10 de agosto, de 2008 | 00:00

“Por acreditar no novo, na ética, coloquei o meu nome à disposição”

Rosângela Reis - Coligação Frente Popular Renova Ipatinga

Divulgação

A candidata do Partido Verde a prefeita de Ipatinga, Rosângela Reis, entra na disputa lastreada por uma trajetória meteórica. Eleita vereadora em Ipatinga pela primeira vez em 2000, conquistou novo mandato com uma grande votação, situação que se repetiu quando concorreu à Assembléia Legislativa. A deputada estadual, que representa a Frente Popular Renova Ipatinga (PV, PDT, DEM, PHS, PSDC, PRP), afirma que a sua candidatura representa o novo e foi lançada em nome da ética na política. O candidato a vice na chapa de Rosângela é o médico Juliano Nogueira (DEM).Qual a proposta para a área da educação, levando-se em conta questões como os programas de alfabetização, valorização do professorado e melhoria da qualidade do ensino público? Em primeiro lugar, é preciso repensar o conceito pedagógico e o método de ensino-aprendizagem das escolas da rede municipal. Atualmente muitos estudantes terminam o primeiro ciclo sem saber Português, Matemática, Ciências e Conhecimentos Gerais. É preciso estabelecer uma nova forma que prepare o aluno para o conhecimento crítico da realidade e para o mundo do trabalho, cada vez mais competitivo. É preciso inserir, ainda, novas disciplinas na grade curricular, como a Educação Ambiental, a Educação para o Trânsito, entre outras, que podem ser tratadas interdisciplinarmente. Ampliar o ensino profissionalizante a toda a cidade é outra meta de nossas Diretrizes de Governo.A valorização dos (das) trabalhadores (as) em educação por meio de melhoria dos salários, reciclagem permanente e inúmeras intervenções possíveis, que devem passar por um amplo debate envolvendo toda a categoria, a partir de uma relação democrática e de diálogo, no contexto da implantação do Plano Decenal de Educação. A construção de novas escolas, ampliação, manutenção das já existentes; além de investimentos na informatização e em laboratórios também integram nosso rol de propostas para melhorar o nível de ensino.Ainda em nossas Diretrizes de Governo reservamos atenção especial para a Escola em Tempo Integral. Trata-se de um projeto piloto no município para manter o aluno na escola durante todo o dia, com a infra-estrutura, alimentação, recursos pedagógicos e didáticos para estimular o processo ensino-aprendizagem e transformá-lo numa atividade prazerosa, atrativa e eficiente. O atendimento da saúde pública esbarra em gargalos como atendimento das especialidades médicas, filas de espera, necessidade de ampliação do PSF e garantia de medicamentos para a população carente. Quais as suas propostas? Nossa principal proposta para a saúde é a implantação das unidades de Pronto-Atendimentos (PAS), que são intermediárias entre o Pronto-Socorro e as unidades básicas. Serão realizados nos PAS atendimentos de urgência, como pequenas cirurgias e outros procedimentos, reduzindo a demanda no Pronto, contribuindo para desafogar as unidades básicas e reduzir as filas. Nossas Diretrizes de Governo apontam ainda a necessidade investir na saúde preventiva; realização de concurso público para contratação de mais profissionais de saúde e a valorização daqueles já existentes, tanto do ponto de vista técnico-profissional como salarial. O combate ao desperdício de medicamentos é outra questão crucial.  Neste sentido, vamos promover a catalogação criteriosa dos usuários e uma nova sistemática de distribuição dos medicamentos recebidos do SUS ou adquiridos pelo próprio município.Na Audiência Pública que realizamos em Ipatinga em 29 de maio, a Gerência Regional de Saúde constatou que para 753 mil habitantes (população estimada do Vale do Aço), seriam necessárias 318 equipes de saúde da família em campo, mas apenas 127 estão credenciadas, portanto, há um déficit de 40%.  Esses são dados regionais, mas nossa proposta é zerar o déficit. A frota circulante cresce a cada dia e tende a aumentar com a previsão dos investimentos na indústria na região. Como é sua proposta de gerenciamento de transporte e trânsito?  Haverá investimento em fiscalização eletrônica?Juntamente com a saúde, segurança e educação, o trânsito é outro eixo fundamental de nossas Diretrizes de Governo. Os investimentos no setor não acompanharam o crescimento acelerado do número de veículos e o que se vê hoje é o aumento dos acidentes, muitos com vítimas fatais, e engarrafamentos em diversos pontos da cidade. As respostas para os problemas são medidas paliativas e a completa falta de políticas públicas para resolver o problema. Pretendemos realizar um planejamento ousado e envidar esforços para carrear recursos, seja do governo federal ou externos, para investimentos em novos equipamentos urbanos, ampliação da malha viária com a construção de pontes, viadutos, passarelas e ciclovias. Defendemos ainda a construção das “ecovias”, que são vias alternativas para escoamento do tráfego urbano, como a nova estrada ligando o Centro às regionais 8 e 5 às margens do ribeirão Ipanema, o que exige um reordenamento do  tráfego na área urbana e no centro da cidade – que ao nosso ver precisa ser totalmente revitalizado, principalmente na área comercial. Outras medidas em relação ao trânsito são: instalação de defensas ao longo de todos córregos e canais; a melhoria da sinalização vertical e horizontal; estudos para o redirecionamento do fluxo de veículos em diversas vias; implantação da disciplina Educação para o Trânsito nas escolas municipais; e campanhas educativas permanentes para motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas. Temos muitos bons exemplos no Brasil e na América Latina, como o Programa Cidadão em Trânsito, em Curitiba, e as políticas implantadas em Bogotá, na Colômbia, para mudar o comportamento dos motoristas.Quanto ao investimento em fiscalização eletrônica, pensamos que ele deve ser feito, mas com caráter educativo e não punitivo, isto é, não deve ter como objetivo aumentar a arrecadação, mas educar as pessoas e disciplinar o trânsito na cidade.Como será a relação com o Ipatinga Futebol Clube?O Ipatinga FC engrandece e eleva o nome de nossa cidade no país, portanto, merece todo o nosso apoio, assim como o futebol amador e o esporte especializado de Ipatinga. Entendemos ainda que o Ipatinga contribui para alavancar não só esporte regional e o nome da cidade, mas a economia do município. Nossa relação com o Ipatinga vai ser respeitosa e de valorização. Entretanto, compreendo que tal apoio deve ocorrer dentro dos limites éticos que devem pautar nossa relação com todos os clubes, de forma justa, equilibrada e autônoma.O esporte é instrumento poderoso na melhoria da qualidade de vida das pessoas e em nossa gestão terá destaque especial e que irá motivar e dar condições para a prática dos esporte profissional e amador entre os jovens, adultos e idosos. E na área da política habitacional? Só na Associação Habitacional de Ipatinga a fila de espera chegava a 3 mil famílias antes do anúncio da expansão industrial. Como será sua política de atendimento a essa demanda crescente?   O déficit habitacional de Ipatinga precisa ser visto de forma mais séria. Não basta “maquiar” habitações sem garantir condições de habitabilidade aos moradores. Portanto, vamos buscar junto aos governos estadual e federal, além de parcerias com a iniciativa privada e bancos de fomento, os recursos necessários para a implantação de projetos habitacionais que garantam moradia digna àqueles que ainda não tem casa própria. Além do déficit habitacional, em nossas caminhadas pela cidade temos constatado que inúmeras famílias também vivem em condições de risco nos morros e encostas. Esta questão também precisa ser enfrentada com seriedade, construindo novas habitações e transferindo estas famílias para locais seguros.Sabemos que, além da escassez de áreas públicas, Ipatinga tem uma topografia acidentada, mas temos diversas outras possibilidades arquitetônicas que nos permitem vislumbrar projetos de moradia digna e até mesmo auto-sustentável, seja em regime de mutirão ou através de empresas contratadas. A Usiminas tem novo presidente e acaba de anunciar um novo projeto estratégico, com estrutura organizacional reformulada. O novo presidente também prega mudanças no relacionamento com clientes, fornecedores e comunidades em que a Usiminas atua. Como é sua previsão de relacionamento com essa nova realidade?A questão da Usiminas tem motivado um trabalho constante de minha parte. Durante a 1ª Conferência da Região Metropolitana do Vale do Aço e em audiências públicas realizadas em Ipatinga, a meu requerimento, para discutir a saúde, a segurança pública, o meio ambiente, o trabalho e renda, os impactos dessa expansão foram a principal referência.O novo presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, a exemplo do Dr. Rinaldo, dispensa comentários sobre a sua competência e, certamente, conduzirá esse processo dentro da premissa do respeito ao desenvolvimento sustentável, buscando o melhor para os habitantes do Vale do Aço.A expansão terá um grande impacto na oferta de empregos e na arrecadação de impostos. Espera-se a criação de 3,5 mil empregos diretos e aproximadamente 15 mil indiretos na construção da nova usina. R$ 80 milhões serão aplicados na construção de um aeroporto, com capacidade para 360 mil passageiros/ano e habilitado para operação de cargas, que se tornará o segundo maior terminal aéreo de Minas. De outro lado, teremos um forte impacto nas áreas de saúde, educação, segurança pública, moradia, trânsito, etc., mas tenho certeza que o conceito de empresa-cidadã que norteia os princípios da Usiminas será levado em conta. Sei dos enormes benefícios que teremos com a expansão da Usiminas e dos desafios na gestão pública que enfrentaremos.Estou preparada para assumir a PMI. A relação da Prefeitura de Ipatinga, sob meu comando, com as empresas de grande, pequeno ou médio porte será de colaboração, na busca de maiores oportunidades de emprego e melhoria da qualidade de vida de todos os habitantes de Ipatinga e do Vale do Aço.Por que votar em Rosângela Reis?Apresentamos nosso nome para concorrer à Prefeitura de Ipatinga por acreditarmos na possibilidade de ampliar para toda a cidade o trabalho social que já estamos fazendo há 12 anos. A população de Ipatinga também clama por uma mudança de comportamento político, que valorize a ética e a boa gestão dos recursos públicos. Com uma arrecadação anual de cerca de R$ 500 milhões, a população de Ipatinga pode ter uma qualidade de vida muito melhor e muito mais pode ser feito nas áreas de saúde, educação, infra-estrutura urbana, segurança pública, qualificação profissional, etc. Para isso é preciso administrar os recursos com seriedade, austeridade e respeito ao povo, que paga impostos e quer vê-los retornar na forma de obras e serviços de qualidade. Por acreditar no novo, na ética, na mudança verdadeira, coloquei meu nome à disposição da população de Ipatinga.
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