23 de agosto, de 2008 | 00:00
Proteção virtual evolui
Especialista em Direito Digital explica os cuidados para evitar a vulnerabilidade da navegação online
Wôlmer Ezequiel
Patrícia Peck orienta os usuários a acionarem a polícia no momento em que se sentirem lesados por crimes digitais
IPATINGA A advogada Patrícia Peck Pinheiro, uma das maiores especialistas em Direito Digital do país, esteve na região na quinta-feira, 21, para ministrar palestra sobre o tema Os certo e o errado da era digital”. O evento foi realizado no Centro de Desenvolvimento de Pessoal (CDP) da Usiminas, integrando o Ciclo de Palestras 2008 promovido pela Agência de Desenvolvimento de Ipatinga (ADI). Além de advogada, Patrícia Peck também escreve sobre temas relacionados à segurança na internet nos jornais Gazeta Mercantil e Valor Econômico, e é articulista das revistas Executivo Financeiros e Info Exame, entre outras publicações. Nascida no Rio de Janeiro e formada pela Universidade de São Paulo, com especialização na Harvard Business School e MBA em marketing pela Media Marketing School, Peck é autora do livro Direito Digital (Editora Saraiva, 2002), em que examina a transformação jurídico-social e econômica da sociedade até a chegada do Direito Digital, abrangendo todos os princípios fundamentais e institutos ainda vigentes e introduzindo novos elementos no pensamento jurídico, em todas as suas áreas. Antes de sua palestra, Peck concedeu entrevista à imprensa, explicando pontos importantes para fazer uso responsável da internet e quais as principais precauções para não ficar vulnerável na rede. Confira os principais trechos da entrevista:DIÁRIO DO AÇO: É confiável fornecer informações confidenciais, como senhas de banco e número de cartão de crédito online? Quais são os riscos? Patrícia Peck: Atualmente, a maior parte dos grandes bancos e das grandes lojas investem bastante na segurança dos seus sites, então, o ambiente do site está seguro. O lado mais fraco hoje é o do usuário, principalmente aquele que tem o hábito de usar a internet de um cybercafé ou lan-house. Nestes estabelecimentos, onde há grande número de pessoas usando a mesma máquina, o computador fica mais suscetível a receber vírus ou arquivos maliciosos. Antes, os hackers atacavam o ambiente das empresas que forneciam os serviços, mas os criminosos perceberam que a vulnerabilidade estava nos clientes. Apesar de as empresas terem investido em dispositivos de segurança, ainda há muitos internautas que clicam em todo o e-mail que recebem. E mesmo as pessoas que são cuidadosas podem ser prejudicadas pelo descuido de outras pessoas que utilizam o seu computador. Então, quando você vai fazer uma compra na internet, as suas informações podem ser transmitidas para terceiros porque os seus filhos ou algum outro parente costumam fazer donwloads em sites duvidosos que acabam por contaminar a máquina. Em resumo, os sites das grandes empresas são seguros, mas o que gera risco é o comportamento do cliente. DA: Quais seriam os cuidados básicos para evitar o vazamento de informações confidenciais na internet?PP: Primeiramente, não deixar a senha guardada em lugares onde esta informação possa ser descoberta. Também é imprescindível utilizar softwares de segurança. Ao fazer transações online, como compras ou pagamento de contas, nunca utilize computadores de cybercafés ou lan-houses. Quando for comprar algum produto em lojas virtuais, opte pelos estabelecimentos mais conhecidos e evite comprar em lojas que você nunca ouviu falar. São muito comuns os casos de clientes lesados porque foram atraídos por uma oferta supostamente imperdível anunciada por um site fantasma. Este é o chamado 171 digital”, um crime de estelionato em que a pessoa não recebe a mercadoria e tem os seus dados roubados para a prática de fraude. Os sites sérios sempre informam de sua política de segurança e privacidade no rodapé das páginas. Na internet, também existem as ruas escuras e duvidosas. Procure os lugares conhecidos. DA: A polícia está mais preparada para lidar com os crimes cometidos no âmbito da internet?PP: Sim, principalmente por meio das ações da Polícia Federal. Em cada Estado, já foram criadas delegacias de crimes eletrônicos. Elas possuem equipamentos e equipes mais preparadas para a coleta de evidências para investigação. E qualquer ocorrência sobre crime eletrônico acaba sendo direcionada para estas delegacias, que vêm se especializando cada vez mais sobre como lidar com esse tipo de delito. Por outro lado, ainda existe uma carência muito grande de ensinar isso no meio acadêmico. A disciplina de Direito Digital ainda não é obrigatória na grade curricular das instituições de ensino superior. Isto significa que os alunos saem desatualizados da universidade e sem compreender como aplicar o direito na esfera digital. DA: É grande o número de pessoas lesadas em crimes digitais?PP: Segundo estatísticas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT-BR), o número de crimes digitais tem aumentado porque acompanha o crescimento de usuários de internet no Brasil. Também há a questão da leva de usuários que não têm conhecimento técnico. Geralmente eles saem clicando nas mensagens perigosas que instalam vírus no micro. Como boa parte dos internautas lesados não procura a polícia para oficializar as denúncias, não dispomos de dados precisos sobre os crimes digitais, mas calcula-se que eles atingem 30% dos usuários brasileiros. Roberto Sôlha
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