30 de setembro, de 2008 | 00:00
Peça inédita para mineração
Carreta com estrutura gigante deixa trânsito lento nas BRs-381 e 116
Wôlmer Ezequiel
Engenheiros acertam últimos detalhes no pátio da Emalto para início de transporte de peça gigante
TIMÓTEO A uma velocidade média de 30 km/h, saiu na tarde de ontem de Timóteo, com destino a Itabira, um tambor de recuperação de minério de ferro. A peça pesa 100 toneladas, mede 31 metros de comprimento e cinco de diâmetro. Para chegar a Itabira, no entanto, o equipamento não seguirá pela BR-381, devido à limitação de pontes e viadutos. O estudo de logística apontou que o único caminho capaz de comportar o transporte feito em uma carreta especial de oito eixos, conhecida como centopéia, é via Governador Valadares, para chegar à BR-116, descer até Realeza, pegar a BR-262 e seguir até o trevo de João Monlevade para ter acesso à estrada rumo a Itabira. O percurso, de 110 quilômetros, será aumentado para aproximadamente 500 quilômetros. Como só poderá trafegar dase 6h às 18h, a expectativa é que a chegada ao destino ocorra dentro de dez dias.O motorista que trafega pela BR-381, entre Ipatinga e Valadares, e BR-116, entre Valadares e Realeza, deve se preparar para enfrentar trânsito lento. Além de dois batedores, na dianteira e retaguarda, a carreta com a carga gigante terá ainda a escolta da Polícia Rodoviária em alguns trechos. InéditoO tambor de recuperação de minério foi montado na Emalto, em Timóteo, com tecnologia alemã da ThysenKrupp Fördertechnik. Segundo o inspetor diligenciador, Cássio Osvaldo Pereira, é a primeira vez que esse tipo de peça é fabricado no Brasil. Ela funciona nos pátios de estocagem e serve para recuperar o minério e colocar a matéria-prima nas correias transportadoras. Existe outro equipamento dessa natureza no Brasil, mas fabricado na Alemanha”, explica. Cássio ressalta que a entrega do equipamento pela Emalto é importante porque demarca o momento em que o país já consegue produzir peças complexas, que até então eram importadas. Mais importante ainda para o Vale do Aço, onde isso foi fabricado, com mão-de-obra e materiais todo originários daqui”, acrescenta. ConcorrênciaO engenheiro mecânico da Emalto Márcio Martins Andrade explica que a produção do tambor de recuperação de minério obedeceu a uma série de procedimentos preliminares, que incluíram a abertura de uma concorrência em âmbito nacional. A empresa timotense saiu vencedora por comprovar estrutura, equipe técnica e outros requisitos exigidos pelo contratante. Isso mostra o potencial da nossa região, capaz de atender a demandas complexas como essa”, conclui Márcio Martins. O engenheiro acrescenta que o processo de produção da peça consumiu seis meses de trabalho. O custo estimado do tambor é em torno de R$ 12 milhões. O transporte rodoviário de Timóteo a Itabira está estimado em R$ 60 mil. Alex Ferreira
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