13 de agosto, de 2008 | 00:00
Oito dias a seco e escola fechada
Moradores das partes altas de Ipaba protestam contra falta de água
IPABA A seco, moradores das partes altas da cidade de Ipaba passam o maior sufoco. Ontem à tarde, a população do bairro Nossa Senhora das Graças protestava contra a escassez que já completava uma semana. Reclamam, sobretudo, da desinformação sobre os motivos da falta de água. O protesto aumentou ainda mais na tarde de segunda-feira, quando um caminhão-pipa distribuiu água colhida em um ribeirão. O produto não tinha condições de consumo, garantem os moradores. Nas partes altas da cidade, cada um tem um drama para relatar.Vagnéia Aparecida da Silva acabava de chegar com duas garrafas pet de dois litros de água, cedidos pela vizinha. Senão morro de sede”, explica. Cassiane Medeiros, 8 anos, Camila Vieira Dias, 10, e Daiana Aparecida Paulina, de 11 anos, estão entre as crianças que deixaram de estudar porque a escola do bairro também estava fechada por falta de água. Na rua Pouso Alto, Raimunda Maria Paulina, 57, reclama das dificuldades com a falta de água. A filha, Lúcia Helena, conta que, sem água para lavar e cozinhar, o almoço foi à base de pão de sal com mortadela e refrigerante. O vizinho, Pedro João de Oliveira, 64, espera que providências sejam tomadas brevemente para restabelecer o fornecimento de água. Por sua vez, Ítsila Naiara de Campos, grávida, e com uma filha de 1 ano e 9 meses, teve que apelar para a lagoa de Ipaba, onde ontem à tarde lavou as vasilhas do almoço. Sei que a água da lagoa não é das melhores, mas não podia deixar isso sujo”, explica.ContratoPara muitos moradores, a falta de água em Ipaba está relacionada ao vencimento do contrato que a concessionária do serviço de água e esgoto, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), tinha com o município. Não houve acordo entre as duas partes, a Copasa não fez os investimentos que Ipaba precisava e estamos pagando por isso”, reclama a moradora Mônica da Silva de Almeida Reis.O ingrediente da disputa partidária do período eleitoral só agrava a discussão, mas os moradores não estão totalmente errados. O prefeito José Veira (DEM), que disputa a reeleição, confirma que há dois anos o município está sem contrato com a Copasa. Veira conta que mandou um projeto com pedido de autorização para renovar o contrato, mas a maioria dos vereadores não acatou os termos do acordo com a Copasa. Previa concessão de 30 anos e os vereadores modificaram a proposta para cinco anos. Com isso, a Copasa não renova o contrato”, argumenta o prefeito. Escassez em ribeirão causa desabastecimentoO gerente do distrito da Copasa no Vale do Aço, Franklin Otávio Coelho Mendonça, garante que não há relação direta entre a falta de água que atingiu as partes altas de Ipaba e o vencimento do contrato entre a concessionária e o município em 2005. O que aconteceu é que houve redução da vazão de água no ribeirão Água Limpa, onde a Copasa faz a captação para abastecer Ipaba. Isso é resultado da degradação ambiental e da pouca chuva do ano passado, que reduzem o volume de água”, afirma. A Copasa já havia registrado escassez no ribeirão Água Limpa em 1999 e 2005. Com a outorga para captar até 180 mil litros de água por hora no local, a captação média era de 101 mil litros e agora caiu para 72 mil litros por hora. Como medida emergencial, a Copasa anuncia que, ontem mesmo, faria manobras com quatro registros instalados para garantir o envio da água. Haverá momentos em que vamos cortar o abastecimento das partes baixas para que a água chegue aos morros”, explica Franklin. Além disso, já temos autorização para ampliar o barramento do ribeirão onde a água é captada.Franklin também confirma que a Copasa precisa investir R$ 1,6 milhão em projetos para ampliar a rede de abastecimento de água em Ipaba, mas esses investimentos não serão feitos sem a assinatura do contrato. Aguardamos que o governo municipal e a Câmara de Vereadores se entendam para que esse contrato seja assinado”, conclui Franklin Otávio Coelho Mendonça.Alex Ferreira
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

















