21 de setembro, de 2008 | 00:00

Associações buscam mobilização

Audiência debate dificuldades de portadores de vitiligo e psoríase

Wôlmer Ezequiel


Roberto Doglia ressalta que o tratamento da psoríase é muito caro, chegando a R$ 2 mil a caixa do remédio
IPATINGA – Os desafios e preconceitos enfrentados pelos portadores de vitiligo e de psoríase foram debatidos em recente audiência pública, na Câmara Municipal. Durante o encontro, o dermatologista Roberto Doglia Azambuja, de Brasília, especialista no tratamento de vitiligo e psoríase, proferiu uma palestra sobre o assunto. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Brasília, Doglia já publicou vários artigos e estudos sobre o tema em revistas especializadas. A audiência também contou com a presença da presidente da Associação de Portadores de Vitiligo e Psoríase de Minas Gerais, (AVP-MG), Nadieli Sathler. Conforme o dermatologista Roberto Doglia, as origens do vitiligo e da psoríase são desconhecidas. Segundo ele, a primeira se manifesta com manchas brancas que podem ser progressivas ou não. Já na psoríase a pele fica avermelhada, com escamação esbranquiçada e espessa, que pode se espalhar por várias partes do corpo. “Ambas recebem intensa influência do estado emocional. Não se sabe qual é o papel do fator psicológico na origem dessas doenças. Mas pelo menos na manutenção e agravamento delas esse fator tem uma influência muito importante”, alertou. Doglia informou ainda que não há formas de prevenção da doença e o tratamento não é disponibilizado pelo SUS. De acordo com ele, cuidar do vitiligo não é tão caro, mas os medicamentos de controle da psoríase custam em média R$ 2 mil cada caixa, que dura um mês. “Existe um tratamento do vitiligo muito simples. Trata-se de utilizar certas substâncias que sensibilizam a pele à luz solar. Já os remédios para psoríase são realmente caros. A nova classe de medicamentos, chamados de biológicos, custa cerca de R$ 2 mil a caixa. Aí, na maioria dos casos, fica impossível ao paciente manter o tratamento”, detalhou.  SensibilizaçãoNo Brasil, a estimativa é de que 2% a 3% da população tenham o vitiligo e cerca de cinco milhões de pessoas sejam portadoras da psoríase. Nadieli Sathler disse que as associações entram em cena para dar apoio aos portadores. “O papel das associações é de mobilizar esses cidadãos para que eles venham requerer seus direitos. O tratamento é caro e, por isso, muitas pessoas não têm acesso. A proposta da audiência é debater as doenças, porque falta informação. Ao se deparar com o portador, a primeira reação costuma ser a discriminação. E como são patologias que têm um vínculo muito forte com o emocional, a nossa proposta é exatamente difundir informações para evitar esse tipo de comportamento”, declarou.A presidente da AVP comentou que costuma ser comum o dermatologista acabar com as esperanças do paciente ao diagnosticar a doença que, de fato, não tem cura. “Acredito que deve haver maior humanização do trabalho dos dermatologistas. Vamos brigar por esse diferencial no tratamento. Nossa proposta é sensibilizar a comunidade médica e agrupar portadores. Assim, por meio da terapia de grupo e acompanhamento psicológico, certamente vamos melhorar a situação deles na região”, finalizou Nadieli Sathler.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário