22 de agosto, de 2008 | 00:00

Águas cristalinas ameaçadas

Esgoto no loteamento Jardim Vitória compromete outra nascente

Wôlmer Ezequiel


João Rosa mostra o local exato da queda do esgoto, que está acabando com um regato de água cristalina
SANTANA DO PARAÍSO – Moradores do loteamento Jardim Vitória continuam empenhados em denunciar a agressão às nascentes existentes no bairro. Na edição de ontem, o DIÁRIO DO AÇO mostrou a degradação de umas das primeiras nascentes, no início do bairro, causada pelo pisoteio de animais e o lixo jogado no local, situado em uma Área de Preservação Ambiental (APA). Na tarde de ontem, a reportagem retornou ao Jardim Vitória e constatou outro problema. As redes de esgoto do bairro convergem todas para uma terceira nascente, provocando um cenário desolador, em que águas límpidas deram lugar a um depósito de esgoto. “O forte mau cheiro incomoda todo mundo na queda deste esgoto, principalmente no fim da tarde, quando a situação fica pior”, diz João Rosa de Souza, presidente da Associação de Moradores do bairro Jardim Vitória (AMJV), que também é membro do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Codema). João Rosa busca uma atuação eficaz para enfrentar esse problema. “É necessária a mobilização e interesse do poder público e de toda a população para resolver essa questão”, argumenta. O comerciante Isaque Pereira dos Santos, 27, morador do Jardim Vitória, critica a Copasa pela cobrança de taxa pela coleta de esgoto. “Não uso água da Copasa, tenho cisterna. Além disso, o esgoto está sendo jogado a céu aberto em uma nascente, acabando com uma riqueza natural. Como é possível que me cobrem esta taxa?”, indaga. Na fatura do mês de agosto, a Copasa cobrou de Isaque a taxa de R$ 6,74. O gerente do Distrito do Vale do Aço da Copasa, Franklin Mendonça, diz que a cobrança da taxa de coleta de esgoto no Jardim Vitória é legal. “O esgoto está todo canalizado. Portanto, os moradores estão pagando 40% do valor da tarifa de água, o correspondente à coleta de esgoto. Agora, a destinação adequada do esgoto teria de ser de responsabilidade dos empreendedores do loteamento, como parte da infra-estrutura do bairro”, enfatiza Franklin, referindo-se à Construdata Empreendimentos Imobiliários, responsável pela comercialização dos lotes no Jardim Vitória. Destino finalApesar do entrave, Franklin Mendonça afirma que a Copasa vai negociar com a Construdata para que as duas partes resolvam o problema do destino final do esgoto no Jardim Vitória, poupando as nascentes. “A Copasa está elaborando projetos de implantação e melhorias do sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário de todas as áreas urbanas de Santana do Paraíso. É de responsabilidade do empreendedor (Construdata) essa solução relativa à destinação final aos efluentes sanitários. Portanto, a partir da definição de projetos a Copasa negociará com os empreendedores imobiliários alternativa de solução conjunta”, afirma. Ainda segundo Franklin, após a conclusão dos projetos, prevista para o final de 2008, a Copasa terá de protocolar junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) pedido de licenciamento ambiental para a execução das obras de construção de interceptores e Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs). As obras vão atender não só o bairro Jardim Vitória, como também o Ipabinha, os bairros que compõem a sede de Santana do Paraíso e aqueles que são limítrofes de Ipatinga. Construdata admite uma negociaçãoConforme um gerente da Construdata, que preferiu não se identificar, a empresa de fato mantém negociações com a Copasa. O gerente defende que a responsabilidade do destino do esgoto no Jardim Vitória é inteiramente da Copasa, argumentando que a concessionária assumiu todo o abastecimento de água e o tratamento de esgoto de Santana do Paraíso em 2006, em substituição à Consae. “O destino final do esgoto é de responsabilidade da Copasa desde quando a estatal assumiu o serviço. Estamos negociando uma proposta para resolver problemas de abastecimento de água no Jardim Vitória, por meio da construção de uma adutora e mais um reservatório de grandes proporções. Em relação à destinação do esgoto, contudo, a Construdata também está à disposição para ajudar a Copasa na eventual construção de uma ETE, por exemplo, já que temos nossa política de responsabilidade ambiental”, completa o executivo. Bruno Jackson
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