21 de agosto, de 2008 | 00:00

Irmãos educados em casa encerram provas

Wôlmer Ezequiel


Cléber: “Queria que outros alunos da rede pública fossem submetidos ao mesmo exame, só para a gente fazer uma comparação justa”
TIMÓTEO – Os irmãos, Davi e Jônatas, submetidos a exames pela Secretaria de Estado da Educação, para provar que tiveram bom aproveitamento do ensino em casa, entram hoje no último dos quatro dias de provas. Nesta quinta-feira, os adolescentes fazem avaliações de Matemática e de Educação Física. Os resultados serão anexados ao processo que os pais, Cléber de Andrade Nunes e Bernardeth de Amorim Nunes, respondem na justiça por terem decidido, há dois anos e meio, tirar os filhos da rede pública de ensino para educá-los em casa, seguindo conceitos adotados em outros países. A divulgação do resultado das provas deve ocorrer somente na semana que vem. A Superintendência Regional de Ensino (SRE), com sede em Coronel Fabriciano, pretende fazer amanhã a correção das avaliações. Para isso, foram convocados 16 profissionais da educação, dois para cada matéria de prova. Os resultados ainda serão analisados por um pedagogo da rede publica, a quem caberá elaborar um relatório a ser enviado dia 27 de agosto ao Juizado Especial Criminal de Timóteo, onde tramita um dos processos contra a família, acusada de abandono intelectual por tirar os filhos da escola convencional, conforme determina a lei brasileira.Denunciados por um vizinho ao Conselho Tutelar, o caso da família Nunes foi encaminhado ao Ministério Público, que esbarrou na questão legal e processou o casal. Na área cível, por descumprir determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os pais foram condenados ao pagamento de multas e a voltar com os filhos para a escola convencional. Recorreram e aguardam a tramitação do recurso no TJMG. Na esfera criminal, se condenados, também pagarão multa.  ImpressionismoOntem, terceiro dia da maratona de provas elaboradas para provar à Justiça que a educação em casa teve aproveitamento pelos jovens, Davi e Jônatas tiveram que responder questões de história e de artes. Na prova de artes, tiveram que fazer relatos sobre “teatro japonês” e dissertar sobre pintores famosos. O pai, Cléber de Andrade Nunes, informou que ontem os meninos foram bem na prova de história porque já estudavam o conteúdo há mais tempo. Já nas questões de artes houve maior complexidade. “Exigiam conhecimentos sobre teatro japonês, teoria das cores, pinturas pré-históricas, além de dissertação sobre obras de arte de Pablo Picasso, Leonardo da Vinci e Claude Monet. Foram mostrados quadros do impressionismo e pedida descrição detalhada das obras”, afirmou.As provas foram elaboradas por uma comissão de 16 professores das secretarias municipal e estadual de Educação. Os meninos só receberam o conteúdo programático uma semana antes da avaliação, segundo informação do pai, Cléber Andrade Nunes.DivergênciasCléber reclama que a primeira notificação judicial determinava que os garotos deveriam fazer provas de matemática, geografia, ciências e história - já que os irmãos afirmaram para o juiz que estudam em casa português, inglês, hebraico e informática. Ocorre que a família recebeu nova notificação com a relação de provas de português, matemática, inglês, geografia, história, ciências, artes, e educação física. Neste último caso, deverão responder hoje sobre a história do handebol, basquete, futebol, atletismo e outros esportes de alto rendimento.Um dos tópicos do cronograma de estudos sobre arte previa que os meninos tinham que ser capazes de conhecer as relações sócio-culturais da música ao longo da história, saber identificar termos técnicos e modalidades (religiosa, profana, tradicional, contemporânea, ambiental, folclórica, regional, entre outras vertentes).Alex FerreiraLeia mais:Maratona decisiva de testes
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