentes
IPATINGA – As medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que chegou à maioridade no dia 13 de julho, mudaram a vida dessas pessoas que antes não eram reconhecidas como sujeitos de direito. Algumas delas resolveram retribuir os benefícios trazidos pela Lei 8.069. Um exemplo disso é a história do motorista e coordenador do Movimento Meninos e Meninas de Rua, Fábio Darlan Martins, 24 anos. Desde os 12 anos de idade, quando integrava o extinto Clube dos Engraxates e Lavadores de Carro de Ipatinga, ele está envolvido com a causa.Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, ele contou que começou a se envolver com o trabalho voltado para crianças e adolescentes voluntariamente. “Hoje, sou coordenador do Movimento que trabalha com meninos em situação de rua, como engraxates e lavadores de carro. Eu trabalhava como voluntário ajudando os monitores. Fui aprendendo a me dedicar mais a essa área e trabalho lá até hoje”, disse.Fábio Darlan falou que sente necessidade de retribuir o acolhimento que teve quando era criança. “Eu me coloco no lugar de crianças e adolescentes com problemas em casa. Eu também já passei por isso. Hoje, posso partilhar o que aprendi nesses anos, trazendo para esses meninos um pouco de alegria através dos projetos. Não tive nenhum envolvimento com drogas e bebida, porque alguém chegou perto de mim e mostrou os meus direitos e deveres”, declarou.Ao falar sobre o ECA, Fábio Darlan rebate as críticas à lei. “Muitas pessoas dizem que ele só defende, mas não é isso. Ele mostra direitos e deveres também”, disse.Assistência Atualmente, o Movimento de Meninos e Meninas de Rua, localizado no bairro Planalto, atende a cerca de 50 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Segundo Fábio Darlan, o trabalho é feito com auxílio de psicólogos e assistentes sociais. “O Movimento trabalha juntamente com a família, fazendo visitas às casas das crianças para saber da situação em que elas vivem. Trabalhamos em parceria com outras entidades, como a Horta Comunitária. Oferecemos apoio pedagógico para aqueles que estão com dificuldades na escola. Damos todo acompanhamento na área social e pedagógica. Temos colhido grandes frutos de crianças e adolescentes que têm crescido na vida”, ressaltou.Projetos Além das atividades assistenciais já desenvolvidas, o Movimento tem outros projetos. Um deles pretende realizar ruas de lazer na cidade. “Queremos oferecer um momento de brincadeiras e serviços gratuitos, como corte de cabelo, por exemplo. Acredito que, com a aprovação do projeto, a quantidade de crianças atendidas pela entidade vai aumentar”, planeja.  Com a vivência acumulada nesses anos, Fábio Darlan acredita que ainda é preciso investir mais em políticas públicas para crianças e adolescentes. “Hoje, vivemos num mundo terrível, com pais matando filhos e vice-versa. A sociedade hoje em dia tem que olhar mais para as crianças e adolescentes porque elas são o nosso futuro. Temos que empregar mais recursos e mais investimentos em projetos nessa área. Hoje eu posso dizer que aprendi muito, e tento passar esse conhecimento pra frente. Não adianta você aprender e querer que isso fique só pra você. Quem se desenvolve e cresce na vida deve tentar ajudar a quem precisa. É importante partilhar o que você sabe”, finalizou Fábio.Polliane Torres
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