21 de setembro, de 2008 | 00:00

Casos de Alzheimer dobram a cada 5 anos, alerta geriatra

Demência provocada pela doença recomenda um diagnóstico profundo

Wôlmer Ezequiel


Sandro do Carmo detalha alguns hábitos que podem evitar o desenvolvimento precoce da doença
IPATINGA – Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 3% da população do Brasil, na faixa etária acima dos 65 anos, desenvolve a doença de Alzheimer, que ainda não tem cura. Neste domingo, 21, Dia Mundial de Alzheimer, o DIÁRIO DO AÇO traz uma entrevista com o especialista em geriatria e medicina do sono, Sandro do Carmo de Carvalho, que aponta os principais fatores de risco possíveis, como também os fatores protetores ao desenvolvimento da doença. Por falta de informação, muitas pessoas não conhecem a doença, algumas já ouviram falar em demência ou caduquice, porém não sabem como ela se desenvolve. Conforme Sandro do Carmo, os estudos epidemiológicos mostram que a prevalência de Alzheimer dobra a cada 5 anos, entre as pessoas de 65 a 85 anos. Na faixa de 80 anos, pelo menos 6% têm a doença. Abaixo de 60 anos, a média é de apenas 1%. As mulheres, por viverem mais, têm um risco ligeiramente maior de desenvolver Alzheimer. Histórico familiar também conta. “Se há alguém na família que adquiriu Alzheimer, as chances para que outro idoso na família também desenvolva a doença gira em torno de 20%”, afirma Sandro do Carmo.O médico diz que o principal sintoma da doença de Alzheimer é a perda de memória, afetando a capacidade de trabalho e outras habilidades. O geriatra detalha, ainda, os sinais comuns da doença como: problemas de linguagem, desorientação, julgamento prejudicado, dificuldades de raciocínio abstrato, mudanças na personalidade, perda de iniciativa, perda constante de objetos e dificuldade em realizar tarefas comuns. De acordo com Sandro do Carmo, é importante lembrar que há outras demências. “A maior prevalência é de Alzheimer, chegando a 50%. Mas há outras, como a demência vascular. Por isso fazemos uma avaliação e diagnóstico de Alzheimer e demência no paciente”. DúvidasNormalmente, é um familiar, amigo ou vizinho que percebe quando alguém  apresenta sintomas de Alzheimer. “Dificilmente a própria pessoa detecta que está desenvolvendo a doença. Quando alguém notar os sintomas em uma pessoa, deve levá-la a um geriatra ou neurologista”, orienta.O médico salienta que o diagnóstico começa com uma profunda história médica do paciente, passando por um exame neuropsiquiátrico, teste neuropsicológico, breve historia de trauma craniano, questionário de avaliação funcional, entre outros procedimentos. O geriatra lembra que o diagnóstico é feito também para descartar outras demências. “Talvez a pessoa esteja com depressão e acha que está com Alzheimer. É que a depressão às vezes apresenta sintomas semelhantes. Por isso, é importante descartar outras causas de demências”, pontua Sandro do Carmo.É possível retardar a doençaA medicina afirma que ainda não há como evitar a doença de Alzheimer. Contudo, é possível evitar seu desenvolvimento precoce. O geriatra Sandro do Carmo de Carvalho informa que alguns hábitos podem retardar o aparecimento da doença. “Estudos indicam que, para retardar o Alzheimer, é essencial prevenir doenças como hipertensão arterial, diabetes e tratar doenças crônicas como a depressão. A pessoa tem que fazer exercícios físicos e procurar ler constantemente. Estudos também confirmam que quanto menor o grau de instrução, maior a chance de se desenvolver a doença”, observa. O geriatra garante que são fatores de risco protetores o nível educacional e o uso de estrógeno (hormônio feminino), ambos comprovados por estudo.Bruno Jackson
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